Futuro: os esforços da Qualcomm rumo ao 5G

Por Igor Lopes | 24 de Fevereiro de 2016 às 13h44
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De Barcelona, Espanha

Novos modelos de smartphones de última geração podem continuar sendo a principal vitrine do Mobile World Congress (MWC), que acontece esta semana em Barcelona, mas conforme a demanda por conectividade, velocidade e disponibilidade continua a crescer globalmente, a edição deste ano já começa a marcar o momento em que a discussão ao redor do novo padrão de conectividade 5G vai para o centro das atenções de parte considerável da indústria de tecnologia.

Em um encontro com a imprensa durante o evento, o CEO global da Qualcomm, Steve Mollenkopf, afirmou que a situação do 5G é clara: "será muito difícil" que empresas que não tenham força no mercado LTE (4G) sobressaiam futuramente no 5G.

Por isso, a Qualcomm tem apostado na própria expertise em conectividade e em parcerias com outras empresas de mercado durante a fase de desenvolvimento do 5G para estar na liderança do processo de transição de redes 4G para o 5G.

Na segunda-feira (22), por exemplo, a empresa anunciou uma parceria com a Ericsson para testes de padronização, interoperabilidade e coordenação de iniciativas com operadoras de telefonia para testes preliminares com a tecnologia. A empresa também já está trabalhando em projetos de pesquisa e desenvolvimento (R&D) "fundamentais" para suportar o novo padrão, além de investir em dispositivos pilotos para testar a conexão 5G.

De acordo com o CEO, a expectativa da organização é realizar os primeiros testes com a tecnologia ainda em 2018, e disponibilizar um serviço comercial de 5G já em 2020 - uma linha do tempo semelhante à visão de várias organizações e empresas do setor que estão trabalhando com o novo padrão.

Os esforços da companhia no 5G são puxados não só pelo interesse em fornecer conectividade de próxima geração para usuários finais, mas principalmente pelas oportunidades de mercado que serão abertas pela tecnologia em áreas como a Internet das Coisas, carros conectados e até aplicações de missão crítica.

"Nós vemos o 5G não só como a evolução do padrão atual, mas também como uma oportunidade para muitas indústrias", comentou o executivo. "O 5G é mais rápido, tem menor latência, mas mais importante que isso serão as funções especializadas que permitirão que novas indústrias alavanquem a tecnologia - como cidades inteligentes, internet industrial e outros sistemas com milhões de dispositivos conectados".

Paralelo ao desenvolvimento de sistemas que suportarão a conectividade 5G, no entanto, a empresa ainda mantém a atenção no extenso mercado inexplorado de 4G, principalmente em países e mercados emergentes, como o Brasil e a América Latina. Mollenkopf estima que hoje só 15% do consumidores móveis globais estão conectados atualmente ao 4G, uma oportunidade ampla de expansão para a empresa.

"Há diferentes estágios de crescimento nos mercados emergentes, mas acredito que os smartphones são a maior plataforma de computação atualmente", afirmou. "Eles continuarão a ser uma ferramenta importante de desenvolvimento econômico e nós vamos continuar a ver um ciclo de desenvolvimento e migração para estes dispositivos na região".

Para ampliar a migração de mais usuários para plataformas móveis, a empresa tem apostado na evolução de chipsets de entrada e intermediários, como as linhas Snapdragon 200 e Snapdragon 400, que barateiam o custo de smartphones ao mesmo tempo que permitem que canais de venda absorvam novas tecnologias para mercados emergentes. "É uma oportunidade para pessoas entrarem na Internet pela primeira vez, saltarem diretamente para a internet móvel, sem ter passado pela cabeada", completou.

Qualcomm MWC

Para CEO da Qualcomm, implementação comercial do 5G deverá acontecer a partir de 2020 (foto: Igor Lopes/Canaltech)

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