AMD FX, A, Athlon, Phenom: entenda a nomenclatura e qual é o ideal para você

Por Sérgio Oliveira

Os tempos em que montar um computador era uma tarefa simples, bastando rápidas pesquisas online para saber qual o melhor processador, a melhor placa-mãe e a melhor GPU, ficaram para trás já tem algum tempo. Atualmente, temos à nossa disposição um leque gigantesco de opções para atender a todo tipo de público, desde os que têm pouco dinheiro para montar uma máquina do zero até os que têm dinheiro rodado e querem adquirir o PC mais potente do mercado.

Um reflexo direto disso é a grande variedade de processadores nas prateleiras de lojas especializadas. Tamanha diversidade é algo positivo, mas exige que o departamento de marketing das fabricantes se desdobrem para explicar ao consumidor o que cada modelo tem - o que nem sempre (na verdade, nunca) fica claro. E é nesse momento que surge a dúvida: qual modelo comprar? E, mais do que isso, o que raios a nomenclatura deles quer nos dizer? FX, A, Athlon, Phenom? O que é isso?

Antes de você gritar por socorro, estamos aqui para acudi-lo nessa difícil tarefa. No artigo de hoje, vamos destrinchar os processadores da AMD e decifrar a nomenclatura deles para que você faça uma compra consciente e leve para casa exatamente aquilo que precisa. Relaxe na cadeira, prepare a rodinha do mouse e embarque conosco nesta aventura.

Por que AMD e não Intel?

A primeira dúvida que surge na cabeça de alguém que está à procura de um novo processador certamente é qual marca escolher: AMD ou Intel? É inegável que a Intel é a líder do mercado e isso se deve muito ao fato de a empresa disponibilizar processadores que atendem a todo tipo de público, desde os que procuram por algo mais básico até profissionais dos mais variados ramos que exigem mais do computador do que qualquer pessoa.

A AMD, por outro lado, concentra seus esforços para agradar a um público de entrada até a um nível intermediário para alto. Devido a essa filosofia, a companhia ficou conhecida por oferecer boas soluções a preços inferiores em comparação à Intel.

Uma das dúvidas mais clássicas que todos que montam um PC se fazem: AMD ou Intel?

Uma das dúvidas mais clássicas que todos que montam um PC se fazem: AMD ou Intel? (Imagem: Reprodução)

Portanto, se você está com o orçamento apertado e à procura de um novo processador com um bom custo-benefício, os da AMD podem ser a solução.

Ciente dessa diferença básica entre as duas marcas e decidido a seguir adiante com os modelos da AMD, precisamos falar sobre os diferentes tipos de chip que a companhia oferece.

CPU vs APU

Na tentativa de diferenciar seus processadores da concorrência, a AMD acabou criando dois tipos diferentes de chips. Há as chamadas CPUs, que nada mais são do que chips convencionais, e há as chamadas APUs, ou "Accelerated Processing Units". Apesar do termo sofisticado, estamos falando aqui de chips processadores que vêm com gráficos integrados - algo que a Intel faz sem alarde com o HD Graphics, Iris e Iris Pro na linha Core i.

Outra diferença é que as CPUs geralmente têm mais poder de fogo que as APUs e todas vêm desbloqueadas, sendo possível fazer overclock. Apesar disso, todas elas exigem a instalação à parte de uma placa gráfica nem que ela seja das mais básicas. Em contrapartida, as APUs não exigirão que o usuário instale uma GPU separada, já que toda a tarefa de processamento gráfico será executada pelo SoC. Em relação ao overclocking, modelos desbloqueados vêm com isso explícito em sua nomenclatura.

Essas são informações importantes que não estão postas de maneira clara, o que pode acabar rendendo uma boa dor de cabeça aos mais desavisados. Portanto, esteja ciente dessas diferenças na hora da compra.

