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Cientistas criam tela com pixels muito menores do que a de qualquer smartphone

Por Rafael Rodrigues da Silva | 13 de Maio de 2019 às 08h49

Se as fabricantes de smartphones achavam que faziam milagres com o tamanho dos pixels em telas com resolução 4K em aparelhos de 15 cm, uma equipe de cientistas da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, criou um novo tipo de tela que exibe pixels muito, mas muito menores do que estamos habituados.

Eles inventaram um novo modo de criar uma tela pixelizada, com o tamanho de cada pixel sendo um milhão de vezes menor do que o utilizado pelo Retina Display da Apple, uma das telas com maior condensamento de pixels do mercado.

Mas, mais interessante do que o imenso condensamento de pixels por centímetro quadrado é o modo como essas telas são criadas: partículas microscópicas de ouro (cada uma do tamanho de alguns bilionésimos de metro) são colocadas em um polímero eletroativo chamado de polianilina. Esse polímero então é colocado em um campo elétrico, onde sua estrutura é modificada e ele acaba se misturando às partículas de ouro. O resultado é aplicado via spray (como se fosse uma tinta) em um filme plástico com uma camada espelhada.

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Esse processo faz com que, ao invés necessitar que uma fonte de energia excite um material químico para emitir luz (modo que funciona praticamente todas as telas atuais, independente de ser um smartphone ou uma TV de 80 polegadas), o que acontece aqui é que a luz fica presa entre as partículas microscópicas de ouro e é refletida através da superfície espelhada da tela. Ainda que os pixel sejam menores do que os usados nas telas de celulares, o brilho de cada um deles é maior do que o dos pixels das telas atuais, tornando-os muito mais fáceis de serem vistos pelo olho humano mesmo sob uma intensa luz solar.

Também é possível, aplicando-se uma corrente elétrica específica para mudar as propriedades das partículas do polímero, fazer com que cada pixel consiga emitir todo o espectro de cores existentes, retendo esse brilho por tempo indefinido sem a necessidade de ser constantemente alimentado por uma fonte de energia.

Isso faz com que essa nova tecnologia seja, além de mais barata e fácil de produzir do que a utilizada nas telas atuais, muito mais econômica, conseguindo funcionar com fontes de energia bem mais humildes do que as atuais baterias dos smartphones.

Pior enquanto, a descoberta ainda está em fase de testes e ainda há muito que não se sabe sobre o funcionamento desse novo tipo de tela, como se a taxa de atualização é rápida o suficiente para rodar vídeos, ou se cada pixel pode ser controlado de forma individual com precisão o suficiente para reproduzir imagens complexas. No momento, a equipe está procurando por parceiros para ajudar no desenvolvimento da descoberta.

Mesmo assim, a aplicação dessa nova tecnologia não deverá substituir as atuais telas dos smartphones — pelo menos não se depender dos cientistas que a descobriu. Entre os possíveis usos para a descoberta citados por eles estão a aplicação em prédios para a criação de enormes painéis para a exibição de propagandas ou para permitir trocar a cor das paredes sem a necessidade de pintura, ou mesmo a criação de roupas que permitam que o usuário se camufle no ambiente, que funcionaria de forma parecida à pele do camaleão.

Fonte: Gizmodo

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