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Análise | SSD Crucial P1 traz alto desempenho por preço justo

Por Sérgio Oliveira | 26 de Abril de 2019 às 18h32
Sergio Oliveira

Da última vez que analisamos um SSD no Canaltech, atualizamos um PC mundano, sem pretensões de ser um top de linha. O resultado foi surpreendente e o que vimos foi não só o surgimento de uma máquina nova diante dos nossos olhos, mas também o quanto a adoção do sistema de armazenamento correto afeta positivamente a produtividade e o desempenho de um PC que muitos acreditavam estar pedindo arrego. Mas e o que acontece com uma máquina com especificações mais parrudas quando ela recebe um SSD novo?

Foi o que fomos descobrir depois que recebemos o P1, o primeiro SSD NVMe fabricado pela Micron, e o Acer Nitro 5, notebook gamer intermediário da fabricante taiwanesa. Embora seja um PC atraente, com Core i7-7700HQ, GeForce GTX 1050 Ti e 16 GB de RAM, o Nitro 5 tem um grande defeito: ele vem com um disco rígido de 5.400 RPM — inclusive destacamos isso na nossa análise. Por isso, decidimos colocar o Crucial P1 no notebook para ver o quão comprometido estava seu desempenho por conta desse único componente e ver como o SSD lançado recentemente se saía.

O produto

Aos poucos a Micron, empresa proprietária da Crucial, vem fazendo seu nome e encontrando espaço no mercado brasileiro apostando em memórias e soluções de armazenamento que aliam bom desempenho e preço acessível para o consumidor doméstico. O P1, então, surge como a mais nova oferta da empresa para esse segmento, sendo o primeiro da marca com interface NVMe PCIe, que permite velocidades maiores de leitura e escrita.

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Outro diferencial do P1 é que ele é apenas o segundo SSD do mundo nesse segmento a utilizar tecnologia Quad-Level Cell (QLC) para armazenar mais bits em cada uma de suas células — o primeiro foi o Intel 660p. Na prática, a união dessas duas tecnologias se traduz em mais capacidade de armazenamento e mais desempenho por um preço mais acessível, justamente o mote dos produtos lançados pela Crucial de uns tempos para cá.

Apresentação do Crucial P1 é bastante básica, com caixa padrão, sem qualquer alarde ou alegoria espalhafatosa
Apresentação do Crucial P1 é bastante básica, com caixa padrão, sem qualquer alarde ou alegoria espalhafatosa (Foto: Sergio Oliveira)

Ao todo, dois modelos compõem essa nova linha de SSDs: um mais básico, com 500 GB de capacidade; e outro com 1 TB de capacidade. O Canaltech recebeu o primeiro deles para realizar esta análise.

Seguindo o padrão da companhia em ser discreta, a caixinha do produto não apresenta nenhuma firula, nem alardeia qualquer característica — embora valesse a pena destacar os cinco anos de garantia. Na parte de dentro, o dispositivo de 22m por 80 mm vem numa embalagem de plástico que o envolve e protege de impactos e dois pequenos papéis que deveriam fazer as vezes de manual, mas na verdade só direcionam o usuário para os sites com guias de instalação e migração de dados.

A instalação é bem simples, já que esse padrão de SSD só exige que você o espete na placa-mãe do seu PC (lembrando bastante o processo de instalação de um pente de memória RAM) e aperte um parafuso pequenino para fixá-lo ali.

Assim como qualquer SSD M.2 NVMe, instalação do Crucial P1 é extremamente fácil: basta espetá-lo na placa-mãe e pronto
Assim como qualquer SSD M.2 NVMe, instalação do Crucial P1 é extremamente fácil: basta espetá-lo na placa-mãe e pronto (Foto: Sergio Oliveira)

Especificações

Apesar de ser voltado para o público consumidor, o Crucial P1 tem especificações que o tornam extremamente atraente para quem busca por uma solução para fazer o PC voar. Além das características que já citamos, ele vem equipado com 512 MB de memória DRAM DDR3 e controlador SM2263, considerado o intermediário da atual geração de controladores da Silicon Motion. Graças a ele o SSD consegue atingir velocidades de leitura e escrita sequencial de até 2.400 MB/s e 1.700 MB/s, respectivamente, na versão de 1 TB.