Linha FX (CPU)

A linha FX reúne o que de melhor a AMD pode oferecer ao usuário em matéria de poder de processamento. Estamos falando aqui de chips intermediários para topo de linha que mais se aproximam das opções top de linha da Intel. São CPUs que atendem bem um público com exigência moderada para alta e que têm um ótimo custo-benefício.

Atualmente, a AMD trabalha com três séries nesta linha de processadores: a 4000, a 6000 e a 8000. Respectivamente, elas correspondem a séries de entrada, intermediária e topo de linha.

Os da série 4000 são os mais básicos da linha FX e podem ser encontrados por a partir de R$ 389 no varejo nacional. Embora venham com quatro núcleos rodando a até 4 GHz, os processadores dessa série, na prática, se equiparam aos Core i3 de primeira e segunda geração da Intel. Portanto, estamos falando de chips voltados para tarefas básicas e para gente pouco exigente.

A série 6000 é voltada especificamente para o público intermediário, com CPUs partindo de R$ 460 no varejo nacional e vindo com seis núcleos de processamento rodando a até 4,1 GHz. Aqui estão chips com mais memória cache L2 e L3 e que empregam a tecnologia HyperTransport da AMD. Com ela, o processador é capaz de se comunicar em alta velocidade diretamente com outros componentes da placa-mãe, agilizando as transferências de memória e de entrada/saída do barramento, aumentando o desempenho geral do PC.

Os modelos da série FX 8000 são considerados os top de linha da AMD, com poder de processamento equiparável a alguns Core i7 da Intel

Os modelos da série FX 8000 são considerados os top de linha da AMD, com poder de processamento equiparável a alguns Core i7 da Intel (Imagem: Reprodução / TechteamGB)

Finalmente, os processadores da série 8000 representam o que há de melhor em matéria de processamento na atualidade. Com algum esforço, é possível encontrar modelos de oito núcleos custando a partir de R$ 520 no varejo nacional. Opções mais avançadas voltadas para gamers e editores de vídeo custam por volta de R$ 900 e vêm com 16 MB de cache, podendo atingir até 4,3 GHz de clock.

À parte disso tudo, os insatisfeitos podem querer dar uma olhada no FX 9590, que destoa das séries anteriores e foi colocado em uma só sua. Aqui o usuário encontrará um chip com oito núcleos que podem rodar a até 5 GHz, 16 MB de cache e poder de fogo de sobra para transformar qualquer máquina em uma potência multimídia. Tudo isso, porém, vem com dois contratempos: os preços partem de R$ 1.099 e o chip tem TDP de 220W, o que demanda um sistema de refrigeração robusto e uma senhora fonte de energia. Portanto, caso opte pelo FX 9590, saiba que terá de investir em mais duas coisas.

Agora que você conhece a linha FX e as séries que a compõem, vale destacar que todos esses processadores exigem uma placa-mãe com soquete AM3+. Além disso, não se esqueça que eles não têm GPU integrada; logo você terá de comprar uma caso ainda não tenha.

Como funciona a nomenclatura?

Os modelos da linha FX seguem um padrão de nomenclatura que dizem muito sobre a CPU que você está querendo comprar. Para não levar gato por lebre, o ideal é ficar atento a como tudo isso funciona.

Tome por exemplo o FX 8370 e confira o que seu nome diz sobre ele na tabela abaixo:

Linha do modelo Série Geração SKU
FX 8 3 70
  • Série: Denota a quantidade de núcleos que um modelo em particular possui. Portanto, um FX 8*** terá oito núcleos, enquanto um FX 6*** terá seis e assim sucessivamente. A exceção é a série FX 9***, que vem com oito núcleos e não nove;
  • Geração: Quanto maior este número for, mais nova será a geração do processador. Por exemplo, um FX 8370 é mais novo que um FX 8170;
  • SKU: Número que serve para comparar o desempenho de processadores numa mesma série e geração. Quanto maior ele for, mais desempenho o chip entregará ao usuário. Por exemplo: um FX 8370 tem desempenho superior a um FX 8320.

