Pele eletrônica permite que seres humanos sintam magnetismo

Por Redação | 05.02.2015 às 18:13

A magnetopercepção é um sentido bastante comum na natureza, mas que nós, seres humanos, não possuímos. Bactérias, insetos e vários animais, como aves e tubarões, conseguem detectar campos magnéticos para navegação e orientação graças a este sentido.

Para os seres humanos, tal sentido seria extremamente útil, visto que através dele poderíamos saber exatamente a nossa localização real, altitude, direção e outras informações. Diante destas possibilidades, muitos acreditam ser possível incorporar este sentido magnetossensorial artificial à pele humana.

Profissionais da Universidade de Dresden, na Alemanha, liderados por Michael Melzer, contaram com a parceria da Universidade de Tóquio, da Universidade de Osaka e de outras instituições para desenvolver um novo sensor magnético que pode ser adaptado à pele humana. Este sensor, apesar de robusto, é fino e flexível, permitindo sua fácil inserção na pele de um indivíduo.

De acordo com a equipe que trabalhou diretamente no desenvolvimento do sensor, a novidade capacita o usuário a perceber a presença de campos magnéticos estáticos ou dinâmicos. "Nós demonstramos uma plataforma de interação homem-máquina sobre a pele e sem toque, com capacidade de detecção de movimento e deslocamento que poderá ser aplicada a robôs moles ou implantes médicos funcionais, bem como funcionalidades magnéticas para equipamentos eletrônicos sobre a pele", declarou Melzer.

Sensor de magnetismo

Segundo a revista Nature, a dimensão do sensor garante a ausência de qualquer incômodo para os usuários. Isso porque ele possui apenas dois micrômetros de espessura e pesa somente três gramas por metro quadrado. Estas medidas são suficientes para que o sensor pudesse flutuar sobre uma bolha de sabão sem estourá-la.

Por serem extremamente flexíveis, os sensores magnéticos podem ser colocados em distintas partes da pele do ser humano. O fato de suportarem praticamente qualquer curvatura mantém os sensores em funcionamento mesmo após serem amassados como uma folha de papel. Além disso, o dispositivo pode esticar-se a mais de 270% e em mais de 1.000 ciclos sem fadiga.

"Estes sensores magnéticos ultrafinos, com uma robustez mecânica extraordinária, são ideais para serem vestidos, permanecendo discretos e imperceptíveis, com o objetivo de orientação e como auxiliar de manipulação," avaliou o professor Oliver Schmidt, que faz parte da coordenação da equipe envolvida no trabalho.

Ao menos por enquanto, os sensores não proporcionam ao usuário um retorno tátil. Ao invés disso, eles estão conectados a pequenas luzes de LED. Dessa forma, quando o usuário move o sensor perto de um campo magnético, as luzes de LED se acendem. Ainda que a verificação contínua das luzes do sensor possa ser desconfortável para o ser humano, a tecnologia pode ser muito útil no campo da robótica. Além disso, não é difícil imaginar que o avanço nesta tecnologia permitirá um retorno tátil do sensor muito em breve.

Fonte: http://www.cnet.com/news/flexible-sensor-lets-humans-feel-the-magnetism/#ftag=CADf328eec