Google OnHub: simplificando sua conexão Wi-Fi

Por Adriano Ponte
photo_camera Foto: Reprodução/Google

Que roteadores agora têm uma certa “obrigação” de seguirem a harmonia da sua casa, todos nós sabemos. Mas será que isso é o suficiente? Até que ponto você necessita de um equipamento simples de usar e que se encaixe bem na sua sala?

Pode parecer uma grande bobagem ponderar sobre desempenho e praticidade, mas muitas vezes um equipamento com maior leque de opções e controles acaba não dando tanta qualidade de uso para consumidores comuns ou com nenhuma paciência/disposição/tempo para entrarem numa curva de aprendizado sobre alguma novidade.

Veja agora nossa análise do Google OnHub, o roteador da gigante das buscas feito em parceria com a TP-LINK.

Principais características

  • Wi-Fi a/b/g/n/ac
  • 6 antenas de 2.4 GHz (de até 600 Mbps)
  • 6 antenas de 5 GHz (de até 1.300 Mbps)
  • 1 porta USB 3.0
  • 1 porta WAN (de até 1000 Mbps)
  • 1 porta LAN (de até 1000 Mbps)
  • Bluetooth 4.0
  • Alto-falante de 3W
  • Luz ambiente para indicar status
  • Até 128 dispositivos simultâneos

Simplificando como nos conectamos

Desenhado claramente em contornos simples, o OnHub não tenta apenas reduzir os passos de configuração necessários para o uso; ele busca ser uma peça não-invasiva no seu lar.

O anel de luz no topo do aparelho não é somente estético: azul-escuro significa “pronto”, azul-claro é “operando normalmente” e âmbar é “problemas – verifique o aplicativo do OnHub” A ideia que é passada desde a caixa do produto é conectar o aparelho numa fonte de energia, plugar o cabo WAN fornecido pela sua operadora de banda larga ou fibra e pronto. Na maioria dos casos, realmente é isso que deve acontecer.

A configuração inicial do aparelho, onde você escolhe o nome da rede Wi-Fi e sua respectiva senha, acontecerá logo após o descrito acima. Basta que você tenha em mãos um smartphone ou tablet Android/iOS com o app do roteador baixado da Google Play Store ou App Store instalado.

Em alguns modelos de aparelhos, o app toma a dianteira e localiza automaticamente o OnHub e ele começa a tocar sons que significam sua chave de segurança única, pareando o seu aparelho ao roteador sem trabalho algum. Como é de se esperar, há um método tradicional de inserir as chaves de segurança no app, bastando olhar em baixo do OnHub a etiqueta com os dados.

Vale mencionar que tudo isso só acontecerá se você aceitar fornecer uma conta Google para o registro do seu OnHub logo no início do processo. Sim, há opções de não permitir que o Hub colete estatísticas de uso, porém sua conta ainda ficará veiculada ao seu funcionamento, exigindo conexão à internet para o processo de configuração inicial.

Uma vez feita a sincronização entre o OnHub e o app, você terá controle sobre algumas opções tradicionais de roteadores, como DNS e provedor de internet (DHCP, estático ou PPPoE). Pelo menos por enquanto, nada de opções básicas como firewall, filtro MAC ou opções relacionadas à banda de transmissão. O mais avançado que os menus trazem é o IP estático, encaminhamento de porta e UPnP.

De acordo com a proposta (e o site oficial), o OnHub é um produto vivo que recebe automaticamente atualizações de firmware sem derrubar sua conexão com a internet, portanto passível de receber novas funções a qualquer momento. Trata-se de uma aposta por parte do usuário, que pode ou não receber melhores controles futuramente, além de observar quais dispositivos estão conectados ao OnHub e quanto estão consumindo da banda.

Certo, é interessante poder consultar de qualquer lugar do mundo (que tenha acesso à internet) quem está na sua Wi-Fi ou mesmo trocar senha e configurações dela, porém fica por isso mesmo. Você não pode “chutar” dispositivos fora; o gerenciamento individual apenas te dá a opção de privilegiar um aparelho com mais prioridade de banda que os demais - e mesmo assim apenas por algumas horas.

Sim, pode ser um problema a falta de controle das bandas de operação do OnHub - e não, você não pode dividir elas em duas redes separadas -, porém é exatamente essa a questão: o OnHub se propõe a ser o operador da sua casa e não você. Esse é o objetivo do produto. Entenda:

  • Em situação de interferência, os medidores e algoritmos mudam a transmissão entre as duas bandas e 12 antenas (13 com a principal);
  • Em situação de sobrecarga, o OnHub direciona a conexão ao dispositivo mais exigente diretamente por uma de suas antenas de forma dedicada;
  • As direções variadas das antenas embutidas são observadas pelo OnHub para fornecer corretamente o sinal para os dispositivos ativos, entre outras medidas.

Basicamente, a proposta é que com seus algoritmos e sensores o OnHub saiba gerenciar corretamente faixas de banda, direcionamento e balanceamento de carga sem precisar do seu trabalho, mantendo tudo “apenas funcionando”, inclusive se auto programando como repetidor (caso você tenha outro OnHub atrelado à sua conta) e mantendo um diálogo entre ambos os pontos automaticamente, combinando faixas e carga distribuída sem sua interferência no processo.

A cobertura da rede realmente se mostrou uniforme em nossos testes, mas sem surpresas ao atravessar paredes ou outros obstáculos inimigos de roteadores, mostrando que a potência de saída das antenas não é tão forte quanto as campanhas levam a entender.

Em nossos testes, os ambientes adjacentes foram cobertos com igualdade. Apesar da diminuição de sinal natural, que acontece ao se distanciar do aparelho, o sinal se manteve uniforme. Não podemos dizer quantos metros você vai obter em sua casa, afinal coisas como material das paredes, objetos metálicos e canos d'água interferem diretamente no raio de distribuição.

Com base no ambiente em que testamos o produto, quando bem posicionado em locais altos, o OnHub consegue cobrir com qualidade até três cômodos de distância da sua instalação, algo muito próximo do esperado de roteadores domésticos. Porém, como dito, fica claro o trabalho dele em manter a estabilidade da conexão, sem oscilação do sinal, independentemente da sua intensidade alta ou média.

É promissor, pode trazer bastante estabilidade à sua casa com Wi-Fi AC distribuído de forma mista entre seus dispositivos capazes de aproveitar a rede, porém com incertezas no pacote. Não dá para apontar para a USB inativa ou lembrar do Bluetooth sem uso habilitado sem se incomodar - principalmente pelo preço cobrado no exterior, pois, sim, você precisará importar o produto caso queira tê-lo em casa.

São US$ 200 (ou cerca de R$ 789 na atual cotação do dólar). Por esse valor, é possível adquirir equipamentos bastante capazes de outras marcas conhecidas, inclusive da própria TP-LINK, parceira do Google na construção do OnHub.

Se você é um usuário final, vale a pena se você estiver disposto a desembolsar o valor pedido por ele. É simples de usar e promete mais funções ainda desabilitadas.

Se você é um usuário avançado, vale a pena pesquisar outros aparelhos que garantam controle completo de tudo, inclusive o acesso direto ao aparelho pelo computador ou mesmo com mais saídas LAN, essenciais para uso intenso de dados.

Resta-nos esperar para ver o que o Google nos reserva em surpresas nas (possíveis) atualizações do seu primeiro produto desse segmento.

Fique ligado aqui no Canaltech, pois seguiremos de olho no OnHub.

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