Serra Leoa não utilizou blockchain para contagem de votos

Por Ares Saturno | 20 de Março de 2018 às 17h45

Ao contrário do que noticiamos, não houve uso da tecnologia Blockchain em nenhum dos processos eleitorais nas votações em Serra Leoa, ocorridas em 7 de março.

As notícias afirmando que havia ocorrido a primeira eleição a utilizar Blockchain como forma de assegurar a transparência e democracia vieram após alegações da companhia suíça Agora, que afirmou ter auxiliado o sistema eleitoral do país da África Ocidental a realizar a contagem de votos por meio da tecnologia baseada em criptografia.

Em um tweet no último domingo (18), a Comissão Nacional Eleitoral (NEC) de Serra Leoa explicou que não houve uso de blockchain em nenhuma das etapas da votação, como pode ser visto na reprodução abaixo:

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Todos os procedimentos de contagem de votos foram feitos manualmente, conforme explica Tamba Lamin, um cidadão de Serra Leoa que explicou todo o processo eleitoral do país em uma postagem em seu blog no Medium, a fim de esclarecer os enganos. Segundo a publicação, as votações de lá lembram bastante as votações no Brasil, com a diferença de utilizar cédulas de papel ao invés das urnas eletrônicas.

A farsa

Dois dias após as eleições, em 9 de março, a empresa suíça Agora postou em seu blog no Medium que havia participado da apuração dos votos dos distritos ocidentais de Serra Leoa, fornecendo um sistema baseado em blockchain inédito no mundo que permitiu que a contagem de votos fosse segura e rápida.

Na verdade, a Agora teve acesso como "observadora internacional" em 250 dos locais de votação no oeste do país, que conta, no total, com mais de 11.200 locais de votação. Isso significa que a Agora pôde observar pouco mais de 2,23% dos eleitores do país, tendo inclusive a liberdade de proceder com contagem dos votos de forma independente, porém sem nenhum impacto nos resultados oficiais, de responsabilidade exclusiva do NEC.

Funcionários da justiça eleitoral de Serra Leoa fazem a contagem de votos manualmente (Foto: Issouf Sanogo / AFP)

De acordo com uma análise posterior, a apuração feita pela empresa suíça diferiu consideravelmente dos resultados oficiais, segundo estudo estatistíco feito pelo site RFI.

Em uma nota explicativa publicada no Medium, a Agora explicou o ocorrido de forma mais clara, mas acabou acusando uma organização chamada Sierra Leone Open Election Data Platform (SLOEDP) e o próprio Tamba Lamin por terem incentivado uma onda raivosa que está atacando a imagem da companhia. A nota não contém nenhum tom apologético pela posição assumida anteriormente, que permitia interpretações bastante distantes da realidade.

Fonte: The Next Web, Medium (1), (2) e (3)

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