O cache SLC é outra característica que contribui para o bom desempenho do produto. Com essa tecnologia, todos os dados são armazenados primeiro no cache antes de serem efetivamente escritos nos blocos QLC do SSD. O benefício disso é óbvio, com velocidade de escrita superior, mas há um efeito colateral: quando o cache de 50 GB é totalmente preenchido, a velocidade cai drasticamente para menos de 100 MB/s.

Também vale destacar a vida útil do P1, que começa em 100 TB de dados escritos no modelo de 500 GB e vai para 200 TB no modelo de 1 TB. Apesar de algumas pessoas poderem torcer o nariz para isso e considerar os valores baixos demais, é preciso ponderar duas questões. A primeira delas é que os dados divulgados oficialmente pelas fabricantes são, na maioria das vezes, bastante conservadores. Um estudo realizado pelo The Tech Reporter há bons cinco anos mostram que, já naquela época, muitos SSDs que tinham vida útil estimada em 20 TB sobreviveram a até 700 TB de dados gravados antes de começarem a apresentar defeito. Com a evolução das tecnologias de armazenamento, isso certamente melhorou bastante.

Crucial P1 alia tecnologias que barateiam o produto ao mesmo tempo que o tornam extremamente rápido para o público consumidor
Crucial P1 alia tecnologias que barateiam o produto ao mesmo tempo que o tornam extremamente rápido para o público consumidor (Foto: Sergio Oliveira)

A outra questão é que 100 TB é bastante coisa para o público-alvo do P1, que majoritariamente deve utilizar o computador para navegar na internet, baixar arquivos multimídia e, no máximo, instalar um jogo e outro. Portanto, apesar do alarde que pode ser visto por aí, fique tranquilo: este SSD vai segurar bem o tranco.

SSD Crucial P1
Especificação 500 GB 1 TB
Interface NVMe 1.3 PCIe 3.0 x4
Controlador Silicon Motion SM2263
NAND Flash Micron 64L 3D QLC NAND
DRAM 512 MB DDR3 1 GB DDR3
Leitura sequencial 1.900 MB/s 2.000 MB/s
Escrita sequencial 950 MB/s 1.700 MB/s
Leitura aleatória 90k IOPS 170k IOPS
Escrita aleatória 220k IOPS 240k IOPS
Cache SLC de escrita 5 GB (mínimo)
50 GB (máximo)
12 GB (mínimo)
100 GB (mínimo)
Vida útil 100 TB 200 TB
Garantia 5 anos

Prova de fogo

Muito bem, agora que já falamos do P1 e suas principais especificações, é hora de conferir como ele se comporta no uso diário. Vale lembrar que o foco desta análise é observar o ganho de desempenho que o SSD da Micron traz para um notebook gamer que veio de fábrica com um HDD que limitava seu desempenho.

Com isso em mente, a máquina em que os testes foram executados possui as seguintes especificações:

  • Processador: Intel Core i7-7700HQ
  • Memória: 1 x 16 GB SK Hynix DDR4-2400
  • GPU 1: Intel HD Graphics 630
  • GPU 2: Nvidia GeForce GTX 1050 Ti
  • HDD: Western Digital WD10SPZX 1 TB
  • SO: Windows 10 x64 1809

A primeira onda de testes ocorreu com o BootRacer e envolveu a cronometração do tempo de boot dessa máquina, algo que incomodava desde a primeira inicialização depois que ela saiu da caixa. Primeiro, fizemos a aferição de uma inicialização fria, quando o computador está desligado, utilizando o disco rígido que veio instalado no PC. Nesse cenário, o computador levou, em média, exatamente dois minutos e 16 segundos para ligar e ficar pronto para uso.

Também testamos quanto tempo levava todo o processo de reinicialização do computador depois de ele estar pronto para uso. Nesse caso, o resultado não foi tão melhor assim e ele levou, em média, dois minutos para reiniciar completamente.

Perceba que temos em mãos um notebook gamer com um conjunto de componentes relativamente poderosos e que normalmente não são encontrados em computadores básicos. Vê-lo levar dois minutos para iniciar e reinicializar é, no mínimo, estranho e pode causar uma certa frustração, não é mesmo?

Seja vindo de um HDD ou de um SSD antigo, o usuário perceberá de imediato a principal característica do Crucial P1: sua velocidade
Seja vindo de um HDD ou de um SSD antigo, o usuário perceberá de imediato a principal característica do Crucial P1: sua velocidade (Foto: Sergio Oliveira)

Para tirar isso a limpo, instalamos o SSD Crucial P1 para ver quão rápido o notebook passaria por esses dois processos. No primeiro deles, o tempo de inicialização despencou para apenas 39 segundos; no segundo, a reinicialização levou apenas 22 segundos — um ganho de desempenho de até 81%.

