Sistemas das Olimpíadas de Inverno foram invadidos por russos, afirma jornal

Por Felipe Demartini | 26 de Fevereiro de 2018 às 11h37

Autoridades americanas estariam, mais uma vez, apontando o dedo para a Rússia como a responsável por um ataque hacker ocorrido durante a cerimônia de abertura das Olímpiadas de Inverno, na Coreia do Sul. O golpe seria uma resposta ao banimento da delegação do país europeu devido a sucessivos flagrantes de dopping entre os atletas.

São essas as alegações publicadas pelo jornal The Washington Post, de acordo com fontes ligadas ao departamento de defesa americano, que falaram sob condição de anonimato. De acordo com as informações, os russos não apenas teriam realizado o ataque, mas também tomado medidas de false-flag para fazer parecer que toda a operação seria obra de agentes da Coreia do Norte.

Um dos principais reflexos do ataque foram os assentos vazios durante a cerimônia de abertura, devido à interrupção no funcionamento de sistemas internos que impediram a impressão de ingressos. Além disso, foram detectadas falhas na transmissão ao vivo pela internet, além de dificuldades no acesso à rede para quem estava no local. Indisponibilidades no site oficial dos Jogos Olímpicos também foram detectadas.

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A organização das Olímpiadas admitiu, no próprio dia 9 de fevereiro, que um ataque cibernético havia sido realizado, mas assumiu uma política de falar pouco sobre o assunto com medo de retaliações e também de um possível novo golpe durante a cerimônia de encerramento, que aconteceu neste domingo (25). Até o momento, entretanto, não existem indícios de que a ocasião também foi alvo de ataques.

De acordo com as autoridades responsáveis pelos comentários, o golpe serviria a diferentes fins. Seria, acima de tudo, uma forma de retaliar o Comitê Olímpico Internacional, que em dezembro baniu o país de participar dos Jogos Olímpicos de Inverno. Alguns atletas foram autorizados a participarem como parte de uma delegação de “Atletas Olímpicos da Rússia”, mas sem exibirem sua bandeira nos uniformes. Caso ganhassem medalhas, o hino nacional não poderia ser reproduzido durante a premiação.

Atletas russos em delegação "neutra" durante a abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno 2018 (Foto: Reuters)

Além disso, a tentativa de atribuir responsabilidade sobre os ataques à Coreia do Norte soa como um tentativa de gerar mais atrito entre países em conflito. A Coreia do Sul, vizinha, está bem no centro das tensões entre os EUA e o governo de Kim Jong-un. Entretanto, o país parece ter aceitado uma política de paz entre as duas nações, enviando delegações aos jogos de PyeongChang e viu os atletas de ambos desfilando lado a lado.

Os temores com relação a ataques russos nos Jogos Olímpicos datam desde as Olimpíadas de 2016, no Brasil, quando tentativas malsucedidas teriam sido realizadas. Agora, entretanto, a operação de obstrução teria começado em fevereiro, com a invasão de centenas de computadores do Comitê e também de roteadores responsáveis por levar internet à administração do evento. O ataque à cerimônia de abertura teria ocorrido a partir de tais equipamentos.

De acordo com as autoridades, trata-se de um trabalho de alta complexidade e custo, com “objetivos a longo prazo”. Essa ideia, entretanto, soa destoante da hipótese de mera retaliação após o banimento, mas completamente possível quando se pensa na segunda possibilidade, principalmente quando se leva em conta a reconhecida política de guerra virtual ocorrendo entre Estados Unidos e Rússia.

Oficialmente, entretanto, o governo dos EUA não se pronunciou quanto a responsabilidade da Rússia na invasão. Enquanto isso, as fontes afirmam que as autoridades americanas não desejam um envolvimento direto na questão, permanecendo apenas em posição de vigilância e oferecendo auxílio caso o governo da Coreia do Sul o solicite.

A Rússia não se pronunciou sobre as novas acusações. Na ocasião do banimento, entretanto, o governo de Vladimir Putin considerou uma “humilhação” a participação de cidadãos do país sem a respectiva bandeira. Entretanto, o Kremlin afirmou que não se oporia à presença deles nos jogos como uma delegação independente, apesar de outros setores da administração terem pedido um boicote por parte de fãs e atletas.

Fonte: The Washington Post

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