BIM no Gerenciamento e Supervisão de Obras de Infraestrutura

Por Colaborador externo | 01.12.2014 às 16:30

Por Marcus Granadeiro*

Os modelos BIM (Building Information Modeling) estão ultrapassando o mundo das edificações e avançando no mercado de infraestrutura. São evidentes os potenciais benefícios que a tecnologia pode trazer aos empreendimentos, em todas as fases, dos primeiros estudos até a operação, passando pelo detalhamento do projeto e sua construção.

Dentro deste contexto surge uma questão sobre como utilizar o modelo BIM neste novo mercado. Nele é preciso encarar o modelo sobre a perspectiva da gestão dos contratos de fabricação, construção e montagem. Sua estrutura hierárquica, a maneira de orçar, o processo de desenvolver o 4D e o 5D devem ser pensados de maneiras distintas para fazer sentido neste mercado.

A estratégia de gerenciamento contratual e supervisão de obra devem ser levadas em conta para algumas definições e ajustes do modelo. Um contrato de execução por preço unitário levará a um modelo diferente de um contrato “turn-key”, no qual marcos e grupos de objetos deverão estar ligados aos eventos de pagamento. A análise de risco tecida pela gerenciadora deve acrescentar detalhes e características ao modelo, permitindo um controle mais efetivo dos riscos durante a execução, até mesmo o modelo de gestão, presentes em siglas como FEL (Front-End Loading) e PMBOX (Project Management Body of Knowledge) influenciam em especificações práticas do modelo como o LOD (Level of Detail)

Com os argumentos acima é plausível incluir a atividade de adaptar o modelo BIM utilizado em projeto para a fase de gerenciamento e supervisão. Dependendo do caso não seria algo absurdo pensar em gerar novos modelos, com nova hierarquia e parâmetros dedicados a esta nova etapa.

Com um modelo adequado é possível utilizar plenamente o BIM no gerenciamento e supervisão. O seu uso deve estar contextualizado na auditoria dos processos bem como conter todas as informações sobre a aceitação do produto. Os relatórios de supervisão e gerenciamento deverão passar de textos em papel para animações em quatro e cinco dimensões. As intercorrências de execução deverão ser dinamicamente registradas no modelo e associadas a um posterior fluxo de trabalho para garantir um “as build” completo e confiável.

Os modelos também devem ser pensados além de algo a ser consumido pelas gerenciadoras como insumo para seu trabalho. Devem ser pensados como recursos dinâmicos para tomadas de decisões técnicas e comerciais. Um estudo em cinco dimensões para avaliar o impacto no prazo e custo de uma alternativa de engenharia ou de uma alteração contratual. Um estudo 4D para avaliar a viabilidade de uma nova alternativa ou para justificar uma eventual defesa de reivindicação contratual.

Dentro deste cenário é correto de se pensar no futuro em termos um departamento de realidade virtual dentro das gerenciadoras e supervisoras. O BIM será o seu pontapé inicial.

*Marcus Granadeiro é presidente da Construtivo.com, empresa de fornecimento de solução para gestão e processos de ponta a ponta para o mercado de engenharia, com oferta 100% na nuvem e na modalidade de serviço (SaaS)