GeForce GTX 760: o que há de bom na nova geração de GPUs NVIDIA?

Por Pedro Cipoli

Hoje vamos conhecer um pouco mais das evoluções da nova geração de placas de vídeo da NVIDIA série 700 com o modelo GeForce GTX 760, e ver quais são as evoluções em relação à geração anterior. Na verdade não estamos falando de uma arquitetura completamente nova, mas sim do mesmo núcleo Kepler presente na série 600 com algumas melhorias em suas tecnologias e mais poder bruto de processamento.

Mais importante do que a quantidade de núcleos de processamento de fluxo, quantidade de memória ou mesmo velocidade máxima de clock, temos uma considerável melhora nas tecnologias proprietárias da empresa, como é o caso do GPU Boost 2.0. Na GTX 760 ele faz com que o clock suba de 980 MHz para os mesmos 1033 MHz respeitando os limites de TDP da placa por uma quantidade de tempo maior do que o GPU Boost 1.0 da série 600. Ou seja, na prática temos um modelo que roda a 1033 MHz, já que ele é capaz de sustentar essa velocidade sem problemas.

Outro ponto importante é a capacidade de escolher entre dois tipos de filtros Anti-Aliasing na hora do jogo: o FXAA (Fast Approximate Anti-Aliasing) ou o TXAA (Temporal Anti-Aliasing), ambos capazes de melhorar a qualidade de vários games. Para saber mais o que significa essa sopa de letrinhas, fizemos um artigo especial dedicado ao assunto onde você poderá conferir em detalhes o que é cada uma delas.

No caso da série GTX temos ainda duas tecnologias exclusivas que fazem bonito na hora dos jogos, ambas com upgrades em relação à geração 600: o PhysX, motor de cálculos físicos e grande responsável pela melhor experiência visual mesmo com resoluções menores (aliás, este é o motivo de muitos usuários escolherem a NVIDIA em vez das AMD Radeon). A outra tecnologia é o Adaptative V-Sync, outro item que você confere em mais detalhes em nosso artigo Conheça as tecnologias que fazem os games modernos beirarem o realismo.

Na imagem abaixo temos uma agradável surpresa: escores máximos em efeitos visuais e games no índice de experiência do Windows 7.

Windows 7 Performance Index

Em relação às especificações, também tivemos um aumento considerável de cavalos-vapor: 1152 core CUDA de processamento (960 na GTX 660), 2 GB de memória RAM GDDR5 rodando a 6,0 GHz (igual à GTX 660) com uma interface de 256 bits (192 bits na anterior) e com banda máxima de 192 GB/s (33% a mais do que a GTX 660). De resto temos praticamente especificações iguais, como suporte a slots PCI Express 3.0, mesmas conexões de vídeo (1x dual-link DVI-I, 1x dual-link DVI-D. 1x HDMI, 1x DisplayPort) com suporte a 4 monitores simultâneos em sua resolução máxima com a tecnologia NVIDIA Surround e resoluções de até 4K.

Considerando que as placas mais tops da AMD suportam até 6 monitores simultâneos com o Eyefinity, parece estranho que a NVIDIA tenha estacionado apenas em 4. Não é uma questão se a maioria dos usuários não utilizará esse recurso ou não, mas sim que isso mostra ser uma deficiência da série GTX. Esse modelo ocupa dois slots de expansão na placa-mãe e consome 170 watts de energia, cerca de 22% mais do que a GTX 660, exigindo uma fonte de pelo menos 500 watts (600 watts se o seu processador for mais "gastão" e 700 watts em caso de SLI entre duas placas), exigindo dois conectores PCIe de seis pinos por placa.

Será que essas especificações mais potentes e tecnologias com melhorias fazem com que valha a pena para o usuário final fazer um upgrade em sua máquina? Vamos rodar alguns testes e ver como a GeForce GTX 760 se comporta. Confira!

Especificações de teste:

  • Processador: Intel Core i7-3930K com 6 núcleos rodando a 3,2 GHz (3,8 GHz em modo Turbo) 12 Threads 1 12 MB de cache L3
  • Memória: 6 GB DDR3 rodando a 1600 MHz em 3 canais
  • Placa-mãe: ASUS Rampage IV Extreme chipset X79, soquete LGA 2011 (série Extreme de segunda geração)
  • Disco primário: Seagate 500 GB 7200 RPM Sata III
  • Fonte de alimentação: Casemall Supreme Power 800 watts modular
  • Versão do driver: NVIDIA R320 320.49 WHQL (01/07/2013)

Futuremark PCMark 7

O PCMark 7 realiza uma série de testes de desempenho dividindo os resultados em categorias, como produtividade, entretenimento e assim por diante. Cada uma delas precisa de uma combinação diferente de processamento da CPU, memória RAM e placa de vídeo para alcançar a sua pontuação.

