FBI diz que hackers russos estão atacando empresas de energia e aviação dos EUA

Por Felipe Demartini | 16 de Março de 2018 às 12h57

Em declarações que devem acirrar ainda mais os ânimos entre os dois países, o governo dos Estados Unidos acusou a Rússia de estar executando ataques contra sua infraestrutura desde março de 2016. No alvo do país eurasiático estariam as empresas de energia, tratamento de água e aviação, bem como instalações nucleares e órgãos governamentais dos EUA.

No comunicado realizado em conjunto pelo FBI e o Departamento de Segurança Nacional, os EUA afirmam que o objetivo dos ataques é minar o fornecimento de serviços básicos para a população. O secretário de energia dos EUA, Rick Perry, falou em “guerra digital” e afirmou que, todos os dias, acontecem de centenas a milhares de ataques contra a infraestrutura do país.

Setores comerciais e indústrias também teriam sido atingidos no que as autoridades chamaram de uma “intrusão com múltiplos estágios” e diferentes graus de complexidade. Os golpes, normalmente, começariam por sistemas menores e companhias de software que são fornecedoras do governo. Uma vez implementados na infraestrutura, tais aplicações forneceriam uma porta de entrada para os alvos principais dos hackers.

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Entre as armas utilizadas pelos hackers estariam malwares de roubo de dados e campanhas de phishing e engenharia social, todas com o intuito de obter acesso remoto aos sistemas. O governo não disse quantas tentativas de invasão foram bem-sucedidas, afirmando apenas que existem indícios de sistemas comprometidos principalmente entre as empresas de energia elétrica.

Os relatos concordam com informações publicadas em julho do ano passado pela imprensa americana. Na época, afirmou-se que hackers russos teriam obtido acesso a pelo menos uma dúzia de usinas de energia em diferentes estados americanos, no que seria uma das campanhas de invasão e intrusão mais agressivas já realizadas pelo país.

Depois, em outubro, um relatório da empresa de segurança Symantec atribuiu a onda de golpes a um grupo chamado Dragonfly, que teria ligações diretas com o Kremlin e estaria na ativa desde 2011. Na ocasião, a firma ressaltou a gravidade dessas intrusões e disse que elas poderiam resultar na interrupção do fornecimento de energia e água a milhões de americanos.

Segurança analógica

Ao emitir o alerta, entretanto, o governo dos EUA afirmou que, pelo menos quando o assunto é a energia nuclear, os sistemas críticos estão protegidos contra hackers. Isso se deve ao fato de os sistemas centrais de usinas desse tipo não possuírem elementos digitais – elas confiam em tecnologia desenvolvida há décadas e que vem sendo atualizada e retrabalhada, é verdade, mas, ao mesmo tempo, não permite acesso remoto.

Entretanto, existe preocupação quanto à manipulação de turbinas e sistemas de segurança voltados para panes mecânicas, como os voltados para a dispersão de calor no caso de uma interrupção no funcionamento de sistemas de ventilação. Além disso, no caso de geradoras tradicionais de energia ou plantas de tratamento de água, o temor é quanto a manipulação de sistemas que possam interferir no fornecimento.

Com isso, o FBI emitiu alerta às empresas do setor e também às fornecedoras de software e sistemas de segurança para que intensifiquem a proteção a seus sistemas e tomem cuidado com eventuais ataques. A recomendação é redobrar a atenção, principalmente em relação a campanhas de phishing e malwares que possam abrir portas para invasão.

As declarações vêm na mesma semana em que a Casa Branca anunciou sanções a agências de inteligência russas, bem como empresas de comunicação do país, devido ao envolvimento na campanha de manipulação das eleições presidenciais de 2016. Entre os indiciados está o empreendedor bilionário Yevgeniy Prigozhin, aliado do presidente Vladimir Putin e com diversos contratos firmados com o governo russo.

Fonte: Bloomberg

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