Qualcomm quer ajudar fabricantes chineses no mercado internacional

Por Redação | 29.04.2015 às 17:18

Se a presença de pequenos fabricantes locais de smartphones já vinha sendo uma pedra no sapato de empresas como a Samsung e a Microsoft no mercado chinês, a Qualcomm quer garantir que isso aconteça também no mercado internacional. A empresa anunciou nesta semana que está abrindo uma unidade especificamente para facilitar a vida de empresas da China que quiserem levar seus produtos mobile para fora de suas fronteiras regionais.

A novidade foi revelada pelo CEO da Qualcomm, Steve Mollenkopf, e a empresa deve prestar serviços de assistência, marketing e distribuição para os clientes. Os novos escritórios serão abertos em Shenzhen, onde estão instalados boa parte destes fabricantes, e trabalhar por meio de licenciamento para garantir a chegada de novos nomes ao mercado global de smartphones e tablets.

Tudo isso, claro, desde que os fabricantes sejam parceiros e utilizem chips como o Snapdragon, por exemplo. Para aumentar a adoção de sua oferta de hardware, a Qualcomm também está investindo US$ 150 milhões em startups locais, para que desenvolvam tecnologias voltadas especificamente para suas soluções, além de ter feito acordos com produtores chineses para uma fabricação mais barata de componentes voltados ao mercado local.

E todo esse novo movimento veio de duas situações extremamente negativas para a companhia. De acordo com Mollenkopf, os motores para os novos investimentos foram a perda da Samsung como cliente para a fabricação de um dos principais aparelhos do momento – o Galaxy S6 e sua variante Edge – e uma investigação antitruste por autoridades chinesas que levaram a uma multa de US$ 975 milhões.

As duas perdas levaram a Qualcomm a investir mais em contratos de licenciamento de tecnologia, uma alternativa rápida e fácil para contornar as perdas recentes. E o que se viu foi uma grande vontade de empresas da China em se aliarem à gigante dos chips, motivando um trabalho muito mais próximo com ela que levou à criação da unidade de expansão internacional de tais produtos.

O foco, claro, devem ser os aparelhos de baixo custo. São eles que tanto incomodam nomes como Samsung, Apple e outros em seus investimentos na China, e constituem a maioria da base instalada de smartphones no país. O sistema operacional Android, claro, é o dominante, e a chegada de tais dispositivos ao mercado global, se mantidos o preço e a ampla oferta de produtos, pode acabar significando uma concorrência ainda mais acirrada em uma faixa que já é bastante povoada por opções de produtos para o consumidor.

Apesar de ter falado amplamente sobre a iniciativa, Mollenkopf não deu detalhes sobre as empresas com as quais a Qualcomm está trabalhando, nem deu uma ideia de quando veremos os primeiros aparelhos chineses chegando ao mercado internacional. Ainda não deu para sentir, também, o efeito da nova empreitada junto a empresas que já estão estabelecidas no setor, mas esse aspecto não deve demorar muito para dar as caras no noticiário.

Fontes: The Wall Street Journal, Android Central