Greve dos Correios chega ao fim, menos em SP e RJ

Por Felipe Demartini | 14 de Março de 2018 às 09h50

Os trabalhadores dos Correios de todos os estados do país, com exceção de São Paulo e Rio de Janeiro, decidiram finalizar a greve iniciada nesta semana. O retorno aos trabalhos veio após decisão do Tribunal Superior do Trabalho, que aceitou proposta do ministro Aloysio Corrêa em relação ao pagamento de planos de saúde pelos trabalhadores e a inclusão de familiares na cobertura oferecida pela estatal.

O julgamento aconteceu ainda na segunda-feira (12), primeiro dia de greve, enquanto a decisão pelo fim da paralisação veio no dia seguinte. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, assembleias devem ocorrer ainda nesta semana para decidir quanto à continuidade ou não do movimento – até lá, agências e entregas continuam funcionando em regime de paralisação, com 80% do efetivo, conforme disposto pelo tribunal que julgou a matéria.

Conforme decisão do TST, os funcionários dos Correios passam a ter coparticipação no pagamento das mensalidades do plano de saúde, com a empresa arcando apenas com 70% dos valores, que variam de acordo com idade e remuneração. Além disso, os pais e as mães dos trabalhadores poderão permanecer como dependentes no benefício até julho de 2019, quando chega ao fim o Acordo Coletivo de Trabalho que está atualmente em vigor.

Foi justamente a indecisão quanto a esse aspecto que levou à paralisação iniciada nesta semana. Os Correios defendiam a restrição do plano de saúde apenas aos próprios funcionários da estatal, com pagamento mensal a ser realizado por eles. Os trabalhadores, em contrapartida, foram contra as mudanças, exigindo a permanência de dependência e também a manutenção do sistema atual de cobranças, que acontecem apenas por procedimento realizado.

Para a diretoria da estatal, a decisão do TST foi um avanço para que ambos os interesses pudessem se encontrar no meio do caminho. A proposta passa longe da idealizada pelos Correios, mas, em nota oficial, a empresa considerou positivo o reconhecimento de que a sustentabilidade dos serviços passa por uma divisão no custeio de benefícios.

Ao mesmo tempo, a proposta também não é plenamente agradável, e, para a Federação Nacional dos Trabalhadores do Correios (Fentect), atinge diretamente os trabalhadores. Entretanto, as assembleias consideraram que as mudanças foram positivas o bastante para que retornassem aos trabalhos, com a promessa de se manterem vigilantes na luta contra uma possível privatização do serviço – algo que, de acordo com o governo, é um caminho a ser seguido caso não exista um plano de sustentabilidade para os Correios.

Os sindicatos, porém, continuam se posicionando fortemente contra essa possibilidade e criticam duramente o governo federal. Para a Fentect, a administração pública realiza ataques sucessivos em prol do sucateamento do serviço como uma forma de lucrar com a privatização, com investimentos e mudanças na gestão sendo o melhor caminho para este momento de crise, em vez da entrega da empresa ao capital privado.

Fonte: Fentect

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