Ciberataques foram responsáveis por blecautes na Venezuela, diz Maduro

Por Felipe Demartini | 11 de Março de 2019 às 10h35

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou por meio do Twitter que ataques cibernéticos foram os responsáveis pelos quatro dias de blecaute que atingiram o país. Em publicação feita neste domingo (10), o líder reforçou fala de outros representantes do governo, que acusa os Estados Unidos de praticarem sabotagem em uma tentativa de minar os esforços de recuperação do país.

Enquanto Maduro falou em um ataque ao Sistema Elétrico Nacional, representantes do governo dão mais detalhes sobre o que aconteceu. Segundo Jorge Rodriguez, ministro da comunicação e informação do governo, o alvo do ciberataque foi a usina hidrelétrica de Guri, que produz 80% da eletricidade que abastece o país. Ela é a terceira maior unidade desse tipo no mundo, localizada no Rio Caroni, a cerca de 700 quilômetros da capital.

Esta segunda-feira (11) marca o quinto dia de apagão, com a falta de energia se refletindo na queda de conexões com a internet e sinais de celular. Além disso, a falta de alimentos se intensificou ainda mais depois que perecíveis não puderam mais ser armazenados da maneira adequada, gerando filas nos supermercados. O blecaute também levou muita gente aos postos de gasolina e gerou falta de água na capital, Caracas, e diversas outras cidades do interior. 17 pessoas teriam morrido nos hospitais do país por conta do desligamento da eletricidade.

Rodriguez afirma que o governo americano não faz questão nem de esconder seu envolvimento, com o senador Marco Rubio tendo compartilhado nas redes sociais informações sobre o apagão apenas minutos depois de seu início. O porta-voz do governo o acusa de envolvimento no ataque, que chamou de "o golpe mais brutal recebido pelo povo venezuelano nos últimos 200 anos".

O ciberataque, segundo ele, teria atingido os sistemas de controle automatizado da hidrelétrica de Guri. A tecnologia é a responsável por controlar a geração de energia de acordo com a capacidade da usina e também a demanda vinda das cidades, com o golpe gerando uma paralização de emergência no mecanismo em prol da segurança da instalação. O governo teria agido imediatamente para reverter os danos, em um trabalho que teria ocorrido ao longo de todo o final de semana.

A ideia de que os EUA estariam por trás da falta de eletricidade também foi ventilada, no final de semana, pelo ministro de energia do país, Luis Motta. Ele, juntamente com outros representantes do governo, prepara uma apelação ao Escritório do Alto Comissário para os Direitos Humanos da ONU, acusando o país rival de colocar todo o país e seu povo em risco, na tentativa de influenciar politicamente o que acontece na região.

Um dos personagens da grave crise que se instalou na Venezuela nas últimas semanas, Juan Guaidó fará nesta segunda um pedido ao parlamento para que estado de emergência nacional seja declarado no país. O autoproclamado presidente afirma que, por mais que a situação esteja começando a se normalizar em Caracas e em alguns estados da federação, o problema está longe de ser resolvido. Ele culpou anos de abandono e corrupção como as causas para o apagão, que começou na última quinta-feira (7).

A falta generalizada de energia intensifica ainda mais uma crise humanitária e política que vem assolando a Venezuela ao longo das últimas semanas. Protestos tomaram conta das ruas de Caracas e confrontos violentos entre militantes pró-governo ou a favor de Guaidó são notícia constante. Os Estados Unidos impuseram sanções ao país, no que foi citado por Maduro como mais uma de tantas tentativas dos americanos de usurparem o poder.

Fonte: Al-Jazeera, Reuters

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