'Panama Papers' é o maior caso de vazamento de dados da história

Por Redação | 07.04.2016 às 15:20

Nesta semana, o mundo foi sacudido pelos chamados Panama Papers, a série de milhões de documentos vazados da firma de advocacia panamenha Mossack Fonseca, líder mundial na criação de empresas de fachadas usadas por ricaços de várias partes do planeta para esconder dinheiro e evitar o pagamento de impostos. Ao todo, foram liberados na internet cerca de 11,5 milhões de documentos e 2,6 terabytes de informações, configurando naquilo que Edward Snowden classificou como “o maior vazamento da história do jornalismo”.

Mas não só pela enorme quantidade de dados o Panama Papers consegue se destacar mesmo em relação às revelações feitas por Snowden sobre o esquema de espionagem global da NSA, em 2013, ou àquelas feitas por Julian Assange, com o Wikileaks. O evento atual se sobressai quando comparado aos anteriores pela amplitude e também pela profundidade das informações, alcançando transações desde 1977 e respingando em pessoas das mais diversas áreas, incluindo políticos, celebridades, criminosos e dirigentes e jogadores de futebol, entre outros, de 202 países diferentes.

Ponta do iceberg

É perfeitamente possível encarar o Panama Papers como o maior caso de corrupção global de que se tem notícia, o que também coloca ainda mais peso nas revelações. Para se ter uma ideia, o economista e pesquisador James Henry, do grupo Tax Justice Network, garante que há entre US$ 21 trilhões e US$ 32 trilhões escondidos em paraísos fiscais — valor equivalente à produção econômica anual combinada de Japão e Estados Unidos.

Os documentos da Mossack Fonseca conseguem jogar luz apenas sobre parte do problema, porque ele é ainda maior. Tanto é que a Comissão Europeia espera aproveitar a comoção gerada pelas revelações para levar adiante a criação de leis que estreitam ainda mais os caminhos para evasões fiscais. “O foco global neste tema nos oferece a oportunidade que precisávamos para levar adiante a nossa agenda”, declarou um oficial da comissão. Para Margrethe Vestager, também membro da Comissão, as revelações do Panama Papers são apenas “a ponta do iceberg”.

A questão agora é saber como as autoridades do mundo todo vão lidar com isso. “O caso vai ajudar a controlar o fluxo de dinheiro ilícito”, comenta o professor de criminologia da Universidade da Basileia e diretor do Basel Institute of Governance, Mark Pieth. “Ao ver quem tem essas contas, você entende por que os políticos não estiveram seriamente interessados em combater [os paraísos fiscais]”, continua, destacando a presença de políticos ou de pessoas próximas a eles na lista de dados vazada nesta semana.

Autores desconhecidos

Outro ponto interessante desta nova grande revelação feita pela internet e com a ajuda do Conselho Internacional de Jornalistas Investigativos é que, ao menos até agora, ninguém assumiu a autoria do vazamento ou foi acusado por alguma autoridade de ter feito isso. Mais uma vez, os hackers colocaram seus conhecimentos a serviço da população mundial.

Fonte: The Next Web, BBC