A Lei de Moore pode estar perto de ser revogada, e a culpa não é da física

Por Joyce Macedo | 30 de Agosto de 2013 às 09h50

Um dos mais badalados princípios da indústria de computadores, profetizado pelo cofundador da Intel Gordon Moore, diz que a quantidade de transistores em um circuito integrado dobraria a cada 18 meses mantendo-se o mesmo custo de fabricação. No entanto, um veterano da indústria sugere que chegou a hora de repensar seriamente o design e economia da fabricação de chips.

Robert Colwell, diretor do escritório de tecnologia de microssistemas a DARPA, disse durante uma palestra na conferência Hot Chips, que acontece na Califórnia, que em vez de apenas se concentrar na redução do tamanho do chip e acelerar a velocidade do processador, os engenheiros precisam pensar em fazer ajustes ou possivelmente mudar a arquitetura fundamental do microprocessador para garantir uma produção de chips mais rápida e barata.

"Quando a Lei de Moore terminar, será a economia que vai pará-la, e não a física", declarou Colwell, de acordo com o britânico The Register. "Sigam o dinheiro", aconselhou. Colwell, que já foi arquiteto-chefe da Intel, disse que não existe absolutamente nenhuma dúvida de que a Lei de Moore, eventualmente, será revogada. "Eu escolho 2020", disse o engenheiro se referindo ao ano em que poderemos declarar a Lei acabada.

Ao longo dos anos, houve diferentes interpretações da Lei de Moore, sendo a mais comum citada no início deste texto, e que resultaria em uma produção de chips mais rápidos. Porém, Colwell tentou esclarecer a definição, dizendo que Gordon Moore estava mais centrado no custo por transistor, que deveria cair com a diminuição do tamanho dos chips.

Como um arquiteto de chips da Intel, Colwell diz que seu trabalho era "ficar fora do caminho da Lei de Moore", apenas observando como a grande quantidade de melhorias históricas em semicondutores tem sido atribuída muito mais ao escalonamento do que à progressão da microarquitetura. É verdade que colocar cada vez mais transistores em chips cada vez menores é fisicamente difícil, mas o engenheiro da DARPA está mais focado no lado econômico do assunto.

Em suma, o dia em que as fabricantes de chips não conseguirem mais obter retorno sobre os bilhões de dólares investidos na fabricação de chips cada vez menores, a Lei de Moore vai quebrar. E, em vez de esperar por esse acidente na economia do mercado de chips, a inovação precisa começar agora.

Para a questão física do problema, a IBM já possui uma resposta para a Lei de Moore: os nanotubos de carbono, mas essa é outra história.

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