EUA e Rússia estão na iminência de uma guerra cibernética, diz analista

Por Carlos Dias Ferreira | 27 de Julho de 2018 às 21h40
Divulgação

Estariam Rússia e EUA em vias de protagonizar uma versão 2.0 da Guerra Fria — em um embate agora propulsionado por avanços de internet e Inteligência Artificial? Para o Diretor do Centro para Segurança Interna e Cibernética da Universidade George Washington, Frank J. Cilluffo, esse é um desdobramento altamente provável diante da sequência de ataques conduzidos por hackers russos a empresas utilitárias estadunidenses — conforme endossado por relatório federal emitido na última quinta-feira (26).

Em texto coescrito pela diretora associada Sharon L. Cardash, Cilluffo explica que há uma linha tênue entre sondagem e ataque. Em outros termos, ainda que o conflito atual entre cérebros e computadores de ambos os países não tenha chegado às proporções de eventos catastróficos como o ataque russo à central de energia ucraniana em 2015, é possível que ninguém realmente saiba identificar o ponto em que as tentativas veladas eventualmente se transformem em investidas diretas.

“A distinção entre explorar pontos fracos e coletar informações — processo também conhecido como ‘preparação de inteligência para o campo de batalha — e o uso dessas vulnerabilidades para realmente causar estrago é muito sutil; isso depende da intenção das pessoas envolvidas”, escreve o pesquisador ao site Science Alert. “O problema é que intenções são notoriamente difíceis de descobrir.”

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Aliança cibernética internacional

E é provável que o limite entre a sondagem e a guerra escancarada se torne ainda mais vago no futuro. Afinal, com o proverbial avanço a galope de tecnologias voltadas para o aperfeiçoamento de comunicações e aprendizados de máquina — para o bem e para o mal —, talvez se chegue a um ponto em que morar em um pais “em paz” não signifique mais muita coisa.

Para Cilluffo, a solução deve passar necessariamente pela criação de uma aliança internacional; um órgão voltado à instrução de entidades públicas e privadas, a fim de torná-las mais capazes de se defender. “O perigo (...) reforça a importância de um acordo de colaboração internacional focado em definir o que constitui um ato de guerra no ciberespaço e em especificar regras claras de participação”.

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Embora iniciativas assim já tenham surgido entre várias empresas, o pesquisador reforça que é preciso existir reforço de instituições governamentais. Afinal, no caso dos EUA, por exemplo, 85% das empresas ligadas a serviços vitais — incluindo fornecimento de água, energia e telecomunicações — pertencem ao setor privado.

Apenas uma delas, a Duke Energy Corporation, reportou recentemente que sofreu mais de 650 milhões de tentativas de invasão em seu sistema apenas em 2017. “É um fardo muito grande para ser deixado sobre os ombros do setor privado”, diz Cilluffo. “Essas empresas estão agora no centro de um campo de guerra cibernético.”

IA e o novo governante do mundo

Conforme colocou o Departamento de Segurança Interna dos EUA em seu relatório recente, um dos maiores receios do governo atualmente é que os ataques perpetrados por hackers russos sejam apenas uma trincheira avançada para ferramentas mais sofisticadas. Em termos: teme-se que novos ataques possam ganhar o reforço de dispositivos de Inteligência Artificial (IA), levando a uma verdadeira guerra automatizada.

“Essa possibilidade (...) pode ser um sinal de que a Rússia esteja considerando deixar de explorar as utilitárias dos EUA para iniciar um verdadeiro ataque contra elas”, alerta o pesquisador. De fato, algo condizente com o que mencionou o presidente russo em discurso proferido no ano passado: “Quem conseguir se tornar um líder na inteligência artificial se tornará também o governante do mundo”. Para fazer justiça, vale notar que postura semelhante já pôde ser percebida também em vários outros estadistas, incluindo o presidente chinês Xi Jinping.

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Mas a IA não é o único perigo desse temerário xadrez global cibernético. “A Internet das Coisas, por exemplo, conecta aparelhos físicos de formas que mesclam o mundo virtual e o real”, lembra Cilluffo. Acrescente a isso ainda a computação quântica e formas variadas de aprendizado de máquina, e daí se vai à guerra — ou à formação de gerações incrivelmente paranoicas. É esperar para ver.

Fonte: Science Alert

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