Novo presidente dos Correios mantém discurso incerto sobre privatização

Por Wagner Wakka | 27 de Junho de 2019 às 11h59
Antonio Cruz/Agência Brasil

Ao tomar posse como novo presidente dos Correios, o general Floriano Peixoto Neto não indicou mudanças na postura de comando e não confirmou a venda da estatal para a iniciativa privada. Ele assumiu o cargo nesta segunda-feira (24) após a demissão de Juarez Aparecido Cunha, claramente manifesto contra a privatização da empresa.

Quando questionado sobre o caso pela imprensa local, ele manteve o discurso de indefinição: “Uma coisa de cada vez. Vamos trabalhar para a empresa crescer. É isso que todos nós queremos. O Correios é do Brasil, é uma empresa nossa, e que nós temos muito orgulho”.

Peixoto Neto entrou no cargo após Cunha ter sido acusado de agir com a oposição em uma audiência pública na Câmara. Dessa forma, ele foi indicado pelo Presidente Jair Bolsonaro, que já confirmou o interesse na venda.

Em contato com a assessoria dos Correios, o Canaltech apurou que ainda não há movimentação para o processo de privatização. Ainda, nesta semana surgiram rumores de que a Amazon e o Alibaba estariam ambos interessados em comprar a estatal. A dupla ainda poderia se unir a bancos locais para comprar a infraestrutura de entregas do país, enquanto a instituição financeira se aproveitaria do serviço postal já bem estabelecido.

Sobre este rumor, os Correios também informaram ao Canaltech que não há nenhuma negociação. A Amazon recusou-se a comentar o caso, sendo que o Alibaba não respondeu ao pedido de entrevista.

Estudos

Em abril deste ano, Bolsonaro informou pelo Twitter que havia dado autorização para início de estudos de privatização dos Correios. Desde então, pastas da Economia estão se reunindo com a diretoria da empresa para estudar a venda.

Sobre tais estudos, os Correios confirmaram por e-mail ao Canaltech de que estão em andamento. “Os estudos já foram iniciados, no entanto ainda não há previsão para sua conclusão”, informou nota da empresa.

Segundo a Agência Brasil, a estatal tem 356 anos de existência. A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos é subordinada hoje ao Ministério das Comunicações, Ciência, Tecnologia e Inovação. Após prejuízos registrados entre 2103 e 2016, a estatal registrou lucro de R$ 161 milhões em 2018 e de R$ 667,3 milhões em 2017.

A decisão de venda, contudo, ainda vai precisar passar pelo Congresso Nacional. No começo deste mês, o Superior tribunal Federal (STF) decidiu que todas as estatais controladas pela União precisam passar por votação do Congresso antes de serem finalizada. As possíveis negociações dos Correios passariam por este processo.

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