Tudo o que você precisa saber sobre SATA Express

Por Pedro Cipoli | 18 de Março de 2014 às 18h38

Conforme os discos rígidos foram evoluindo, o antigo padrão PATA (Parallel ATA) se tornou um enorme gargalo no computador moderno, sendo substituído aos poucos pelo atual padrão SATA. Este também evoluiu ao longo de três versões, que basicamente são atualizações de velocidade (1,5 Gbps, 3,0 Gbps e 6,0 Gbps), recebendo novos recursos como o AHCI (Advanced Host Control Interface), que suporta Hot Swapping, múltiplas threads (ainda que de uma forma bem primitiva) e o NCQ (Native Command Queuing – segue a melhor sequência de comandos ao invés dos solicitados pelo usuário), fatores que, juntos, melhoraram significativamente o desempenho dos HDs, mas ainda assim não foram capazes de acompanhar a evolução dos SSDs.

De uma forma relativamente lenta, os SSDs estão ficando mais rápidos e consideravelmente mais acessíveis para o usuário final, o que criou a demanda por um novo padrão, no caso o SATA Express. Ele é basicamente a união do atual padrão SATA com o PCI Express (utilizado para conectar as placas de vídeo atuais), unindo vantagens de ambos: mais velocidade (PCI Express) e compatibilidade (SATA). Mais rápido quanto? Bom, utilizando o PCI Express 2.0 é possível alcançar velocidades de até 800 MB/s, o que resolve momentaneamente o gargalo dos SSDs atuais, já que o padrão SATA III suporta no máximo 550 MB/s.

NVMe 01

Mas estes são valores do PCI Express 2.0. Modelos mais atuais incluem o padrão PCI Express 3.0, o que aumenta o valor de transferência máxima para até 1,6 GB/s, segundo o ExtremeTech (apenas como nota: no site está escrito 1600 GB/s, mas está incorreto). Impressionante, não? Mas antes de ficarmos muito felizes com esse valor, só é possível alcançá-lo utilizando todas as linhas PCI Express, mesmo as que seriam utilizadas pela placa de vídeo – mesmo assim, o SATA Express mostra seu potencial para atender a demandas futuras.

Outra mudança esperada é a substituição do AHCI pelo NVMe (Non-Volatile Memory Express), que oferece um ganho de desempenho considerável para SSDs. Esse padrão permite tempos de acesso consideravelmente menores, mais estágios de comandos em espera, múltiplas threads e capacidade de leitura/escrita pararelizada, recursos que beneficiam os discos sólidos de uma forma brutal, tornando-os mais "inteligentes", por assim dizer. O SATA Express suporta tanto AHCI quando o NVMe.

NVMe 02

O segundo ponto interessante é a compatibilidade com os padrões SATA mais antigos, da mesma forma que conectores SATA III são compatíveis com discos SATA I e SATA II. Isso significa que quando esse padrão se tornar comum, provavelmente somente em 2015 ou 2016, os usuários não precisarão necessariamente trocar seus discos e SSDs antigos, já que o protocolo de comunicação é o mesmo. Ao ser oficializado, ele ainda precisa ser integrado nos chipsets dos principais fabricantes, como Intel e AMD, o que pode demorar mais algum tempo.

Tanto o SATA III quanto o USB 3.0 estão atendendo muito bem até mesmo ao público mais exigente. Porém, o público high end é obrigado a recorrer a algumas técnicas para extrair mais performance de suas máquinas atuais, como montar uma configuração RAID ou utilizar discos SSD PCI Express (que são extremamente caros, por sinal). Ainda que o mercado de desktops esteja em baixa, máquinas de alto desempenho continuam firmes e fortes, incluindo tanto computadores voltados para jogos quanto estações de trabalho para tarefas avançadas de edição de vídeo e manipulação 3D.

No mercado de PCs convencionais, por outro lado, a história é outra. Os computadores estão ficando menores e mais econômicos, caso dos NUCs da Intel, por exemplo. Nessas máquinas, muitas linhas PCI Express ficam inutilizadas, e é aí que o SATA Express passa a fazer sentido, já que passa a ser possível ter uma configuração relativamente rápida (ainda mais considerando o crescimento exponencial de desempenho dos gráficos integrados tanto da Intel quanto da AMD) sem sofrer com gargalos no armazenamento. Ou seja: daqui a poucos anos poderemos ter máquinas com performance de desktop do tamanho de livros, em vez dos "grandes e desajeitados" PCs atuais.

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