Nesse teste a GTX 760 conseguiu excelentes resultados nas categorias "Computação" (6118 pontos), que utiliza o processador e a placa de vídeo de forma combinada, e "Entretenimento" (4319 pontos, próximo da GTX 660), que depende bastante do poder da placa de vídeo individualmente, alcançando a pontuação combinada de 3063 pontos – menor do que a da GTX 660, mas ainda assim capaz de fornecer uma excelente experiência de uso para o usuário em termos gráficos.

PCMark 7 - All except primary disk

Futuremark 3DMark 11

Esta é a suite de benchmark desenvolvida pela Futuremark para testar máquinas com suporte ao DirectX 11 (conheça mais detalhes). Nas configurações "Extreme" (Full HD, vários filtros ativados), a GTX 760 pontua 2821, consideravelmente mais do que os 2243 da GTX 660, sendo capaz de executar os jogos mais modernos nessa resolução sem gargalos desde que alguns filtros de tesselation e anti-aliasing sejam configurados como médio ou mesmo no high.

NVIDIA GeForce GTX 760

Com resolução de 1280x720 (720p) e alguns filtros ativados, a GTX 760 alcança um resultado 2,5 vezes maior do que o modo "Extreme", mostrando como a resolução utilizada influencia no comportamento da placa de vídeo. Essa pontuação permite que jogos baseados em DX11 possam ser executados nessa resolução com quase todos os filtros e efeitos (tesselation, anti-aliasing) ativados sem perdas de desempenho em praticamente qualquer game.

3DMark 11 - Performance

Futuremark 3DMark Vantage

O 3DMark Vantage é um famoso programa de teste de desempenho para máquinas capazes de executar o DirectX 10, dando uma boa noção de como a placa se sairá em jogos desenvolvidos com essa tecnologia. Nas configurações "Extreme" (1920x1200, vários filtros ativados), a GTX 760 conseguiu manter uma taxa de atualização de quadros acima de 42 FPS em ambos os testes de GPU (GPU TEST 1 e 2 na imagem abaixo), o que é uma marca bastante respeitável e capaz de fazer frente a qualquer jogo DX10 atualmente.

3DMark Vantage - Extreme

Com resolução 1680x1050 e alguns filtros e efeitos ativados, o desempenho da GTX 760 nas configurações High do 3DMark Vantage aumenta cerca de 50% em relação ao modo "Extreme", permitindo que games mais modernos rodem com bastante fluidez nessas configurações.

3DMark Vantage - High

Não testamos a GTX 760 em configurações menores pois não há necessidade, já que no teste anterior ela já se mostrou capaz de rodar qualquer game. Você não vai comprar uma GTX 760 para jogar em "low", correto?

MAXON Cinebench 11.5

Programa bastante simples e gratuito para testar processadores e placas de vídeo individualmente, o CINEBENCH não requer nem instalação. Ele apenas envia uma imagem em altíssima resolução para a placa de vídeo processar e, logo em seguida, um vídeo em alta definição.

A GTX 660 se saiu bastante bem nesse teste, conseguindo rodar o vídeo com uma média de 51 frames por segundo, consideravelmente melhor do que os 42,5 frames por segundo da GTX 660 – lembrando que um filme em alta resolução utiliza 30 frames por segundo. Na imagem abaixo é possível ver o desempenho de configurações similares.

Cinebench 11.5

Luxmark 2

O Luxmark é um programa de código aberto multiplataforma que testa a capacidade da placa de vídeo de executar gráficos OpenCL, e, quanto maior a pontuação, melhor e mais poderosa é a máquina neste quesito. Nesse teste a GTX 760 se saiu até bem, mas nada muito surpreendente pois em geral a série GTX não se sai tão bem como a AMD em OpenCL. O que pudemos ver aqui no Canaltech é que a NVIDIA se sai muito bem somente em OpenGL (e em games, é claro).

Luxmark 2

Conclusão

A NVIDIA GeForce GTX 760 pode ser encontrada no mercado brasileiro por cerca de R$ 1300, preço bastante interessante por suas especificações e atraente para o público gamer. Mas isso não a torna uma boa opção de upgrade em relação à geração anterior. As tecnologias incorporadas à GTX 760 são similares às da GTX 660, de forma que o usuário não tem muito a ganhar de uma geração para outra.

Esse resultado é no mínimo previsível, considerando a ingratidão do mercado de placas de vídeo. Felizmente elas evoluem bastante rápido, fazendo com que o modelo mais atual fique facilmente desatualizado. Então, se você possui um modelo da série 600 é melhor esperar a próxima geração. Para quem possui um modelo da geração 500, como a GTX 550 TI, adquirir a GTX 760 passa a ser um excelente negócio.

Vantagens

  • Preço honesto pelo poder gráfico
  • Atende a grande parte do público gamer
  • TDP dentro do esperado, embora maior do que da geração anterior

Desvantagens

  • Não é uma opção de upgrade interessante para quem possui um modelo da série 600 por não trazer grandes mudanças
  • Baixo resultado relativo em OpenCL

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