Prisão, ativismo e LulzSec: hacker "Topiary" conta tudo no Ask.fm

Por Redação | 10 de Setembro de 2013 às 13h31

O jovem hacker Jake Davis, mais conhecido como "Topiary", se envolveu com uma série de ataques atribuídos ao grupo LulzSec, o que culminou em sua condenação ao cumprimento de uma pena em uma instituição para jovens infratores. Topiary era responsável por cuidar da conta do LulzSec no Twitter. Apesar de a conta ainda possuir mais de 330 mil seguidores, o jovem hacker afirma que não possui mais acesso a ela.

O LulzSec era um grupo de hackers que teve seu auge em 2011, mas se desfez logo após uma onda de ataques cibernéticos de alto perfil. Depois de causar uma série de problemas a gigantes como Sony Pictures e até mesmo a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA), Davis foi preso pelas autoridades britânicas e condenado a dois anos de prisão, mas conseguiu ter sua pena reduzida para apenas 37 dias de reclusão.

Em junho de 2013, quase dois anos após ser pego pela polícia, Davis voltou a navegar pela web. Isso porque parte da sua pena dizia que ele estava proibido de utilizar a internet, e agora ainda vive sob monitoramente intenso das autoridades e legalmente proibido de falar com qualquer pessoa envolvida com o Anonymous ou LulzSec. Ele também está proibido de criar arquivos criptografados, limpar seus dados ou seu histórico na Internet.

No mês passado, Davis resolveu utilizar o site Ask.fm para responder uma série de perguntas e curiosidades daqueles que acompanham sua trajetória. A maioria das respostas de Davis é carregada de ironia e sarcasmo, algo próprio de quem lidava com a comunicação social de um grupo hacker. Confira os principais pontos abordados por ele:

WikiLeaks e LulzSec

Quando questionado sobre os possíveis laços entre o WikiLeaks e o LulzSec, ele disse que essa era uma pergunta complicada, mas que a resposta mais curta seria "não". O jovem hacker alega que única comunicação entre os grupos foi feita por meio de informantes do FBI, que tentavam incriminar ambas as organizações.

Ainda sobre as diferenças entre os dois, ele disse que o "WikiLeaks está provocando um debate para levar a responsabilidade para aqueles que usam a censura e operações secretas para trazer frutos para suas próprias agendas corruptas, como assassinar crianças com drones", enquanto o LulzSec "era apenas uma paródia infantil de uma empresa de publicidade destinada a zombar da maneira como todos nós consumimos e aceitamos as mídias sociais".

Origem do LulzSec

"Nós inventamos o LulzSec durante alguma conversa entediada em algum servidor de IRC abandonado. Ele se chamava 'Lulz Leaks', mas depois eu esqueci de todas as senhas e tivemos que mudar o nome", disse Davis em resposta no Ask.fm. Ele diz ainda que o logo também foi escolhido de maneira aleatória em meio a uma série de imagens. "Eu sequer chamaria isso de uma conspiração, porque isso implicaria algum nível de organização".

LulzSec

O logotipo do LulzSec, com monóculo e cartola, foi escolhido de forma aleatória, de acordo com Jake Davis (Imagem: Internet)

Prisão

"A prisão é mesmo ruim?" pergunta um dos curiosos. Davis diz que eles apenas "pegam os seres humanos capazes e desperdiçam seu tempo". Ele diz ainda que durante os 37 dias em que ficou preso ajudou as pessoas a ler, escrever e compreender seus processos judiciais e, caso precisasse cumprir os dois anos atrás das grades, ele se envolveria com o serviço de rádio da prisão para liberar algumas "batidas através das ondas de rádio".

Mistério dos Bitcoins

Bitcoins

Quando os membros britânicos do LulzSec foram condenados em maio, um mistério sobre a localização de alguns bitcoins que haviam sido enviados para a "carteira" do grupo ainda ficou no ar. Davis diz que a hipótese de que um membro ainda não identificado do grupo ter fugido com as tais moedas virtuais é "altamente improvável".

Ele acredita que a conta do grupo foi paralisada depois de sua prisão, e que a própria polícia assumiu o controle da mesma. No momento de sua prisão, o grupo possuía 700 Bitcoins em doações (que atualmente deveria valer US$ 186 mil). "Eu não posso afirmar que os 700 [bitcoins] ainda existem, porque eu acredito que Sabu desperdiçou uma grande parte do dinheiro, provavelmente o usou para comprar servidores com os quais armou para prender outros hackers para seus superiores do FBI".

Davis se refere a Hector Monsegur, mais conhecido como "Sabu", um membro do grupo que trabalhou com autoridades americanas para delatar seus ex-companheiros. Sabu foi preso, e em seguida resolveu colaborar com FBI, revelando informações importantes para a prisão de outros membros dos grupos Anonymous e LulzSec.

Ativismo e planos futuros

Mesmo com toda essa história em seu currículo, Jake Davis tem apenas 20 anos. Porém, ele diz que não tem planos para se tornar um ativista. "Não tenho conhecimento ou estou confiante o suficiente para me tornar um porta-voz para algo tão importante quanto o ativismo digital. É lisonjeiro que tantas pessoas pareçam pensar que eu sei o que estou falando, mas é muito, muito fácil parecer informativo e inspirador através da Internet".

Ele ainda acrescenta: "Eu era um jovem muito estúpido e eu me arrependo de 95% do que eu fiz, mas agora eu tenho um rastro enorme de ofertas de emprego, um grupo sólido de amigos que me apoiaram durante a proibição da Internet há dois anos / monitoramento eletrônico / julgamento / prisão".

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