Qualcomm tenta virar o jogo para cima da Apple e a acusa de "querer se dar bem"

Por Luciana Zaramela | 26.01.2017 às 00:23 - atualizado em 26.01.2017 às 00:39

Pronto, mais uma novela começou na indústria tech. Em meio a uma chuva de processos que começou na semana passada, dois deles tendo a Apple como autora, a Qualcomm resolveu colocar a boca no trombone e revelar o que acha da gigante de Cupertino. As informações vieram em uma conferência de apresentação de resultados financeiros da companhia.

O call foi realizado com analistas e investidores nesta quarta-feira (26), e o CEO da Qualcomm, Steve Mollenkopf, não pode deixar de comentar os casos recentes envolvendo o nome da empresa em disputas judiciais. Ele disse que os processos da Apple com base nos Estados Unidos são inconsistentes, e acusa a gigante de estar procurando a melhor maneira de se dar bem no assunto componentes.

"A reclamação da Apple traz uma série de afirmações, mas no final, isso não passa de uma disputa comercial sobre o preço da propriedade intelectual", afirmou o executivo, alinhado com o comunicado publicado pela Qualcomm sobre o assunto na semana passada. "Eles querem pagar menos pelo valor justo que a Qualcomm estabeleceu no mercado, mesmo sendo uma empresa que gera bilhões em receita graças à nossa tecnologia", completou.

O presidente da companhia, Derek Aberle, fez coro à afirmação de Mollenkopf, dizendo que "no fim das contas, eles só querem pagar menos pela tecnologia que estão usando. Simples assim".

À esquerda: chip (modem) Qualcomm MDM9625M, em uma placa lógica do iPhone 6 (imagem: iClarified)

O caso está a ponto de bala nos tribunais, com a Apple tendo processado a Qualcomm tanto nos Estados Unidos (em US$ 1 bilhão) quanto na China (em US$ 1 milhão). Essa bola, aliás, foi levantada pela FTC (Comissão Federal de Comércio dos EUA), que processou a Qualcomm no início da semana passada alegando concorrência desleal e citou a Apple nos papéis.

Don Rosenberg, conselheiro geral da Qualcomm, retrucou, em resposta aos investidores na conferência de hoje: "Não creio que temos monopolizado o mercado de chips nem outro qualquer", disse. "Nunca impedimos que a Apple ou qualquer outra empresa comprasse (componentes) de nossos concorrentes", completou.

E as encomendas, como ficam?

Apesar do clima de tensão, a Qualcomm disse que vai fazer jus aos pedidos que a Apple realizou recentemente. Os executivos explicaram que o fornecimento de chips de modem e wireless da Apple parte de fabricantes contratados, que licenciam os produtos à Qualcomm IP. Tecnicamente, a empresa não faz nada além de honrar estes acordos.

Ironicamente, esses fabricantes estão no cerne da ação movida pela Apple nos tribunais. De acordo com o processo, a Qualcomm negocia acordos de licenciamento com empresas menores, em vez de gigantes do ramo como a própria Apple. Com um poder de barganha relativamente menor, esses fabricantes são forçados a pagar royalties gigantescos em termos não-FRAND (sigla para licenciamento justo, razoável e não-discriminatório), repassados para empresas maiores.

A Apple ainda não se manifestou sobre o assunto.

Saiba mais sobre o caso:

Fonte: Apple Insider