Medo dos usuários explica aumento nos casos de ransomware

Por Redação | 02 de Agosto de 2016 às 07h43

Se tem uma coisa com a qual todos os especialistas concordam é que o usuário é sempre a ponta mais fraca de qualquer sistema de segurança, não importando o software utilizado para proteção. E assim como eles, os hackers também sabem disso. É o que explica o aumento cada vez maior nas taxas de sucesso dos ransomwares e, com elas, a proliferação maior desse tipo de praga virtual pelo mundo.

A conclusão é da Trend Micro, empresa especializada em segurança digital, que apontou 2016 como ano do ransomware e das extorsões online. Segundo a companhia, o aprimoramento do caráter psicológico por trás dos golpes, com o uso de marcas conhecidas para infecção e autoridades para obtenção de dinheiro, tornou tais tentativas bastante eficazes, com mais de 50 novas famílias de pragas desse tipo identificadas somente até maio deste ano.

Como o nome já indica, um ransomware trabalha “sequestrando” o dispositivo de uma vítima, travando completamente sua utilização. A solicitação de dinheiro é feita não apenas como forma de liberar arquivos e impedir sua destruição, mas também mediante ameaças falsas sob o uso indevido de nomes de autoridades, como a polícia, alegando que o usuário cometeu uma infração e precisa pagar uma multa para retomar seu aparelho.

Esse tipo de tratamento, entretanto, vem se tornando ainda mais agressivo. Em abril de 2016, a Trend Micro identificou um ransomware chamado Jigsaw, que, inspirado na franquia de filmes “Jogos Mortais”, exibia um contador indicando o tempo restante para pagamento. Após determinados períodos, uma parte dos arquivos bloqueados da vítima era apagada até que, depois de três dias, a máquina fosse bloqueada completamente. Tudo para aumentar a sensação de urgência e garantir dinheiro fácil e rápido.

Os métodos de infecção também são arrojados, e mostram que os ransomwares são uma evolução dos velhos Cavalos de Tróia. Em 2016, clientes da Amazon se viram diante de um ataque desse tipo, com um e-mail indicando uma compra inexistente na loja online. Um arquivo anexo trazia a praga. Neste ano, também, clientes da operadora Telia, da Noruega, foram alvo de uma série de ataques que envolvia o envio de uma suposta fatura extra por e-mail, com links que os induziam a fazer download de um malware.

Essa evolução também mostra o escopo dos ataques. No começo do ano, os sistemas informatizados do Hollywood Presbyterian Medical Center, dos Estados Unidos, ficaram fora do ar por dias depois de uma infecção generalizada por um ransomware, que levou a travamentos em máquinas que gerenciavam pacientes, exames, remédios e procedimentos, levando à suspensão de cirurgias e a transferência de doentes para outros hospitais da região.

As medidas para se ver livre de pragas desse tipo, entretanto, são as tradicionais. Evite clicar em links enviados por e-mail ou mensageiros, mesmo que eles venham de fontes reconhecidas ou contatos pessoais. Mantenha soluções antivírus e de proteção sempre atualizadas e funcionais, além de realizar backups periódicos das informações. Se infectado, não entregue dinheiro aos hackers, uma vez que nem mesmo existe uma garantia de que esse processo vai resultar na liberação do dispositivo.

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