Série A (APU)

Deixando os usuários mais exigentes de lado e mirando num público que busca economia, a AMD criou a série A de APUs. De maneira geral, aqui estão processadores de desempenho intermediário e que já vêm com uma GPU modesta embutida.

Graças a essa característica, usuários que buscam poupar na aquisição de um processador por saberem que só vão executar tarefas básicas, como assistir a vídeos e acessar a internet, encontram a opção ideal aqui. Afinal de contas, só é preciso desembolsar uma vez para ter um chip híbrido com CPU e GPU.

Agora se você busca cortar custos na construção de uma máquina para rodar games, esteja avisado que até os modelos top de linha dessa série só conseguem lidar com jogos com configurações simples. Para extrair o máximo deles, você ainda terá de adquirir uma placa de vídeo separadamente.

Os processadores da Série A já vêm com gráficos integrados e miram um consumidor que busca uma relação custo-benefício maior

Os processadores da Série A já vêm com gráficos integrados e miram um consumidor que busca uma relação custo-benefício maior (Imagem: Reprodução / AMD)

Sabendo disso tudo, é chegada a hora de pesquisar pelo modelo que melhor atenderá às suas necessidades. Ao todo, a AMD disponibiliza quatro linhas na Série A, que equipam desde computadores extremamente básicos a intermediários capazes de rodar alguns jogos.

A linha A4 é a mais básica de todas, com APUs equipadas com processadores de apenas dois núcleos e 1 MB de cache custando a partir de R$ 150 - uma pechincha!

As opções da linha A6 também vêm com apenas dois núcleos de processamento, embora as GPUs sejam ligeiramente melhores - mas nada surpreendente. A entrega continua sendo básica, com modelos custando a partir de R$ 240.

Os modelos da linha A8, por sua vez, já vêm com quatro núcleos de processamento e GPUs mais interessantes. Nesta linha estão o que podemos chamar de opções intermediárias dentro da proposta da série, com CPUs com clock de até 3,9 GHz, 4 MB de cache e custando a partir de R$ 370.

Finalmente, os A10 são o topo de linha dentro da Série A. Aqui estão APUs quad-core rodando a até 4,3 GHz e com 4 MB de cache por preços razoáveis que partem de R$ 680. São os modelos desta linha os recomendados para quem exige mais do PC e utiliza a máquina para jogar títulos nem tão novos.

Se a Série A lhe parece interessante, procure por placas-mãe com soquete FM2+, o padrão para todos os modelos desta série. Perceba que as placas-mãe para a linha FX não servirão aqui, nem vice-versa.

Como funciona a nomenclatura?

Para fazer uma compra certeira, é importante ficar atento à nomenclatura da Série A da AMD. Com ela, a fabricante nos indica a linhagem do processador, sua geração, desempenho e se ele é passível de overclocking ou não.

Tomemos por exemplo o badalado A10 7890K. Seu nome indica o seguinte:

Linha do modelo Geração SKU Sufixo
A10 7 890 K
  • Linha: Na série A, os processadores são classificados em A4, A6, A8 e A10. Quanto maior o número, mais desempenho a APU entregará;
  • Geração: Quanto maior esse número, mais nova será a geração do modelo;
  • SKU: Número que indica qual APU tem o melhor desempenho e especificações numa mesma linha. Por exemplo, o A10 7890K é melhor que o A10 7870K e assim por diante;
  • Sufixo: Diferentemente da Intel, os processadores da AMD não têm tantos sufixos. Aqui, os únicos existentes são o K e o M. O primeiro indica uma APU passível de overclocking - a ausência dele, portanto, indica um processador bloqueado. Já o último indica uma APU construída especificamente para notebooks.

Athlon e Sempron (APU)

A linha FX e a Série A reúnem o que a AMD tem de melhor no mercado de microprocessadores, mas ainda há opções ainda mais baratas disponíveis. Estamos falando dos processadores da família Athlon e Sempron, que compõem a chamada Plataforma AM1.

