Nada de Coreia do Norte: russos podem ser os responsáveis por ataque à Sony

Por Redação | 04.02.2015 às 17:00

Pouco a pouco, o mundo está se esquecendo de toda a polêmica do final do ano passado envolvendo o lançamento do filme “A Entrevista” e a invasão dos sistemas internos da Sony Pictures, em um dos maiores ataques hackers da história recente. Agora, uma empresa de segurança norte-americana veio a público para colocar mais lenha na fogueira, afirmando que os verdadeiros responsáveis pelo golpe, na verdade, não são da Coreia do Norte, e sim da Rússia.

Essa é a constatação da Taia Global, que diz ter localizado diversas negociações de venda de informação e acesso aos servidores da Sony. A operação estaria acontecendo de forma sigilosa desde novembro e, inclusive, continuaria funcionando enquanto a empresa ainda luta para se recuperar dos danos causados pelo roubo e vazamento de informações como dados pessoais de atores, trocas de e-mails entre produtores e até filmes que ainda nem haviam estreado.

À Forbes, o diretor da empresa, Jeffrey Carr, disse que as informações descobertas agora foram passadas por um hacker ucraniano, que seria dissidente do grupo envolvido na operação. Ele teria recebido planilhas que não fariam parte dos vazamentos originais, além de mais informações pessoais de funcionários da Sony. Os documentos teriam sido obtidos nos dias 14 e 24 de janeiro, respectivamente, indicando que um ou mais hackers ainda estão com acesso aos sistemas da produtora. A legitimidade das informações também teria sido confirmada por empregados da companhia.

Outra peça importante nas novas revelações seria Yama Tough, um hacker condenado por crimes digitais e preso no estado americano de Washington. Em depoimento, ele disse que antes de ser pego realizava serviços para o governo da Rússia, assim como um dos hackers que estaria vendendo as informações da Sony. O trabalho é rápido e discreto: invadir sistemas, roubar as informações necessárias e sair sem deixar vestígios.

A Taia deixa bem claro que não há indícios de que o governo russo estaria envolvido na operação, mas que os responsáveis pelo ataque teriam, sim, ligações governamentais. Mais do que isso, as novas revelações colocam ainda mais dúvidas sobre as afirmações do FBI e da Casa Branca de que hackers a serviço da Coreia do Norte estariam por trás dos ataques em retaliação ao lançamento de “A Entrevista”.

Mais do que isso, para a empresa de segurança, o estado precário dos sistemas de segurança do estúdio de cinema deixam claro que ele pode ter sido invadido por outros criminosos que, claramente, ainda possuem acesso a eles. Se os russos estão por lá, é possível que outros grupos também estejam, o que torna o trabalho de reconstrução e restabelecimento das operações, que já era difícil, ainda mais complexo.

Oficialmente, o governo da Coreia do Norte negou as acusações de que estaria por trás dos atentados e, inclusive, afirmou que esta seria mais uma forma, assim como o próprio “A Entrevista”, de atacar o país. Enquanto isso, a Casa Branca impôs ainda mais sanções à nação asiática, aumentando o distanciamento que já era grande o bastante.