Governo recomenda diálogo entre operadoras e serviços de OTTs

Por Redação | 28.10.2015 às 12:37

O segundo dia de Futurecom 2015, em São Paulo, teve como uma das pautas principais a possível nova regulação dos serviços OTTs (over-the-top), como WhatsApp e Netflix. As operadoras de telecomunicações afirmam que vêm perdendo receita devido à falta de regras para a concorrência, mas o governo guia as empresas para o diálogo.

Carlos Zenteno, presidente da Claro, acredita que as operadoras e os produtores de conteúdo devem buscar uma harmonia. "Se não fizermos um trabalho coordenado, poderemos ter uma situação de desaceleração maior e impacto muito grande na rentabilidade das empresas que impacta diretamente no mercado – ninguém quer empresas falidas e com problemas", diz. O executivo concorda com o discurso das operadoras de "mesmo serviços, mesma regra", mas sem prejudicar nenhuma das partes, inserindo apenas algumas regras básicas de operação.

Já o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), João Rezende, discorda. "Considero o debate perigoso. Fiquei preocupado com a fala de Zenteno porque o risco de levar a regulação hoje, que está mais pesada na telefonia do que nas OTTs, pode prejudicar e muito esse mundo. Em vez de apontar uma solução de longo prazo, estaríamos engessando inovação", afirma. Rezende ainda esclarece que a Anatel não é responsável por regular o preço de dados.

O secretário executivo do Ministério das Comunicações, Maximiliano Martinhão, afirma que o caso já está sendo estudado. "Várias questões importantes vão ser esclarecidas neste grupo de trabalho que deve durar 90 dias. Há uma simbiose entre OTTs e o setor de telecomunicações. Agora, nós precisamos aprofundar a discussão", pontua.

O CEO da TIM, Rodrigo Abreu, também acredita na necessidade de um diálogo. Para ele, as operadoras de telecomunicações e as empresas de tecnologia precisam de um desenvolvimento sustentável. "A gente precisa evoluir e olhar para frente, com olhar muito mais abrangente. Entender como deve ser interpretada a cadeia toda, com incentivos a inovação aos usuários. Hoje não tem nenhuma OTT no painel. Isso sem contar desenvolvedores e criadoras de conteúdo que também fazem parte da cadeia", completa.

Fonte: Mobile Time