AMD Zen tem novos detalhes vazados. Mais rápido do que o Broadwell-E? (Parte 2)

Por Pedro Cipoli | 25.08.2016 às 21:51

A primeira parte desse texto tinha uma montanha e um vale de otimismo. A montanha mostrava que os 2% de desempenho extra em relação Broadwell-E são muito mais significativos do que parece, em especial por (parecer) mostrar que a AMD conseguirá entregar o que está prometendo há tanto tempo com o Zen. O vale é composto por várias questões, já que, na melhor das hipóteses, trata-se de apenas um benchmark. Ou seja, algo longe de mostrar o que o Zen é capaz de forma inquestionável, já que ele deve se mostrar bom em todas as aplicações possíveis.

Mais questionamentos. Como serão as respostas?

Continuando a falar do que não foi dito, não podemos deixar de questionar qual é a TDP da amostra de engenharia utilizada pela AMD. Não é algo que a Intel tenha tanta preocupação assim com a sua linha Extreme, já que o público-alvo não está lá muito preocupado com o consumo energético. Ou com a TDP. Mas é, certamente, uma preocupação para o público não entusiasta, em especial para aqueles que não querem se preocupar com essas coisas e sim em ligar e começar a usar a máquina.

AMD Zen

Questionamos isso exatamente pelo que dissemos na primeira parte: fabricantes costumam montar cenários onde os seus produtos se destacam em todos os fatores. Ou, pelo menos, na maioria deles. Em outras palavras, como as especificações dos modelos oficiais Zen ainda não foram liberadas, é difícil saber qual é a TDP e o consumo energético do modelo testado. Se ambas forem maiores do que as do Broadwell-E (que são altas), certamente tirariam um pouco do brilho da competitividade entre ambos. Se forem menores, esses 2% de diferença são ainda mais significativos.

Se formos levar em consideração os teasers liberados pela própria AMD, o mais provável é o segundo caso. Aliás, trata-se de um gráfico bem interessante, já que a empresa faz questão de informar que o IPC ficou 40% mais eficiente do que a geração anterior e que a sua eficiência energética aumentou. Ao mesmo tempo. Geralmente empresas anunciam "até 10% mais potente" e "até 7% mais energeticamente eficiente", mas em situações diferentes. Um "ou" implícito, mas existente.

Coolers box novos

Se há algo que a AMD precisa melhorar e muito – há bastante tempo, diga-se de passagem – é o seu cooler box. Barulhento, ineficiente, feio e de baixa qualidade: quatro dos principais defeitos deles sem nos estendermos demais. Quem já utilizou um FX de alto desempenho (série 8000) ou mesmo um Phenom ou Phenom II com o cooler box em jogos mais pesados sabe disso. Não há gabinete que tenha isolamento acústico o suficiente para não transformar os quatro em caso de polícia.

AMD Zen

Esse cooler padrão é um desperdício de alumínio.

Pois bem, esse parece ser um problema realmente resolvido. A bancada de testes utilizava dois coolers: o Wraith, capaz de lidar com até 125 watts de TDP), e uma versão (bem) mais silenciosa, voltada para modelos de até 95 watts de TDP. São exatamente as mesmas TDPs dos processadores "normais" (entenda-se: não-entusiastas) da linha atual da AMD e também da Intel. Considerando que a AMD costuma usar coolers acima da capacidade em seus modelos para o usuário final (um modelo de TDP de 95 watts vem com um cooler de 125 watts), só podemos esperar o melhor.

AMD Zen

Nas demonstrações feitas pela AMD, os coolers utilizados são os novos box. Ou seja, devem rodar bem mais frios.

E, claro, como a AMD não vai querer fazer feio com o Zen, que já foi atrasado diversas vezes, provavelmente serão esses dois coolers que virão por padrão quando ele chegar ao mercado.