Tratam-se de opções de baixíssimo custo (partem de R$ 125), que consomem pouquíssima energia e entregam desempenho suficiente para quem quer um computador para fazer apenas o básico do básico. Também colabora o fato de as placas-mãe com soquete AM1 custarem menos de R$ 200.

Os AMD Athlon X4 fogem da regra da família, entregando mais poder de processamento e sacrificando os gráficos integrados. Usuário têm de adquirir placa gráfica fora a parte

Os AMD Athlon X4 fogem da regra da família, entregando mais poder de processamento e sacrificando os gráficos integrados. Usuário têm de adquirir placa gráfica fora a parte (Imagem: Reprodução / Redhunomt)

Em relação à nomenclatura, não tem mistério: quanto maior for o número do modelo, mais desempenho ele entregará. E, via de regra, os Athlon são melhores que os Sempron, já que estes raramente passam dos 2 GHz de clock.

Mas como toda regra tem uma exceção, aqui não seria diferente. Fique atento a modelos Athlon mais avançados, como o recente X4 870K, que não vêm com gráficos integrados e exigem soquete FM2+ - os mesmos da Série A.

Phenom (CPU)

Finalmente, a família Phenom é a mais antiga da AMD que ainda circula por aí. Embora tenha sido lançada no já longínquo ano de 2007, essa família traz processadores quad-core (Phenom X4) com clock de até 2,5 GHz.

Por se tratarem de modelos antigos, o consumo de energia é bastante elevado, até mesmo nos modelos com o sufixo "E", que indica maior eficiência no quesito.

Pode ser indicado para quem procura peças legadas para de repente montar uma central multimídia, embora já não esteja disponível em lojas do ramo.

Comparativo

Em suma, e maneira bastante genérica, podemos definir os seguintes perfis de consumo para cada tipo de processador:

  • Linha FX: embora tenha modelos de entrada, é indicada para indivíduos que procuram desempenho acima de tudo. São os modelos mais caros da AMD e exigem a instalação de uma placa de vídeo independente, pois não trazem gráficos integrados. Gamers e profissionais devem optar pela Série FX 8*** ou FX 9***.
  • Série A: família que engloba tanto processadores básicos quanto intermediários. Recomendada para quem procura um custo-benefício maior, já que os chips vêm com gráficos integrados capazes de, em alguns casos, dar conta até mesmo de jogos.
  • Athlon/Sempron: modelos mais modestos disponíveis no mercado, indicados apenas para quem procura cortar os custos da montagem de um PC ao máximo. Opção para quem quer executar o básico do básico, como editar textos e navegar na internet.
  • Athlon X4: modelo que foge à regra da família AM1. Indicado para quem busca performance a preços mais baixos. Fica entre os modelos da linha FX e os da Série A.
  • Phenom: modelos datados, já fora do mercado, indicados apenas para montagem de hubs multimídia, já que oferecem bastante poder de fogo às custas de um elevado consumo de energia.

Como fazer a escolha certa?

Diferentemente do que acontece com os processadores da Intel, que têm inúmeros modelos e uma variedade absurda de recursos, os da AMD são modestos até mesmo na quantidade de "extras" que oferecem. Portanto, arriscamos a dizer que basta ter uma boa noção das suas necessidades enquanto usuário para cravar com relativa certeza qual processador deve ser comprado.

Entretanto, é necessário analisar caso a caso e levar em consideração questões orçamentárias na hora da compra. O que fizemos aqui foi falar das principais características dos processadores da AMD, mas ainda há bastante coisa a ser explorada e investigada. Portanto, conheça bem quais são suas necessidades, qual seu perfil de usuário, tenha em vista pelo menos dois modelos e os compare com afinco antes de decidir qual merece ser levado para casa. Em seu site (apenas em inglês), a AMD disponibiliza tabelas comparativas com os recursos de todos os seus microprocessadores.

E você? É usuário de processadores AMD? O que acha deles? Quais dicas têm para quem está procurando uma solução da fabricante? Deixe sua opinião na caixa de comentários aqui embaixo, participe!

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