FCC admite que, ao contrário do que afirmou em 2017, não foi atacada por hackers

Por Ares Saturno | 06 de Agosto de 2018 às 22h40

A Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC, na sigla em inglês) afirmou que o ataque hacker divulgado em maio de 2017 nunca chegou a acontecer de fato.

Na época, foi divulgado que a FCC havia sofrido diversos ataques de DDoS com objetivo de fechar o sistema eletrônico de arquivamento de comentários, onde era possível que os cidadãos se manifestassem sobre a proposta de reversão das regras de neutralidade da rede. O anúncio foi feito por meio de um comunicado emitido pela própria Comissão, um dia após a suposta invasão, assinado pelo então diretor de informática, David Bray.

Agora, o presidente da FCC, Ajit Pai, culpa o ex-diretor e o governo Obama por "fornecer informações imprecisas sobre esse incidente para mim, para meu escritório, para o Congresso e para o povo estadunidense". A ausência de provas sobre a suposta invasão hacker foi apontada em um relatório do inspetor geral da FCC, ainda não divulgado ao público.

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Jessica Rosenworcel, comissária da FCC, afirmou: "O Relatório do Inspetor Geral nos diz o que sabíamos o tempo todo: a alegação da FCC de que foi vítima de um ataque DDoS durante o procedimento de neutralidade da rede é falsa. O que aconteceu em vez disso é óbvio — milhões de americanos sobrecarregaram nosso sistema on-line porque queriam nos dizer o quão importante a abertura da Internet é para eles e como estavam aflitos ao ver a FCC reverter seus direitos. É lamentável que a energia e os recursos dessa agência precisem ser gastos desmascarando essa afirmação implausível".

O esclarecimento chega tardio e é insuficiente. Durante os quase 15 meses que separam o anúncio do suposto ataque destas declarações que desmentem o ocorrido, a FCC foi intensamente interrogada, inclusive pelo Congresso estadunidense, sobre a dimensão do dano e sobre o que estava sendo feito para lidar com as vulnerabilidades, sem sucesso. Até o Departamento de Contabilidade do Governo foi chamado para investigar o caso, mas a Comissão sempre se posicionou de forma relutante a dar mais detalhes sobre o incidente. Agora, fica evidente o motivo por trás da relutância da FCC.

Fonte: TechCrunch

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