Na América Latina, instalação pirata do Windows é segundo maior vetor de ataques

Por Rafael Romer | 29.08.2016 às 22:15 - atualizado em 30.08.2016 às 02:41

Na América Latina, uma das maiores ameças para a segurança de computadores pessoais pode ser os seus próprios usuários, indicam os resultados de um levantamento da empresa de cybersegurança Kaspersky Lab.

Dados coletados nos últimos doze meses mostram que no ranking das dez origens de ataques mais identificados na América Latina, o arquivo "NetTool.Win64,RPCHook.a" ocupa a segunda posição na lista.

O interessante é que, diferente de outros arquivos da lista, identificados como malwares tradicionais do tipo "trojan", "AdWare" ou "Worm", o NetTool não é por si só uma arquivo de ataque, mas uma ferramenta comum do Windows – um crack utilizado para burlar o registro do software e desbloquear o uso do sistema operacional em uma instalação pirata.

Na prática, isso significa que grande parte dos usuários latino-americanos infecta suas máquinas voluntariamente, uma vez que muitos destes cracks são carregados com malwares embutidos. Entre os casos mais comuns, estão backdoors embarcados, que dão acesso completo e remoto ao atacante dentro de um computador com instalação pirata a partir do crack infectado.

"Muitos usuários se infectam e ainda pedem ao antivírus que não dê alertas sobre ameaças vindas do arquivo", comentou Dmitry Bestuzhev, diretor de investigação e análise da Kaspersky Labs para América Latina. "É um grave problema de educação, segurança e legal".

Malware na região

Entre agosto de 2015 e deste ano, a empresa registrou 398 milhões de ataques de malware na América Latina, uma média de 12 ataques por segundo. Um número maior do que no período anterior, puxado por eventos como as Olimpíadas – que tiveram, por exemplo, 230 domínios maliciosos criados com foco em atacar visitantes estrangeiros e brasileiros dos jogos.

Os malwares representam hoje 81% dos ataques da região, divididos principalmente entre trojans bancários (57%) e trojans de ransomware (27%). Adwares são responsáveis pelos outros 19% dos ataques.

O Brasil continua liderando o cenário de ciberameaças, onde a estimativa é que 49,9% da população tenha sofrido ao menos um ataque nos últimos doze meses. Completam a lista dos mais atacados Peru (41,9%), Bolívia (41,8%), Chile (40%) e México (39,9%). A Argentina é hoje o país com menos ataques na América Latina, registrando 29,5% da população atacada.

*O repórter viajou a convite da Kaspersky