Hackers fazem usina nuclear iraniana tocar AC/DC no último volume

Por Redação | 08 de Agosto de 2014 às 10h00

É uma anedota engraçada, mas que em mãos erradas, poderia acabar em catástrofe. O especialista em segurança Mikko Hypponen revelou que, em 2010, uma invasão aos sistemas de tecnologia de uma usina nuclear no Irã resultou em todos os computadores do local tocando, em alto e bom som, a música Thunderstruck, da banda AC/DC. A história foi contada durante a conferência Black Hat, que terminou nesta quinta-feira (7) em Las Vegas.

O caso de quatro anos atrás teria sido relatado por email ao consultor de segurança em TI, e serve como um alerta para os perigos de uma estrutura totalmente conectada à internet, principalmente no que toca serviços e infraestrutura.O responsável por enviar a história, claro, não foi identificado, mas seria um cientista nuclear que faz parte da Organização de Energia Atômica do Irã. As informações são do Venture Beat.

Segundo Hypponen, o caso veio à tona logo após a descoberta do Stuxnet, um vírus espião que teria sido criado pela NSA, em conjunto com o governo de Israel, justamente para invadir sistemas de países rivais, principalmente aqueles envolvidos com pesquisa de energia ou armas nucleares. Os ataques da praga aos serviços iranianos foram confirmados por documentos vazados e teriam levado inclusive a danos físicos aos equipamentos do país, como centrífugas que foram ordenadas a girar tão rápido que acabaram queimando.

O especialista finlandês especula que essa era justamente a mensagem que o hacker responsável pelo ataque queria enviar. A de que o governo iraniano estava completamente à mercê de criminosos e espiões virtuais que, se são capazes de ativar centrífugas ou tocar músicas em alto volume, também seriam capazes de causar danos muito maiores.

Mais do que isso, a escolha da canção soa como um desafio. Assim como diversos outros ritmos musicais e artigos ocidentais, a banda AC/DC é oficialmente banida pelo governo iraniano, o que torna a reprodução de Thunderstruck em uma base governamental ainda mais simbólica. Ouvir o som é ilegal, mas nesse caso, os cidadãos nada puderam fazer.

Mais do que tocar a música, os invasores tiveram acesso de administrador aos sistemas da usina e conseguiram deletar os registros de sua passagem por lá. Especialistas em segurança teriam tomado as atitudes necessárias para conter o problema, e os invasores nunca mais foram detectados. Resta saber se o acesso deles permanece, mas apenas nunca mais foi usado, ou se a ameaça, pelo menos desta vez, foi contida.

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