Hacker que vazou documentos confidenciais dos EUA não será extraditado

Por Redação | 05 de Fevereiro de 2018 às 11h59

Chegou ao fim a longa batalha judicial enfrentada por Lauri Love, um hackativista britânico que esteve envolvido no vazamento de documentos confidenciais de diversos setores do governo dos Estados Unidos. De acordo com decisão proferida nesta segunda-feira (05) pela suprema corte da Grã-Bretanha, ele não será extraditado para os Estados Unidos, permanecendo em sua terra natal para responder às acusações relacionadas a um ataque cibernético ocorrido há cinco anos.

Love foi um dos principais nomes da OpLastResort, movida em janeiro de 2013 pelo grupo Anonymous em retaliação ao suicídio de Aaron Swartz. O ativista havia se suicidado no início daquele ano enquanto aguardava julgamento por crimes cibernéticos após liberar gratuitamente uma série de trabalhos acadêmicos dos servidores do MIT, uma das mais prestigiadas instituições de ensino de tecnologia do mundo. Para os hackers, o governo americano queria fazer dele um exemplo, com acusações desproporcionais que teriam levado ao ato desesperado.

No ataque que se seguiu à notícia de que Swartz havia tirado a própria vida, o site da Comissão de Sentenciamento dos EUA, uma organização voltada para aumentar a transparência e reduzir discrepâncias nas decisões do judiciário americano, foi desfigurado. Além disso, documentos protegidos por senha, disponíveis nos servidores da NASA, da Reserva Federal e do exército foram liberados na internet.

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Love foi indiciado e preso pelos crimes em outubro de 2013, sendo solto um ano depois para responder ao processo em liberdade. Ele voltou a ser detido em julho de 2015 a pedido do governo dos EUA, que iniciou um processo de extradição para que ele respondesse aos crimes em solo americano. Ele poderia ser condenado a até 99 anos de prisão e a pagar multas de mais de US$ 9 milhões.

A primeira resposta de Love a essa possibilidade foi afirmar publicamente que seguiria o mesmo caminho de Swartz, cometendo suicídio caso o pedido de extradição fosse aceito. Na sequência, a defesa do ativista entrou com recurso, alegando que ele sofre da síndrome de Asperger, uma forma de autismo que o leva a ter comportamento obsessivo, depressão e eczema. A alegação é de que ele não só não receberia tratamento adequado nos Estados Unidos, como o peso das acusações contra ele e o distanciamento de sua família piorariam suas condições de saúde.

Foi justamente por conta disso que, em 2016, que a Secretária de Estado britânica Amber Rudd permitiu, em 2016, que ele lançasse um último recurso para evitar a extradição. Foi este o dispositivo aceito agora pela suprema corte do país, uma decisão recebida com aplausos tanto de Love e sua família, no interior do tribunal, quanto do lado de fora, onde manifestantes protestavam contra os pedidos do governo dos EUA.

Apesar de ter concordado com a alegação da defesa de que uma extradição agravaria consideravelmente o estado de saúde de Love, a Suprema Corte deixou claro que ele ainda deve responder aos crimes. Para garantir isso, solicitou a cooperação do governo dos Estados Unidos, em um processo que ainda deve se estender por mais alguns anos e no qual ainda existe a possibilidade de uma sentença com multa e algumas décadas na prisão.

Apesar disso, para o ativista, esta semana começa em tom de comemoração. Não apenas devido à vitória na justiça, mas também ao fato de que sua irmã, Natasha, deu à luz horas antes de a decisão ser proferida. O mesmo vale para os manifestantes em prol do ativista, que agora permanecerão de olho para que ele tenha um tratamento justo em relação ao crime que cometeu.

Em breve declaração, ao sair do tribunal, Love afirmou que deseja ver a decisão de seu caso servindo como um precedente para outros casos do tipo, de forma que ativistas e acusados não sejam "sequestrados e presos por 99 anos em um país que nunca visitaram". Ele espera ver um tratamento mais humano e justo contra as medidas "arbitrárias" dos EUA.

Fonte: Telegraph

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