Hackers atingem bancos russos; o plano era atacar Europa

Por Redação | 22.05.2017 às 13:36

Uma operação hacker iniciada na Rússia tinha como alvo instituições bancárias de toda a Europa, mas foi interrompida pelas autoridades locais. De acordo com as informações oficiais, os criminosos usaram malwares para o sistema operacional Android e chegaram a acumular cerca de US$ 892 mil em fundos, enquanto preparavam um golpe mais sofisticado que teria como alvo a França e outros países do Velho Continente.

Os hackers utilizaram uma vulnerabilidade em um sistema bastante popular na Rússia, que permite a transferência de dinheiro entre cidadãos por meio de mensagens SMS. Utilizando meios tradicionais como e-mails ou anúncios em sites pornográficos ou de comércio eletrônico, os criminosos levavam as vítimas a baixarem aplicativos falsos, que tentavam se passar como os oficiais de bancos ou meios de pagamento.

Clientes de instituições como o Sberbank, um dos maiores do países, bem como do Alfa Bank e da companhia de pagamentos Qiwi foram atingidos em um malware que chegou a mais de um milhão de smartphones na Rússia. Usando os dados inseridos pelas próprias vítimas nos aplicativos falsos, os criminosos ordenavam a transferência de pequenas somas para diversas contas bancárias, em uma tentativa de pulverizar os valores e dificultar identificação.

Ao todo, 16 pessoas foram presas por envolvimento no golpe, em uma ação que ocorreu em novembro do ano passado. Na ocasião, as autoridades também encontraram uma série de ferramentas avançadas para exploração de falhas e planos de atacar três bancos da França, além de instituições em outros países da Europa. O grupo, identificado como “Cron”, que também é o nome do malware utilizado, foi desmantelado antes que os golpes iniciassem.

Segundo informações do governo russo, quatro pessoas continuam presas em associação aos crimes, incluindo o líder da gangue, enquanto as outras permanecem em prisão domiciliar. A operação envolveu buscas em seis regiões da Rússia, rastreadas a partir de centenas de chips de celular e contas bancárias registradas a partir de nomes falsos. O cabeça da operação foi localizado em Ivanovo, uma cidade a 300 quilômetros da capital, Moscou.

Para especialistas, golpes que miram o setor bancário e as transferências por SMS são comuns em países nos quais esse tipo de serviço é popular, como é o caso da Rússia. O sistema tem, por si só, vulnerabilidades graves que o tornam bastante interessante para os criminosos. As instituições atingidas afirmaram estarem tomando medidas para aumentarem a proteção de seus clientes.

Fonte: Reuters