Nova campanha pede internet de 10 MB nas escolas até 2016

Por Redação | 12 de Agosto de 2015 às 15h07
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A Fundação Lemman e o Instituto Inspirare, em parceria com o Instituto de Tecnologia & Sociedade, criou uma nova campanha que pretende disponibilizar internet de 10 mega em todas as escolas até 2016: a Internet na Escola.

De acordo com os seus idealizadores, além de uma boa infraestrutura, é necessário que a rede possua uma velocidade mínima para ser usada por todos os alunos em processo de aprendizagem. "A Internet rápida democratiza o acesso a recursos pedagógicos de qualidade e promove a personalização, permitindo que alunos com diferentes perfis aprendam no seu ritmo e a partir de seus interesses e necessidades", afirma a diretora do Instituto Inspirare, Anna Penido.

O uso das tecnologias como ferramentas de ensino também aproxima a escola da realidade digital que já é conhecida e vivida pelo aluno. Com isso, amplia-se o interesse e as possibilidades de expressão. "O professor também ganha muito com a Internet na escola. Ela facilita a organização do tempo em sala de aula, o que o possibilita atuar de maneira mais intensa como orientador na formação dos alunos e mediador do processo de aprendizagem", comenta Denis Mizne, diretor executivo da Fundação Lemman.

O projeto pretende impactar o Governo Federal até o final deste ano com a assinatura de um compromisso formal. "Se não houver iniciativa neste sentido, a tendência é um aumento das desigualdades existentes na educação brasileira, já que somente parte das escolas teve a rápida introdução de tecnologias digitais conectadas à internet", relata Mizne.

Dados do Censo Escolar de 2013 mostram que de 190.706 escolas, apenas 58% (11.053) possuem acesso à internet, caindo para 48% levando em conta as que dispõem de banda larga. Segundo a Pesquisa TIC Educação, também realizada em 2013 e desenvolvida pelo Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação, apenas 19% das escolas públicas contam com conexão superior a 2 MB de velocidade.

Interessados em participar da campanha devem acessar o site internetnaescola.org e realizar um teste online gratuito para que alunos, professores e gestores escolares identifiquem a velocidade de conexão disponível em suas escolas. Então, basta enviar um email para a Presidência da República pedindo a assinatura do compromisso público por 10 MB de internet em todas as escolas. Também é possível compartilhar informações para ajudar na mobilização.

A iniciativa já acontece em alguns países como o Uruguai que, em 2007, criou o Plano Ceibal para promover a inclusão digital e colocar a tecnologia a serviço da pedagogia. Ele foi o primeiro país da América Latina a fazer a distribuição de computadores portáteis a todos os seus 300 mil alunos de ensino fundamental e médio de 2,3 mil escolas.

O Plano Ceibal colheu ótimos frutos, aumentando de 5% para 80% os índices de acesso nas famílias de baixa renda. O Uruguai também foi considerado pelas Nações Unidas o primeiro do ranking de inclusão digital e transparência governamental.

A Ásia também já vem trabalhando com projetos parecidos. Na Malásia, o plano de colocar internet nas escolas foi repassado para uma empresa privada através de um leilão. O acesso à internet é disponibilizado para as escolas pelo SchoolNet, um serviço de colaboração nacional entre os ministérios do governo federal e empresas locais que fornecem acesso à rede. O país também foi o primeiro do mundo a criar uma plataforma única que personaliza o ensino e a aprendizagem.

Já os Estados Unidos contam com o programa ConnectED, que promete no mínimo 50 MB de fibra óptica por escola e Wi-Fi nas escolas. Outro lançamento recente é o ConnectHome, responsável por fortalecer o uso educacional da internet expandindo o seu uso não só ao setor escolar, como também em todas as casas do país.

Fonte: Convergência Digital