Novidades interessantes, mas principalmente duas

Há uma boa quantidade de detalhes liberados sobre o Zen, mas duas delas são confirmadas e, por si só, já são novidades consideráveis em relação ao Bulldozer. A primeira delas é o SMT (Simultaneous Multithreading) – também conhecido como Hyperthreading nos processadores Intel – que permitirá a execução de duas instruções repetidas como se fossem uma. A eficiência do SMT varia conforme a tarefa executada, trazendo um ganho médio de 20% a 30% na maioria das situações, e corrige a principal falha do Bulldozer.

AMD Zen

O Zen mira diretamente na linha Extreme mais re3cente da Intel

O grande problema do Bulldozer desde 2011 é usar módulos que compartilham certos componentes internos entre dois núcleos. Cada módulo contava com estes dois núcleos, cada um deles capaz de operar de forma independente, mas por contarem com somente uma FPU (Float Point Unit), por exemplo, acabam não correspondendo ao desempenho esperado de sua ficha técnica. Não raro, CPUs de oito núcleos da série FX-8000 perdiam para o Core i5 da Intel mesmo contando com o dobro de núcleos e um clock maior.

AMD Zen

Troca-se módulos por cores mais potentes com SMT.

A adoção do SMT, algo esperado há tempos, pode resolver isso, algo focado em melhorar a eficiência single-core do Zen. O segundo ponto é a redução da litografia pela metade. Com um processo de fabricação de 14 nanômetros (contra 28 nanômetros da geração atual), a AMD pode se dar ao luxo de usar mais transistores. Mesmo que a arquitetura fosse a mesma (e não é), isso já permitiria que essas CPUs operassem como mais instruções por ciclo, mesmo que a frequência seja a mesma da geração anterior. Além de, claro, ser possível aumentar a frequência de operação e necessitar de menos energia para funcionar.

AMD Zen

Os módulos da AMD, o calcanhar de Aquiles do Bulldozer.

Juntando o SMT e a litografia menor com o fato de que o Zen usará o soquete AM4, que é compatível com memória DDR4, é realmente difícil não esperar um bom desempenho extra nessa geração. Memórias mais rápidas e modernas ajudam o processador a alcançar melhores resultados mesmo que todo o resto continue o mesmo, então, fora a mudança de arquitetura (que traz uma melhoria na organização das caches, inclusive), essas duas melhorias mais o suporte a novas memórias nos fazem acreditar que, independentemente de testes "tunados", a AMD será realmente capaz de entregar o que está anunciando há tempos.

Conclusão

Já temos um prazo para ver o Zen: o primeiro trimestre de 2017. Será uma reviravolta por parte da AMD? A empresa não consegue concorrer com a Intel no segmento de desempenho extremo há anos, e realmente esperamos que sim. Não podemos deixar de considerar que o Bulldozer também tinha um enorme hype em torno dele antes de chegar ao mercado, e acabou se mostrando bem inferior às expectativas. As primeiras gerações perdiam, inclusive, para a geração anterior da própria empresa (Phenom II) em diversas situações, mesmo contando com uma litografia menor e uma nova arquitetura. Então, todo cuidado é pouco.

Aliás, foi nessa época que a Apple assumiu a liderança em definitivo, em especial por anunciar seus primeiros modelos de 6 núcleos (o 980X e o 990X) em um total de 12 threads, estes sem qualquer concorrência por parte da AMD. Isso afetou o mercado como um todo, já que enquanto a AMD era obrigada a cortar seus preços em relação aos modelos da Intel, esta passou a ter a liberdade de cobrar o quanto bem entendesse nos seus modelos mais velozes, chegando ao absurdo de US$ 1.700 no Core i7-6950X, além de oferecer cada vez menos inovações a cada geração.

Torcemos pelo sucesso da AMD não por uma questão de preferir uma empresa ou outra, mas sim porque o Zen, se oferecer tudo o que está prometendo, pode finalmente trazer de volta a concorrência no segmento de CPUs, resultando em produtos melhores e mais baratos como um todo. E bem que esse segmento está precisando disso.

Com informações: Anandtech, WCCFtech