Estudo da Qualcomm aponta Brasil como terceiro maior país em conexões M2M

Por Rafael Romer | 21 de Maio de 2014 às 10h35

A Qualcomm apresentou nesta terça-feira (20) a segunda parte de três de seu levantamento QuISI (Índice Qualcomm da Sociedade da Inovação), estudo que tem como objetivo criar um indicador global para a empresa.

Nessa segunda parte o estudo focou nas empresas (QuISI Empresas) e na tendêncioa da Internet das Coisas (QuISI IoE), analisando o estágio atual do uso de TICs por pequenas, médias e grandes empresas brasileiras, além da situação do país no setor de dispositivos de conectividade máquina a máquina (M2M).

Um dos maiores destaques do levantamento é que o Brasil é hoje um dos países mais avançados do mundo no número total de conexões M2M, com cerca de 8,3 milhões de dispositivos M2M. Isso deixa o país atrás apenas da China (34,7 milhões) e dos Estados Unidos (27,6 milhões), e no mesmo patamar do Japão (7,9 milhões).

"O Brasil deverá ter, até 2020, aproximadamente 55 milhões de conexões mobile de máquina a máquina. Isso representaria cerca de US$ 1 bilhão de faturamento em conectividade", explica a diretora geral da Convergencia Research e da Convergencia Latina, Mariana Rodriguez Zani.

Isso não significa, no entanto, que o país esteja completamente preparado para a tendência da Internet das Coisas. Nos resultados que apontam qual a representatividade das conectividades M2M em relação ao total de redes, o Brasil ainda observa um percentual bem baixo, de apenas 3% de penetração da conectividade M2M. Com 23% de suas linhas móveis em M2M, a Suécia lidera o ranking mundial, seguida pela Noruega e Nova Zelândia (ambas com 15%) e Finlândia (11%).

Na escala criada para medir a "nota" de cada país no quesito de conectividade M2M, o Brasil conseguiu 1,17 ponto de um total de 100. Líder do grupo de países pesquisados, a Suécia hoje tem 10,07 pontos.

A pesquisa divide o setor de M2M em seis categorias principais, que representam os potenciais mercados existententes no mundo para o setor que ainda se desenvolve. São eles: veículos, utilidades, indústria, pagamento, saúde e "outros", que envolve, em sua maioria, sensores e alarmes domésticos.

De acordo com Mariana, o mapa mundial da divisão desses setores varia bastante de região para região, conforme as necessidades e força da cada economia. No Brasil, em específico, o levantamento observa que o setor de pagamentos é o mais forte, com 50% de participação no total de conexões M2M. "É muito grande porque o Brasil tem muitos cartões de crédito e muitos locais que aceitam cartão de crédito, é o que dá o grosso desse número", explica a executiva.

A característica é muito particular do país e não segue o mesmo padrão de países da região da América Latina. No caso do México, outro país pesquisado na QuISI, o setor mais forte é o de automóveis, com 69% - no Brasil, o setor é o segundo colocado, em 30% das conexões. No restante do mundo, os setores de veículos e de utilidades costumam ser os mais fortes. "Mas me parece que os outros setores vão crescer um pouco mais rápido [no Brasil]", conclui Mariana.

A estimativa da empresa é que o setor avance no país nos próximos anos, alavancado principalmente pelas regulamentações que o Governo está promovendo e pelo leilão da faixa de 700 MHz para o 4G, previsto para agosto. "Com a licitação de 700 MHz isso vai acelerar muito fortemente. A queda dos preços dos telefones 4G também é um fator", opina o presidente da Qualcomm no Brasil, Rafael Steinhauser.

Para o executivo, globalmente, o setor M2M crescerá ainda mais rápido quando as redes de quinta geração, já em desenvolvimento em alguns locais do mundo, entrarem em atividade "[O 5G] talvez seja a busca por uma rede hiperconfiável, como são a redes físicas hoje, e, se conseguimos isso, em um futuro não muito distante poderemos confiar ao mundo celular qualquer missão vital".

QuISI Empresas

A Qualcomm revelou ainda seu QuISI empresas, estudo realizado entre 200 PMEs e 30 grandes empresas distribuídas entre todas as regiões brasileiras.

O levantamento apontou que 83% delas hoje são conectadas à Internet. Levando em consideração apenas aquelas com 10 ou mais funcionários, o índice chega a 98%.

Apesar da penetração ampla da conectividade, o levantamento mostra que grande parte das empresas ainda não sabe utilizar essas ferramentas de forma satisfatória para seus negócios.

Apenas 44% das empresas conectadas possuem um perfil ativo em redes sociais e 45% um site. Em ambos os casos, as plataformas são utilizadas para divulgação geral e de produtos e serviços, além de contatos da empresa.

O mesmo desconhecimento do uso de plataformas na web é observado nos dispositivos móveis. Apesar de 55% das empresas conectadas do país terem ao menos um funcionário que utiliza um smartphone para trabalhar, o uso de aplicações específicas para o ambiente corporativo ainda é pequeno – apenas um quarto do total.

"O avanço das tecnologias nas mãos dos usuários foi muito mais rápido que a utilização dessas tecnologias pelas empresas", explica Steinhauser. "Hoje há uma explosão de smartphones, no entanto as pessoas não os usam no mundo corporativo para navegar por aplicativos específicos das empresas".

A maioria concentra os dispositivos móveis para o uso de aplicações simples, como e-mail corporativo (50%), administração de redes sociais (57%) e gerenciamento de agenda (66%). Para grandes e pequenas empresas, o custo permanece como um dos principais motivos para a adoção de soluções específicas.

QuISI

Elaborado em parceria com a Convergencia Research, o Índice Qualcomm da Sociedade da Inovação visa medir o grau de adoção, assimilação e uso global de diferentes Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) em 73 países pesquisados.

O estudo será dividido em três esferas (Pessoas, Negócios e Governos) com foco em três processos diferentes (Conectividade, Internet das Coisas e Inovação). A última parte da pesquisa deverá ser divulgada no mês de agosto deste ano.

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