A segunda rotina de testes envolveu uma tarefa rotineira a todos nós: a cópia de um arquivo. Com 10 GB, o arquivo foi copiado em quatro cenários específicos: do HDD para o SSD, do SSD para o HDD, do HDD para o HDD e do SSD para o SSD. Com isso, cobrimos todas as situações possíveis a que um dispositivo de armazenamento é submetido diariamente e ainda conseguimos aferir o desempenho deles em escrita de dados, leitura de dados e escrita e leitura simultaneamente.

A cópia do arquivo do disco rígido da Western Digital para o P1 levou um minuto e 42 segundos a 101 MB/s, enquanto o caminho inverso tomou um minuto e 31 segundos a uma velocidade média de 113 MB/s. O ganho, nesse caso, foi de apenas 10,7%, muito pouco devido, principalmente, ao desempenho do disco rígido.

A diferença de verdade pode ser vista nos dois outros testes. A cópia do arquivo de 10 GB do HDD para ele próprio levou três minutos e 23 segundos, com transferência média de 50 MB/s. Já o Crucial P1 foi capaz de fazer essa mesma operação em míseros 22 segundos e a uma velocidade média de 479 MB/s — ganho de cerca de 90%.

Avançando nos testes, utilizamos o ATTO Disk Benchmark, um aplicativo bastante conhecido quando se quer testar o desempenho de discos rígidos, SSDs e RAIDs. Ele realiza a transferência de arquivos de tamanhos diferentes, utilizando dados compreensíveis e sequenciais, e mede a velocidade dessa transmissão para termos uma ideia da velocidade máxima teórica que o dispositivo de armazenamento pode alcançar.

Dito isso, o que obtivemos nos testes foi o seguinte:

  • Velocidade máxima de leitura: 1.780 MB/s
  • Velocidade máxima de escrita: 935,16 MB/s
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Para efeito de comparação, também fizemos o mesmo teste com o Western Digital que veio instalado de fábrica no notebook. O resultado foi o seguinte:

  • Velocidade máxima de leitura: 120,9 MB/s
  • Velocidade máxima de escrita: 116,14 MB/s
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A diferença de desempenho é abismal e escancara o quão obsoleto os dispositivos mecânicos de armazenamento estão ficando em relação a drives de estado sólido como o Crucial P1, que supera até mesmo o Crucial MX500 — este apresentou velocidades máximas de leitura e escrita de 563 MB/s e 514 MB/s, respectivamente.

Outro teste automatizado de cópia de arquivos foi feito com o Crystal Disk Mark, que simula um cenário de uso cotidiano mais real utilizando dados incompreensíveis, sequenciais e aleatórios de tamanhos diferentes, fazendo de uma ou mais threads do computador. Nesse caso, o que obtivemos para o Crucial P1 foi o seguinte:

  • Velocidade máxima de leitura (sequencial e 1 thread): 1.929 MB/s
  • Velocidade máxima de leitura (não sequencial e 8 threads): 362,4 MB/s
  • Velocidade máxima de escrita (sequencial e 1 thread): 362,4 MB/s
  • Velocidade máxima de escrita (não sequencial e 8 threads): 278,4 MB/s
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Mais uma vez, a diferença em relação ao disco rígido mecânico da Western Digital é gigantesca:

  • Velocidade máxima de leitura (sequencial e 1 thread): 100,2 MB/s
  • Velocidade máxima de leitura (não sequencial e 8 threads): 0,754 MB/s
  • Velocidade máxima de escrita (sequencial e 1 thread): 116,5 MB/s
  • Velocidade máxima de escrita (não sequencial e 8 threads): 1,717 MB/s
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O novo SSD da Micron também se destaca em relação ao MX500, lançamento anterior da marca, que obteve velocidades máximas de leitura e escrita de 561 MB/s e 510,8 MB/s.

Neste ponto da análise, é possível afirmar que a grande diferença de desempenho do Crucial P1 em relação ao disco rígido mecânico e ao SSD Crucial MX500 ocorre, sobretudo, devido à eficiência do cache SLC utilizado pelo produto. Na ficha técnica do equipamento, a Micron afirma que o modelo de 500 GB que o Canaltech recebeu é capaz de alcançar velocidades de leitura de até 1.900 MB/s e de escrita de até 950 MB/s, ambas atingidas com sucesso.

