Conheça o NUC, mini PC da Intel de apenas 10 centímetros de tamanho

Por Pedro Cipoli

Há algum tempo publicamos um artigo explicando o que é o NUC ainda antes dele ser lançado: um mini PC da Intel que pretende acabar com o conceito que temos de desktops. Imaginem um computador bem pequeno, como um Mac Mini, por exemplo. Agora diminuam ele um pouco mais, e depois um pouco mais. O resultado é um computador completo, extremamente pequeno e altamente eficiente energeticamente.

Tivemos a oportunidade de testar dois modelos, um com o processador Intel Core i3 e outro com um Celeron dual-core. Embora estes dois não possam nem de longe ser considerados de alto desempenho, em especial o Celeron, a capacidade computacional geral é bastante boa. Isso não acontece por nenhuma mágica por parte do processador, mas sim pelo fato do NUC não trazer um HD convencional, mas um armazenamento de estado sólido (ou SSD, para os mais chegados).

Abaixo, a ficha técnica de cada um deles:

Modelo DCCP847DYE (Celeron)

  • Processador: Intel Celeron B847 (dual-core, 2 threads, 1,1 GHz, 2 MB de cache L3)
  • Memória: 4 GB DDR3 (dois pentes rodando a 1333 MHz)
  • Gráficos: Intel HD Graphics
  • Armazenamento: SSD mSATA de 32 GB

Modelo DC3217BY (Core i3)

  • Processador: Intel Core i3-3217U (dual-core, 4 threads, 1,8 GHz, 3 MB de cache L3)
  • Memória: 4 GB DDR3 (dois pentes rodando a 1333 MHz)
  • Gráficos: Intel HD 4000
  • Armazenamento: SSD mSATA de 128 GB

Como podemos ver, ambos trazem discos mSATA como unidade de armazenamento. Isso não é uma surpresa, considerando que o NUC é uma caixa quadrada com 10 centímetros de lado, pouca coisa mais fina do que uma caneta BIC, onde discos rígidos convencionais, mesmo modelos de notebook, se tornam inviáveis. Discos SSD mSATA são basicamente SSDs de menor dimensão, os mesmos utilizados como cache nos Ultrabooks Intel.

Os dois processadores possuem TDPs de 17 watts, que não exigem soluções de refrigeração complexas, embora sejam ativas (com cooler). Quando colocamos ambos para trabalhar no máximo o aumento de temperatura é perceptível, mas não chega a fazer barulho, tornando-os uma excelente opção para escritórios, onde funcionários não realizam tarefas de grande complexidade computacional. Com gráficos integrados, esqueça tarefas como edição de vídeo ou aplicativos CAD, por exemplo.

Para uso diário em residências, por outro lado, acreditamos que o NUC não seja a melhor opção. Um dos motivos para acharmos isso está na lista de conexões, iguais em ambos os modelos:

  • Duas saídas HDMI (ambas capazes de suportar monitores Full HD)
  • Três conexões USB (duas na parte traseira e uma na parte frontal)
  • Uma conexão RJ-45 para a internet, além de possui uma antena wireless interna

Como vemos, não há uma conexão para fone de ouvido ou microfone, nem saída de vídeo DVI ou VGA, quebrando a compatibilidade com uma série de periféricos. Outro é que, em muitas versões à venda, o NUC vem sem sistema operacional e sem SSD mSATA e pentes de memória RAM, exigindo um certo nível de conhecimento técnico do usuário (ou um responsável pela parte técnica dentro da empresa), algo que o usuário comum não está acostumado.

E quanto à performance? Não vamos perder tempo realizando toneladas de benchmarks e extrair o significado dos resultados, já que o foco do NUC não é performance. Mesmo porque as configurações utilizadas em ambos não são nada novas. O desempenho do Core i3-3217U é o mesmo de qualquer Ultrabook que traga configurações similares, como é o caso do Lenovo S400u: bom para tarefas do dia a dia, mas longe de agradar aos power users.

No caso do Celeron B847 a história é outra. Além de pertencer a uma geração mais antiga (Sandy Bridge), o baixo clock faz com que ele seja bastante lento. Não temos meios de comprovar o que vamos dizer em seguida, mas acreditamos que até os processadores mais modernos de smartphones batem ele em desempenho. Ele é lerdo, bem lerdo, mas pelo menos consegue lidar com vídeos em alta definição com alguma desenvoltura, tornando ideal para ser utilizado em letreiros públicos, como os que vemos no metrô de São Paulo.

Valem o investimento? Como tudo na vida, a relação custo-benefício é a reguladora do "vale ou não vale", e no caso do NUC ele é vítima de sua própria miniaturização, que faz com que o seu custo seja maior. A faixa de preços do NUC o coloca em concorrência direta com notebooks até razoáveis (que além da configuração trazem bateria, teclado, touchpad e monitor, além de inúmeras saídas para periféricos), então e difícil dizer que ele seja uma boa solução de forma genérica.

A embalagem inclui o NUC, um adaptador VESA para plugá-lo atrás de um monitor (transformando-o em um all-in-one, por assim dizer) e um adaptador de força, semelhante ao de um notebook. A caixa, quando aberta, reproduz aquela vinheta da Intel (tãn....tãn tãn tãn tãn!), que é uma boa jogada de marketing e até engraçadinha no começo, mas que, depois da trigésima vez, começa a ficar bem chato.

Conclusão

Os modelos DCCP847DYE e DC3217BY custam aproximadamente R$ 800 e R$ 1400, respectivamente, sendo valores consideravelmente altos porque, a esse preço, não estão inclusos memória RAM, disco SSD mSATA (bem difícil de encontrar no Brasil) e Sistema Operacional (e olha que o Windows é caro), nem uma distribuição Linux sequer. Com esses 3 itens inclusos, o valor pode facilmente passar de R$ 2000, em especial pela licença do Windows.

Em escritórios de espaço reduzido, o NUC se torna uma opção até válida, considerando o preço de all-in-ones com configuração similar e telas grandes, mas o benefício dele para por ai. Por mais que o conceito de computador pequeno e de baixo consumo seja muito legal, o custo da miniaturização ainda é bastante alto, não trazendo benefícios na mesma proporção de sua praticidade para o usuário.

Vantagens

  • Bem pequeno
  • Configuração aceitável para as tarefas do dia a dia (no caso do modelo com o Core i3)
  • Baixo consumo de energia
  • WiFi incluso

Desvantagens

  • No caso do modelo com o Celeron, é muito devagar (devagar mesmo, pessoal)
  • Preço muito alto pela configuração, em qualquer um dos casos
  • Em geral, é encontrado incompleto, exigindo um certo nível de conhecimento técnico do usuário
  • Não há uma opção com o Core i7. O máximo que é possível encontrar é o Core i5
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