Projeto de mobilidade urbana de SP contratará hackers por até R$ 6 mil

Por Redação | 18 de Março de 2014 às 18h30

A São Paulo Transportes (SPTrans) e a prefeitura de São Paulo estudam a contratação de hackers e desenvolvedores para projetos de melhoria do trânsito na cidade. O Laboratório de Mobilidade deverá ser inaugurado pela empresa na próxima quarta-feira (20) e tem como objetivo encontrar soluções para a mobilidade urbana na capital paulista a partir do monitoramento e gerenciamento dos meios de transportes públicos da cidade.

Em entrevista ao site G1, Ciro Biderman, chefe de gabinete da presidência da SPTrans, disse que a intenção é explorar a tecnologia a serviço do trânsito. “O nosso objetivo é usar a tecnologia para melhorar as condições de mobilidade urbana”, complementa.

A equipe contratada terá salários que variam entre R$ 351,90 e R$ 5,9 mil, em valores determinados conforme função, experiência e qualificações gerais. Os desenvolvedores deverão aperfeiçoar os sistemas já existentes a fim de criar formas mais completas de gerenciamento de trânsito na capital.

Além disso, a equipe também deverá focar na área de hardware, modificando equipamentos eletrônicos, como semáforos e placas, ampliando suas funções e garantindo uma interligação em todo o sistema.

O valor dedicado ao projeto será gerenciado pela Universidade de São Paulo (USP) em forma de bolsas de apoio à pesquisa. Com a abertura do escritório, na próxima semana, ao menos dez vagas também devem ser abertas.

Estrutura completa funcionará 24h por dia

Para oferecer flexibilidade aos programadores, o laboratório deve ficar aberto durante as 24h do dia. Além de espaço para que os desenvolvedores acomodem seus equipamentos pessoais, o laboratório deve contar com 15 desktops, salas de reuniões equipadas e espaços de descanso.

O projeto é derivado das maratonas “hackatons”, promovidas pela FGV em parceria com a SPTrans e a Controladoria Geral do Município. Entre os sistemas concorrentes, o vencedor da maratona foi o "Cadê o Ônibus", que oferece consulta a linhas de ônibus, além de informações completas sobre o trânsito. Alguns participantes da maratona já foram convidados pela SPTrans para fazer parte do novo projeto.

Expectativas

O laboratório deverá contar com diversos grupos de estudo, que seguirão cada um a sua linha de trabalho, com diferentes focos para a melhoria do trânsito. Uma equipe estará responsável pela coleta de dados recebidos por meio de equipamentos já existentes da SPTrans, como radares, localizadores de ônibus, semáforos e até mesmo câmeras.

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Trânsito em São Paulo terá melhorias com a ajuda de hackers (Imagem: Reprodução/Levi Bianco)

Embora o trabalho ainda não esteja definido, a Prefeitura de São Paulo já tem grandes expectativas quanto a resolução dos problemas. Biderman cita, por exemplo, a possibilidade de acompanhar a velocidade média dos ônibus e o uso das catracas em tempo real. Desta forma, seria possível controlar o número de veículos dentro de uma frota, enviando mais ônibus para determinada linha em horários específicos caso a lotação seja máxima nos veículos que já rodam pela cidade.

Atualmente, o sistema da SPTrans recebe mais de 15 milhões de registros de localização enviados por equipamentos de GPS instalados nos ônibus. Espera-se que, com o início do projeto, o volume de dados cresça ainda mais. Uma das negociações da secretaria é com o Sindicato dos Taxistas, para que a localização do GPS destes carros também seja compartilhada com o órgão público.

Hackatona CET

A Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo (CET) também deve promover um Hackathon no final deste mês. O evento, batizado de Hackatona CET (uma versão brasileira do termo), ocorrerá entre os dias 22 e 23 de março, durante o período de 24 horas. Os melhores projetos concorrerão a prêmios de até R$ 10 mil. As inscrições foram prorrogadas e podem ser feitas até o próximo domingo (16) no site oficial do evento.

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