Vazamento do Ashley Madison pode ter levado a dois suicídios

Por Redação | 24 de Agosto de 2015 às 15h18
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Como se o vazamento de 37 milhões de informações pessoas de usuários já não fosse grave o bastante, o caso Ashley Madison acaba de ganhar contornos ainda mais negativos. A política de Toronto, no Canadá, informou à imprensa nesta segunda-feira (24) que recebeu relatos ainda não confirmados de pelo menos dois suicídios relacionados à exposição dos dados da rede social.

De acordo com as autoridades, a veracidade de tais ocorrências ainda não pôde ser verificada, mas junto com ela, vieram denúncias de extorsões e ameaças a alguns indivíduos listados no Ashley Madison. O site promovia encontros extra-conjugais entre seus usuários e, em todo o mundo, contava com mais de 40 milhões de utilizadores.

Entre os dados vazados estão nomes, emails, informações pessoais e até números de cartões de crédito. São justamente os primeiros que estão motivando tais casos, já que muitos dos afetados pelo vazamento estão à mercê de bandidos que podem utilizar o vazamento para obter dinheiro ou outros tipos de ganhos, sob a ameaça de revelar sua participação no Ashley Madison a familiares ou parceiros.

Ao falar com a imprensa sob a luz dos novos acontecimentos, o superintendente da polícia de Toronto, Bryce Evans, fez um apelo à comunidade de hackers para que entreguem informações que possam chegar aos responsáveis pelo vazamento e impeçam que as informações se proliferem ainda mais. Ele afirmou que os danos de tais atos, agora, se estendem não apenas aos usuários do Ashley Madison, mas também às esposas, maridos, filhos e parentes próximos, que também serão atingidos pelo fogo cruzado deste vazamento.

A polícia de Toronto é uma das que estão trabalhando ao lado da Avid Life Media, controladora do site, nas investigações sobre o caso. A empresa ofereceu, neste final de semana, uma recompensa de quase US$ 380 mil para quem entregasse informações que levassem à captura dos hackers do Impact Team, responsáveis pelo vazamento das informações.

Afirmando agir em prol da moral e dos bons costumes, os responsáveis pelo ataque exigiram, em junho, o fechamento do Ashley Madison e também do Established Men, que promove encontro de jovens mulheres com homens mais velhos e bem-sucedidos. Além disso, eles acusam a Avid Life Media de mentir a seus assinantes ao criar perfis falsos do sexo feminino e armazenarem informações de membros e ex-usuários, mesmo afirmando não fazer isso.

O vazamento constitui-se de mais de 40 GB de dados pessoais, incluindo muitos emails de órgãos governamentais dos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e outros países. Isso acabou motivando investigações oficiais e também uma maior preocupação quanto à segurança dos sistemas oficiais.

Além disso, empresas de segurança já apontam para a aplicação de golpes online a partir de indivíduos que afirmam serem capazes de remover os dados pessoais da internet. Tudo isso, claro, mediante o pagamento de uma taxa e sem o efeito desejado, já que as informações estão disponíveis publicamente na internet e, apesar de terem surgido primeiro na Deep Web, já foram republicadas por usuários da superfície da rede.

Bastidores do caso

Em declarações que podem trazer ainda mais problemas para a Avid Life, Evans afirmou que a empresa ficou ciente da invasão em 12 de julho, quando encontrou mensagens dos hackers em seus sistemas internos. A companhia levou alguns dias para entrar em contato com a polícia e pediu sigilo nas investigações.

Oito dias depois da invasão, os hackers vieram à público com as informações que possuíam e fizeram as exigências. Só aí a Avid Life Media começou a entrar em contato com os usuários potencialmente afetados, primeiro negando a invasão para, mais tarde, afirmar que o ataque afetaria apenas uma pequena parcela de seus membros.

A falta de transparência na revelação das informações ao público levou advogados a iniciarem uma ação de classe, também no Canadá, contra a companhia. Eles pedem US$ 760 milhões em indenizações aos usuários afetados não apenas pela divulgação dos dados em si, mas também pela resistência de informar publicamente o que estava acontecendo.

Fonte: Reuters

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