Intel utilizando gráficos integrados da AMD: estranho? Muito pelo contrário

Por Redação | 09 de Novembro de 2017 às 16h52
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Intel

Duopólios são comuns em diversos segmentos de tecnologia. Android vs iOS, AMD vs NVIDIA são bons exemplos, assim como Intel e AMD no segmento de processadores. Aliás, este último exemplo remonta décadas de disputa, de forma que a notícia de que ambas trabalhem juntas em uma próxima geração de CPUs seja recebida com uma natural estranheza. A verdade, porém, é que não se trata de uma parceria tão surpreendente quanto parece, e vamos entender os motivos na próximas linhas.

Efeito Ryzen

Não é surpresa que muitas das decisões recentes da Intel são respostas ao lançamento do Ryzen. Antes conhecida como Zen, a nova plataforma da AMD representa, finalmente, alguma inovação da empresa no segmento de CPUs.  O Bulldozer, com pequenas melhorias incrementais, permaneceu praticamente inalterado desde 2011, apostando em uma arquitetura modular com foco em quantidade de núcleos, mas com baixa eficiência single-core. Já o Ryzen focou em uma evolução de eficiência por ciclo de clock, além de introduzir o SMT, trazendo ganhos adicionais de eficiência.

Incapaz de competir com a Intel desde a primeira geração, o Bulldozer criou uma situação confortável para esta. Desde o lançamento oficial da família Core, a evolução dos processadores da Intel estacionou em 10% (quando muito!) entre gerações. Claro, tivemos novas tecnologias internas, reduções de litografia e assim por diante, mas, essencialmente, não houve nada de realmente revolucionário. Mais recentemente, a Intel enfrentou problemas para reduzir a litografia utilizada de 22 nm (Haswell) para 14 nm (Broadwell).

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Em seguida, estendeu o seu famoso “Tick Tock” para algo como “Tick Tock Tack”, já que o Kaby Lake é, na prática, uma atualização do Skylake. A oitava geração, novamente, será apenas uma melhoria do Kaby Lake (“Tick Tock Tack...Teck?”), focada em produtos de baixo consumo (família ULV, ou “U”). Até aqui, nenhuma novidade, mas teremos duas mudanças (dentre outras) extremamente importantes. Em primeiro lugar, a duplicação de núcleos e threads, chegando a modelos quad-core com oito threads, mantendo as tensões baixas.

Esta é, talvez, uma das mudanças mais notáveis nos últimos anos, além de uma demanda de longa data por parte dos consumidores. Apesar disso, é a adoção de uma GPU integrada da AMD, sua principal concorrente, que ganhou os holofotes. Mas por que a Intel adotaria esta mudança?

Gráficos integrados... AMD?

Em primeiro lugar, trata-se exatamente de uma geração focada em Ultrabooks e ultrafinos e geral. Por contarem com limitações de espaço e de bateria, estes sempre tiveram processadores com menos núcleos e gráficos apenas integrados, salvas raríssimas exceções. Ou seja, o usuário acabava preso aos “Gráficos Integrados Intel HD”, que não deixavam o usuário na mão no uso do dia a dia, mas certamente tinham pouca memória utilizada na hora de jogar ou rodar algum programa mais pesado.

Apesar dos problemas do Bulldozer, a AMD adquiriu um significativo know-how na produção de suas APUs, que traziam poderosos gráficos integrados. Certamente estavam longe de competir com placas de vídeo dedicadas, tanto da NVIDIA quanto da própria da AMD, mas eram um avanço e tanto se comparadas aos gráficos da Intel. Já a NVIDIA não possui uma solução semelhante, o que significa que não houve muita opção por parte da Intel.

Na prática, essa aliança incomum entre Intel e AMD beneficia duplamente o usuário. Além de novas melhorias, os núcleos de CPU (e respectivas threads) serão dobrados mantendo o baixo consumo energético. Do lado dos gráficos, temos a promessa de finalmente poder contar com gráficos integrados com considerável poder de processamento. Alguns consideram que essa expectativa não se cumprirá, já que as empresas são concorrentes diretas que representam virtualmente 100% do market share. Mas não é o caso.

Cada um no seu quadrado

Em primeiro lugar, como dissemos, a Intel não tinha muita escolha, já que a AMD praticamente criou o conceito de APU. Estas não fizeram sucesso devido ao baixo poder de fogo da CPU, algo que a Intel não precisa se preocupar ao criar um processador realmente interessante. Em segundo lugar, essa parceria não é tão estranha quanto parece, e por um motivo muito simples: a Intel não concorre com a divisão de gráficos da AMD.

Mesmo sendo concorrentes históricas, não há motivo para a Intel se preocupar com o uso de GPUs da AMD. É um caso muito semelhante ao ocorrido entre AMD e NVIDIA. Esta, em uma atitude respeitosa de “fair play”, deu “boas vindas” à AMD pelo lançamento da família Ryzen. AMD e NVIDIA concorrem diretamente no segmento de GPUs em um caso semelhante ao que acontece entre Intel e AMD. Mas não em CPUs.

Na prática, a lógica é a mesma, e tem todo o sentido. O sucesso da AMD com o Ryzen estima as vendas de máquinas com placas de vídeo da NVIDIA. Da mesma forma, criar um processador com CPU Intel e GPU AMD beneficia tanto a AMD quanto a Intel, que passa a contar com um produto de baixo consumo e alta eficiência de ambos os lados para ultrafinos. Intel e AMD estão praticando um “ganha-ganha”.

Um um terceiro componente que pode passar despercebido. A divisão de computadores da Apple, ainda que mais recentemente, trabalha exclusivamente com processadores Intel e gráficos AMD, do MacBook Pro Retina ao Mac Pro. O sucesso de uma oitava geração da Intel com essa proposta pode abrir caminho para um ultrafino que não abre mão de poder de fogo no portfólio da Apple. Algo como um notebook com dimensões que variam entre o Macbook e o Macbook Air com desempenho próximo a um Macbook Pro Retina de 15 polegadas. Já imaginou?

Conclusão

A possibilidade de uma “APU da Intel” foi reforçada tanto pela AMD quanto pela Intel em release oficial. Ainda assim, muita calma nessa hora. Apesar de ser algo possível de acontecer, não quer dizer, necessariamente, que teremos uma oitava geração da Intel com gráficos AMD. Por enquanto, esse produto deve ser tratado apenas como de fato é: uma possibilidade.

De qualquer forma, não se trata de uma possibilidade completamente remota. Já faz algum tempo que a Intel não oferece nada de, digamos, inovador. As melhorias de seus processadores são incrementais, com gráficos integrados que melhoram com maior velocidade, mas ainda estão longe de terem chegado a resultados significativos. Uma “APU da Intel” seria um produto e tanto para mudar esse cenário, em especial pelo sucesso inicial do Ryzen.

O que esperar dessa “APU da Intel”? Vamos explicar em um artigo futuro.

Fontes: Release oficial AMD, Release oficial Intel, Anandtech, Extremetech, Ars Technica

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