Cientistas criam molécula capaz de armazenar dados

Por Redação | 21 de Novembro de 2014 às 13h44
photo_camera Divulgação

Por mais que a corrida atual no mercado de componentes para tecnologia esteja concentrada, em grande parte, no tamanho dos dispositivos, existe um certo limite até onde a indústria pode seguir. Em determinado ponto, a briga por aparelhos cada vez menores encontra uma impossibilidade física, na qual elétrons podem acabar com um espaço pequeno demais para manterem a carga necessária para que funcionem. Mas esse obstáculo, ainda um tanto distante, parece ter sido solucionado por um grupo de pesquisadores de universidades ao redor do mundo.

Em um estudo publicado na revista científica Nature, os responsáveis pela descoberta mostram como criaram uma combinação de duas moléculas capazes de portar os elétrons necessários para o funcionamento de memórias flash em um espaço extremamente pequeno. O material usado é o tungstênio e a “jaula complexa” para os elementos é de trióxido de selênio. O resultado dessa combinação de elementos e fórmulas químicas é a criação de interações entre os sistemas individuais, com estabilidade suficiente para armazenar arquivos sem risco de perda.

Outro obstáculo da pesquisa química realizada aqui aparece em relação à temperatura. Como se tratam de elementos maleáveis, alterações de temperatura poderiam causar alterações no funcionamento das moléculas. Mas a descoberta dos novos estudos seria capaz de se manter estável até a marca dos 600 graus Celsius, mais do que suficiente para que sejam plenamente utilizadas em produtos eletrônicos como computadores, smartphones e tablets, apenas para citar alguns exemplos.

Como cita as informações do site Ars Technica, que vai bem mais além sobre o aspecto químico da coisa, o sistema é bastante promissor e pode, no futuro, permitir uma redução significativa no tamanho de memórias flash. Basta apenas que as fabricantes aprendam a trabalhar com as voltagens corretas, diferentes das usadas atualmente, e que todo o sistema seja estabilizado de forma a se tornar mais funcional.

A nova pesquisa também vai além de um estudo realizado no final do ano passado por um outro grupo de cientistas. Na época, eles conseguiram criar um efeito semelhante aplicando moléculas a diversas camadas de elementos químicos, conseguindo a estabilidade necessária para armazenamento de arquivos. A diferença desta para a nova descoberta, porém, é que uma única layer é necessária agora, reduzindo bastante a complexidade de produção e utilização das memórias.

As novidades também devem trazer avanços no campo dos processadores, que também estão em uma briga para terem tamanhos cada vez menores e encontram, nesse sentido, problemas semelhantes quanto a seu espaço físico. Por mais que tudo esteja no campo científico – e muitos segmentos do mercado pareçam caminhar no sentido do aumento no tamanho, devido a displays cada vez maiores – a presença de elementos internos menores é sempre benéfica e permite mais versatilidade de design e construção para os fabricantes de gadgets.

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