Hackers russos teriam gastado US$ 95 mil em criptomoedas para manipular eleições

Por Felipe Demartini | 16 de Julho de 2018 às 09h52

Um relatório do Departamento de Justiça dos Estados Unidos apontou que os hackers russos envolvidos na manipulação das eleições de 2016 gastaram US$ 95 mil em criptomoedas para suportar as operações. Isso não envolve pagamentos diretos aos criminosos, mas sim o dinheiro investido na compra de domínios, servidores e contas falsas utilizadas durante a operação.

No documento, os responsáveis, já localizados pelas autoridades dos EUA, são indiciados por tentativa de lavagem de dinheiro, além de crimes digitais. Isso porque, para o Departamento de Justiça, o uso de criptomoedas, principalmente bitcoins, é uma tentativa de ocultar não apenas a própria identidade, mas também as de financiadores e eventuais agentes de estado envolvidos, bem como a origem dos fundos que foram utilizados na operação.

Tanto que, para adquirir as moedas virtuais usadas, os hackers utilizaram cartões de crédito pré-pagos e também transferências diretas em vez do método mais tradicional, que é a compra dos valores por meio de câmbios. Isso é simples, mas, também, é o melhor caminho para que uma investigação como esta possa rastrear os responsáveis pela compra e seguir o caminho do dinheiro até quem o recebeu posteriormente.

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A mineração própria também foi usada, tanto a partir de máquinas pessoais quanto campanhas de phishing, que infectaram computadores ao redor do mundo e utilizaram seu poder de processamento sem a anuência dos usuários. A venda de material roubado, sejam fotos, credenciais ou informações, também teria servido para financiar a operação maior, com cunho político, realizada pelos hackers.

Uma vez de posse dos valores, foram executadas as campanhas de marketing voltadas para manipulação política por meio de exibição de anúncios, a execução de bots para discussão e divulgação de fake news e, nos piores casos, invasões dos sistemas do Comitê Nacional do Partido Democrático e da campanha da candidata Hillary Clinton, que acabaram culminando no vazamento de informações, e-mails e dados que geraram revezes em sua busca pela Casa Branca.

As investigações continuam em curso, mas, na visão do especialista Jonathan Levin, cofundador da Chainalysis, uma empresa que analisa a blockchain em busca de indícios de fraude e lavagem de dinheiro, o uso das criptomoedas pelos hackers mostra a interseção cada vez maior entre crimes e assuntos de segurança nacional. Tanto que, na última semana, o presidente Donald Trump anunciou a criação de uma iniciativa voltada para investigações desse tipo.

A Força-Tarefa de Integridade do Mercado e Fraude, em tradução do nome em inglês, reunirá oficiais da lei de diferentes agências como forma de integrar e coordenar as investigações locais e federais sobre assuntos relacionados à lavagem de dinheiro no mercado digital. É uma forma de tentar capturar hackers e outros criminosos que estão, cada vez mais, vendo nas criptomoedas uma forma de financiar operações ou fazer com que fundos escusos não sejam mais rastreados como tal.

O governo americano, entretanto, não disse se a criação da unidade está relacionada aos crimes realizados durante a eleição de 2016. Da mesma forma, a Chainalysis também não confirmou se está participando das investigações federais, com Levin não comentando especificamente sobre esse assunto.

Fonte: Wired

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