Venezuela bloqueia uso da rede Tor em todo o país

Por Felipe Demartini | 26 de Junho de 2018 às 10h08

O governo da Venezuela baniu completamente o uso da rede Tor em todo o território nacional. A proibição não veio por meio de um anúncio oficial, mas sim após a denúncia de ativistas que expõem mais uma etapa de uma operação de censura que, há alguns meses, também bloqueou o acesso dos cidadãos a veículos locais de mídia que se posicionavam na oposição ao governo.

O próprio site responsável pela denúncia, o Hipertextual, não pode mais ser acessado pelos venezuelanos, que vinham adotando cada vez mais a utilização da Tor como meio de escapar dos bloqueios. Redirecionando o tráfego por diversos servidores em todo o mundo, a rede cria “túneis” que garantem o anonimato, a privacidade e, principalmente, a fuga de operações de censura como a realizada pelo governo venezuelano.

Seu uso, inclusive, aumentou consideravelmente desde fevereiro, quando o governo de Nicolás Maduro iniciou suas operações de censura. O total de usuários saltou de cerca de cinco mil para mais de 35 mil, atingindo um ápice em junho, ultrapassando a marca dos 40 mil utilizadores, antes de sofrer uma queda vertiginosa por causa da proibição.

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A denúncia foi feita pelos líderes de organizações governamentais em prol da liberdade na internet como a Redes Ayuda e a Venezuela Inteligente. Eles afirmam que o governo de Maduro encontrou um método bastante sofisticado de bloqueio não apenas da rede Tor, mas também de VPNs, impedindo o tráfego de dados pelos túneis que levavam as informações do país até os servidores localizados internacionalmente e que eram responsáveis pelo anonimato.

Isso se deve ao fato, por exemplo, de pontos de acesso Tor estarem com seu funcionamento impedido, mas os protocolos continuam operando normalmente. A censura também atinge diretamente a CANTV, a Companhia Anônima de Telefones da Venezuela, provedor estatal de serviços de comunicação e internet, atingida pelas ordens de bloqueio aplicadas sobre os veículos de mídia da oposição.

Em abril, as Nações Unidas condenaram publicamente os atos de Maduro, afirmando que a regulamentação da mídia e das comunicações aplicada por ele no país se assemelham mais à censura, pois envolve o impedimento no acesso a determinados veículos e a detenção de jornalistas. Para o órgão, tais atitudes são desproporcionais e incompatíveis mesmo com o estado de emergência em que a nação se encontra.

A Venezuela está, atualmente, passando pela pior crise de sua história, com uma recessão contínua que vem desde 2013 e inflação meteórica, que levou à escassez de produtos nas prateleiras dos supermercados. O principal fator a ser considerado aqui é a baixa no preço do barril de petróleo, elemento que serve como a base da economia do país.

O governo do país ainda não se pronunciou sobre o bloqueio à rede Tor. Além de sites de notícias e do sistema protegido de navegação, redes sociais como o Twitter também tiveram seu funcionamento impedido na Venezuela como parte da operação de censura governamental.

Fonte: Hipertextual

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