EUA cria nova medida para cortar fornecimento global de chips para a Huawei

Por Felipe Demartini | 15 de Maio de 2020 às 13h15
Divulgação/Huawei
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Apenas um dia depois de estender por mais um ano a permanência da Huawei na “lista proibida” de empresas que não podem negociar com firmas dos EUA, o governo norte-americano deu mais um passo para atacar diretamente a operação da fabricante chinesa. Nesta sexta (15), o Departamento de Comércio do país afirmou que vai iniciar um bloqueio no fornecimento global de chips para a marca, em uma medida que deve afetar diretamente sua cadeia de produção.

O novo bloqueio acompanha uma série de regras, voltadas para, segundo o governo, reduzir o impacto sobre a cadeia global de suprimentos. Chips já em produção ainda poderão ser exportados para a Huawei desde que o processo de fabricação seja iniciado até 15 de maio, com um prazo máximo de 120 dias para envio dos componentes à empresa chinesa. Depois disso, as remessas ficam bloqueadas indefinidamente.

A ideia, de acordo com o Departamento de Comércio, é impedir que a Huawei receba componentes que contenham “produtos diretos de certos softwares e tecnologias americanas”. A alegação feita pelos EUA é, mais uma vez, a preocupação com a segurança nacional e supostas relações entre a fabricante e o governo da China, sempre refutadas pela companhia.

EUA vs. Huawei

O comunicado oficial sobre as novas regras, aliás, não faz a menor questão de esconder que o grande alvo é, justamente, a Huawei. De acordo com o Secretário de Comércio americano Wilbur Ross, a fabricante vinha se aproveitando de brechas legais para continuar recebendo tecnologias desenvolvidas nos Estados Unidos, mesmo com o banimento imposto por Donald Trump no ano passado. A mudanças nas regras, afirma ele, vem para alterar esse cenário e impedir que a companhia continue sendo uma "ameaça à segurança nacional".

Um bloqueio no fornecimento de semicondutores deve afetar diretamente a produção de smartphones, dispositivos móveis e, principalmente, equipamentos de telecomunicações da Huawei. Em um momento de fechamento de contratos globais para implementação de 5G, a medida também representa mais uma cartada do governo dos EUA na tentativa de impedir que a empresa chinesa participe da instalação dessa infraestrutura.

A TSMC, uma das maiores fornecedoras globais de chips para empresas de tecnologia, deve ser uma das principais afetadas pelas novas regras do governo dos Estados Unidos (Imagem: Divulgação/TSMC)

Efeito colateral

Além da própria Huawei, o banimento da vez também afeta diretamente a TSMC, uma das principais fornecedoras globais de semicondutores para a indústria de tecnologia que, entre outras grandes empresas do setor, tem a Huawei como parceira. Pela nova regra, ela fica impedida de entregar componentes para a fabricante chinesa, em uma mudança que deve afetar seus negócios diretamente.

Em comunicado, a fornecedora disse estar conduzindo análises jurídicas sobre o caso, esperando chegar a uma conclusão sobre a legalidade das novas regras antes de sua entrada em vigor. De acordo com a TSMC, sua linha de suprimentos é extremamente completa e depende de parcerias, tecnologias e inovações de diferentes entidades ao redor do mundo, o que torna uma proibição desse tipo incrivelmente danosa.

Reação

A resposta chinesa veio já nesta sexta e causou temor no mercado. O governo afirmou que vai incluir uma série de empresas americanas em uma lista de “entidades não confiáveis”, que passam a contar com escrutínio extras para importação, tarifas mais altas e maior aparato regulatório em suas operações no país.

Entre as retaliações estaria uma suspensão na compra de aviões da Boeing por companhias aéreas chinesas, bem como o início de investigações e aplicação de sanções sobre empresas de tecnologia como Apple, Cisco e Qualcomm. As notícias fizeram com que as bolsas americanas iniciassem o dia em queda, com Nasdaq, Dow Jones e S&P 500 operando em retração média de 1%; a Bolsa de Valores de Nova York registra movimento estável no momento em que essa reportagem é escrita.

Em declaração dada ao final de março, já na iminência da extensão do bloqueio de negociações entre empresas americanas e a Huawei, o diretor da fabricante, Eric Xu, afirmou que o governo chinês entraria na história e não permitiria que a companhia fosse dilacerada pelos EUA. Na ocasião, entretanto, ele não comentou sobre possíveis medidas que, por enquanto, não entraram em vigor.

Banimento estendido

Nesta quinta (14), o governo estadunidense confirmou por mais um ano o decreto que bane a Huawei do território americano. Por meio dele, empresas com presença nos EUA não podem negociar com a fabricante chinesa, seja na compra de produtos ou assinatura de contratos, em uma decisão que vale tanto para a própria marca quanto para suas mais de 100 subsidiárias espalhadas pelo mundo.

Ao mesmo tempo em que anunciou uma mudança nas regras de fornecimento de semicondutores, o Departamento de Comércio dos EUA também concedeu por mais 90 dias as licenças temporárias para que empresas de telecom trabalhem juntas em projetos localizados e já existentes. Entretanto, o governo avisou que esta deve ser a última extensão do prazo e que, a partir de agora, os envolvidos devem trabalhar no fim da dependência da Huawei e na retirada da empresa do país.

Fonte: Reuters

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