Apesar disso, essa tecnologia causa um efeito colateral indesejado. Explico melhor: memórias cache (como a RAM do seu computador) têm velocidades de acesso extremamente altas e isso foi trazido para os SSDs, que as implementam de maneiras diferentes. O padrão utilizado pelo P1 é o SLC, que trata de garantir máximo desempenho assim que é acionado e até onde aguentar.

No modelo de 500 GB que o Canaltech recebeu, esse limite é de 50 GB. Isso significa que se você tentar escrever um arquivo de até 50 GB no SSD de uma só vez, ele vai segurar a onda tranquilamente e apresentar as taxas de transferência que os testes indicaram aqui. Porém, digamos que esse arquivo é de 60 GB: nesse caso, o SSD segue a transferência normalmente até completar os 50 GB; depois, o cache "estoura" e os 10 GB restantes têm de ser escritos diretamente nos blocos QLC do hardware, que não são tão ágeis assim e fazem a transferência cair para menos de 100 MB/s — quase um disco rígido.

Outro ponto que merece atenção é que esse cache vai "encolhendo" à medida que mais espaço é ocupado no SSD, podendo chegar ao mínimo de 5 GB. Nesse caso, o usuário perceberá uma lerdeza cotidiana, sobretudo se trabalhar com arquivos maiores que isso. A alternativa, então, é fazer uma limpa no dispositivo, seja apagando arquivos não utilizados ou transferi-los para uma outra unidade de armazenamento para liberar espaço e aumentar o cache.

Esse "transtorno" poderia ser evitado? Sim. Bastaria adotar uma tecnologia diferente de cache, como a MLC ou TLC, que, para encurtar a história, sacrificam um pouco de desempenho para mitigar problemas de cache cheio. Todavia, é preciso ter em mente a proposta da Micron com o Crucial P1: ser um SSD acessível e com o melhor desempenho possível. Optar por outro tipo de cache, então, comprometeria esse mote e faria o P1 ficar atrás de seus concorrentes.

Toda essa explicação talvez também sirva para compreendermos melhor o escore alcançado pelo P1 nos testes realizados no PCMark. O programa executa uma bateria de tarefas complexas para simular o uso de jogos e softwares famosos como o Adobe Photoshop e After Effects, além do Microsoft Office, de forma automatizada. Ao fim, ele atribui uma de desempenho ao componente.

Nos testes realizados pelo Canaltech o Crucial P1 obteve nota 4825, mais que o dobro dos 2202 pontos marcados pelo disco rígido padrão do notebook gamer. Para nossa surpresa, porém, o escore foi inferior ao do MX500, que somou 4941 pontos — o que pode ser explicado justamente pela falta de "molejo" do P1 em lidar com arquivos grandes demais (ele sofreu para rodar os testes de World of Warcraft e Battlefield 3, também demorando demasiadamente para concluir os testes pesados do Adobe Photoshop).

Teste de benchmark do PCMark mostra que drive da Micron oferece, em pontuação, mais que o dobro de desempenho em notebook gamer (Caputra de tela: Sergio Oliveira)

Mas e aí, vale a pena?

Falamos em características, especificações e desempenho. Mas agora o que você provavelmente quer saber é se vale a pena comprar o Crucial P1. Antes de darmos um veredito, é importante relembrar mais uma vez a proposta da Micron com esse produto: ser um SSD acessível e de alto desempenho para o público consumidor.

Com isso em mente, vamos falar de preços. O Crucial P1 pode ser encontrado no varejo brasileiro por a partir de R$ 550 na versão de 500 GB de capacidade. Curiosamente, a versão de 1 TB não está disponível em nenhuma loja oficial, mas aparece à venda no mercado cinza por a partir de R$ 830.

Os valores são atrativos e competitivos se levarmos em consideração que o Intel 660p, seu concorrente direto, sai por a partir de R$ 540 na versão com 500 GB, e opções mais lentas, como o próprio MX500, beiram os R$ 500. Obviamente, há opções com melhor desempenho disponíveis no mercado, mas elas podem custar pequenas fortunas e espantar os consumidores que não sejam profissionais ou corporativos.

Dito isso, o Crucial P1 cumpre com a promessa da Micron de ser um SSD veloz e com um bom custo-benefício, destinado não só a quem quer fazer um upgrade de desempenho significativo saindo dos tradicionais e cada vez mais defasados discos rígidos, como também de outros modelos de SSD mais antigos.

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