Fundo Jana Partners está pressionando Qualcomm a separar unidade de chips

Por Redação | 14 de Abril de 2015 às 15h35

Barry Rosenstein, investidor ativista da Jana Partners, tem pressionado a Qualcomm a separar sua unidade de chips da unidade de licenciamento de patentes, que responde pela maior parte do lucro da empresa. Isso deveria ser feito para "restaurar a confiança dos acionistas", conforme diz uma carta enviada a eles nesta segunda-feira (13). Rosenstein afirmou que o negócio de chips da Qualcomm está "essencialmente sem valor" da forma que se encontra atualmente.

Apesar da grande participação da Qualcomm no mercado de chips para dispositivos móveis, de acordo com o investidor, isso não tem sido suficiente para corrigir o que chamou de "mau desempenho" da empresa nesse segmento. Sendo assim, ele está defendendo amplamente a separação da divisão de chips, além de outras medidas para melhorar o preço das ações da companhia.

O maior acionista da Qualcomm, o fundo Jana Partners, com 4,4 milhões de ações (adquiridas por US$ 2 bilhões), está pressionando a companhia a reduzir custos, além de aceleração na recompra de ações, alterações em sua política de remuneração de executivos e alteração na forma de elaboração de relatórios financeiros.

De acordo com uma pessoa familiarizada com o assunto afirmou às agências de notícias que tiveram acesso à carta enviada aos acionistas, os executivos da Jana Partners e da Qualcomm têm mantido discussões desde o ano passado. Na carta, o fundo hedge, que tem US$ 11 bilhões em ativos sob sua gestão, descreveu as negociações como construtivas. A estratégia de manter discussões com a alta administração nos bastidores é a mesma que foi adotada em 2014 para obter assentos no Conselho de Administração da rede americana de farmácias Walgreens.

O valor de marcado da Qualcomm atualmente é de cerca de US$ 114 bilhões. A companhia é a maior fabricante de chips utilizados em celulares. No entanto, a empresa recebe royalties de patentes da maioria dos fabricantes de smartphones, desde que as redes 3G se consolidaram no mercado. Cerca de dois terços do lucro da empresa são oriundos destes royalties.

Os preços das ações está 11% abaixo em relação ao ano passado e os dividendos pagos aos acionistas têm ficado muito aquém do valor pago, ao longo dos últimos cinco anos, o que explica a pressão sobre a empresa. Mesmo assim, as ações da companhia têm superado as de muitos de seus pares da indústria de semicondutores. A Qualcomm também está sendo mais generosa do que a maioria com os acionistas. Segundo dados da própria empresa, desde 2003 ela já gastou US$ 37 bilhões com o pagamento de dividendos e recompra de ações.

Mas a pressão aumentou ainda mais no final de janeiro deste ano, quando a Samsung anunciou que deverá abandonar os processadores da empresa. A Samsung era parceira há anos da Qualcomm na produção de seus smartphones. Segundo fontes, a fabricante sul-coreana decidiu optar por utilizar seus próprios processadores, nos quais está investindo muito nos últimos anos. Um dos motivos da escolha da Samsung pode estar relacionado ao superaquecimento do novo chip Snapdragon 810 da Qualcomm em testes realizados.

Via Converge Comunicações

Fonte: http://convergecom.com.br/tiinside/13/04/2015/fundo-de-hedge-pressiona-qualcomm-a-separar-unidade-de-chips-e-a-reduzir-custos/#.VS0Sz5N0fGI

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