Testes com a chamada 'pílula do câncer' começam hoje, em São Paulo

Por Redação | 25 de Julho de 2016 às 19h30

Segundo informações da Agência Brasil, os primeiros testes clínicos para verificar as propriedades da fosfoetanolamina sintética começaram a ser realizados hoje, (25), na capital do estado de São Paulo. Na primeira fase dos testes, dez pacientes receberão a pílula que é destinada ao tratamento de vários tipos de câncer. Os medicamentos cedidos aos que concordaram em participar das verificações serão controlados, e os pacientes serão monitorados por profissionais do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP).

Caso a primeira fase dos testes obtenha sucesso, o ICESP deverá realizar um segundo experimento, desta vez com 21 pacientes, e que ajudarão os pesquisadores a avaliar os efeitos da fosfoetanolamina em relação a 10 tipos de tumores diferentes, tais como os que atacam os pulmões, as mamas, colo uterino, o cólon, a próstata, a cabeça, o pâncreas, o estômago, o reto, o fígado e a pele. Este último, especificamente chamado melanoma, o tipo mais grave do câncer de pele.

Fosfoetanolamina

A campanha "Quem tem câncer tem pressa" pressionou as autoridades para que a distribuição do composto fosse formalizada (Foto: Reprodução/O Globo)

Ainda de acordo com a Agência Brasil, caso os resultados desses dois primeiros testes sejam positivos no sentido de comprovarem a eficácia do medicamento, serão realizados experimentos posteriores com um total de até mil pacientes. Os testes foram aprovados na Comissão Nacional de Ética em Pesquisa, do Ministério da Saúde, e a Fundação para o Remédio Popular (FURP SP) se encarregou de ceder o material para que os procedimentos fossem realizados.

O ICESP também afirmou que o pesquisador apontado como quem iniciou os testes com a substância sintetizada, Gilberto Chierice, irá acompanhar todo o processo. Em 2014, Chierice causou polêmica ao distribuir cápsulas do composto, que era sintetizado num dos laboratórios de Química da USP, para pessoas diagnosticadas com os mais variados tipos câncer. No mesmo ano, a universidade proibiu a produção de quaisquer substâncias sem um registro de origem e destinação, o que despertou protestos e pedidos por testes formais com a droga em todo o país.

Apesar de estar envolvido com as pesquisas sobre a fosfoetanolamina, Chierice não faz mais parte do corpo de professores da USP. No período em que a polêmica da chamada "pílula do câncer" teve seu ápice, Chierice foi bastante criticado por diversos pesquisadores da área, principalmente por distribuir o medicamento sem documentar os efeitos dele sob os pacientes que o tomavam. Por causa da pressão pública feita em prol da liberação do medicamento, que por sinal não é proibido por lei, os testes com a fosfoetanolamina foram adiantados pelos órgãos públicos.

Via: Exame