Empresa que vende software de espionagem para governos foi hackeada

Por Redação | 07 de Julho de 2015 às 08h06
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Uma empresa italiana conhecida por fornecer um software de vigilância que ajuda os governos a interceptar dispositivos móveis e espionar as atividades online dos cidadãos foi hackeada. A "Hacking Team" já existe há alguns anos, mas ganhou as manchetes no ano passado após especialistas em segurança revelarem que seu software oferecia às agências de inteligência dos governos acesso remoto a sistemas operacionais móveis.

O sistema criado pela empresa permitia acesso a dados de texto, ligações, dados de localização e outras formas de comunicação digital. Ele pode até mesmo permitir que as agências capturem screenshots do histórico de pesquisa dos usuários. "Em suma, ele é um malware vendido aos governos", descreve a Citizen Lab, uma das organizações responsáveis por detalhar a extensão das atividades de espionagem no ano passado.

Porém, parece que o feitiço virou contra o feiticeiro e a própria equipe da Hacking Team teve seu sistema invadido. Os invasores publicaram 400 GB de documentos, código-fonte e e-mails internos para o público em geral. Até mesmo a conta do Twitter da empresa foi comprometida e usada para postar um link direto para o arquivo contendo os dados roubados.

Detalhes contidos nos dados vazados sugerem que a empresa forneceu seu software de espionagem para uma série de países que poderiam causar controvérsia. Apesar de em 2014 a Hacking Team ter alegado que não fornecia ferramentas para o Sudão, a Citizen Lab alega que a lista divulgada pelos hackers sugere exatamente o contrário.

Uma fatura no valor de 480 mil euros sugere ainda que a empresa se comprometeu a não dizer publicamente o que acontecia nos bastidores. Porém, o fato do Sudão possuir certas restrições de negociações impostas pela União Europeia pode levar problemas para a Hacking Team. Curiosamente, três agências norte-americanas também aparecem na lista de manutenção da empresa: o Departamento de Defesa (listado como contato não ativo), o DEA (órgão responsável pela repressão e controle de narcóticos) e o FBI.

Embora grande parte do conteúdo vazado não seja tão surpreendente e não fuja tanto dos dados que já sabíamos sobre a empresa, ele oferece uma visão interessante sobre um negócio controverso. A organização não governamental Repórteres sem Fronteiras (RSF) já havia adicionado a Hacking Team ao seu índice anual “Inimigos da Internet” devido à sua contribuição para a espionagem de governos, mas esse último vazamento pode ter adicionado ainda mais lenha na fogueira da desconfiança contra a empresa.

Via Venture Beat

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