Europeus planejam usar processador ARM para construir supercomputador

Por Redação | 18 de Novembro de 2012 às 16h23

Quando pensamos em um supercomputador, imaginamos algo grande e com uma série de processadores potentes capazes de alimentar o complexo sistema. No entanto, pesquisadores do Centro de Supercomputação de Barcelona, Espanha, decidiram criar um supercomputador percorrendo o caminho oposto: eles usaram processadores ARM, que são muito mais econômicos - mas também, bem menos potentes. Essa arquitetura é a presente nos chips de tablets e celulares, que exigem menos poder de processamento do que desktops e laptops.

O processador escolhido é o Samsung Dual-core Exynos 5, baseado na tecnologia ARM, que é utilizado também no Chromebook da empresa sul-coreana e que pode ser encontrado por US$ 249 (cerca de R$ 515). A licença da tecnologia e a produção do chip pela Samsung se mostraram a alternativa ideal para os pesquisadores, que planejam um supercomputador capaz de figurar entre o Top 500 de computadores mais poderosos do mundo até o final de 2013.

"O que nós queremos provar é que é possível criar um sistema HPC a partir de componentes de commodities", afirmou ao Computer World Alex Ramirez, gerente de pesquisa do projeto.

Segundo os pesquisadores, uma das principais vantagens da utilização de processadores desenvolvidos para dispositivos móveis é exatamente a sua potência relativamente mais baixa. Com base no desenvolvimento do chip ARM que irá integrar o supercomputador, os pesquisadores acreditam ser possível construir um sistema que atinja a velocidade máxima de 200 petaflops em 2017, utilizando apenas 10MW de potência.

Para se ter uma ideia da potência, o computador mais rápido do mundo, o Titan, do Departamento Nacional de Energia de Oak Ridge, é capaz de atingir, teoricamente, a velocidade máxima de 27 petaflops usando 9MW de potência.

Supercomputadores

Pesquisadores planejam supercomputadores mais poderosos e econômicos

Entre 2012 e 2017, muitas modificações tecnológicas devem ser efetuadas para tornar os computadores mais potentes e consumindo menos energia. A meta dos pesquisadores espanhóis é construir um sistema de exa-escala, mil vezes mais poderoso do que o petaflop, e que não utiliza mais do que 20MW de potência. Ramirez acredita que os processadores ARM poderão ajudar na produção dos computadores exa-escala, desde que alguns problemas técnicos sejam resolvidos como, por exemplo, com os soquetes dos chips móveis, que não foram desenvolvidos para se comunicarem com outros processadores.

Os problemas para a produção de um computador exa-escala vão muito além dos novos processadores. Muitos empresários e pesquisadores da supercomputação estão trabalhando pesado para acelerar tudo que acontece em todo o sistema, melhorando a qualidade da banda e minimizando a movimentação de dados para reduzir a latência.

E até 2014, Alex Ramirez espera que eles consigam criar um processador ARM Exynos 5 de 64 bits e que a empresa comece a entender melhor como seus componentes podem ser utilizados na fabricação de supercomputadores.

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