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Governo “mede o humor” dos internautas com declarações e falas públicas

Por Rafael Arbulu | 03 de Abril de 2019 às 14h34

O Governo Federal tem por ação costumeira “medir” a recepção de suas declarações e falas públicas na internet, por meio de relatórios que dividem alguns influenciadores digitais entre “viés de esquerda” e “apoiadores”, segundo documentos obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo. Os relatórios teriam a serventia de determinar a reação pública frente ao governo do presidente Jair Messias Bolsonaro, eleito em outubro de 2018, e sua equipe.

De acordo com o jornal, os relatórios fazem amplo uso da terminologia que tornou-se conhecida pelos atuais políticos exercendo cargos públicos, como referir-se à oposição como “velha política”, além de destacar posicionamentos contrários que tenham alto potencial de viralização nas redes sociais.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, também figura em relatórios de comunicação do Governo Federal (Foto: Sergio Moraes/Reuters)

Um dos exemplos citados fala do confronto público entre Bolsonaro e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, sobre os seus respectivos papéis na articulação política voltada à eventual aprovação da reforma da previdência. Segundo o relatório, foram quase 30 mil menções ao assunto na manhã da última terça-feira, 2 de abril.

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“O documento destaca que ‘os perfis seguem apontando desentendimentos entre parlamentares e líderes do governo. Entre suas linhas argumentativas, os usuários teceram críticas à velha política e questionaram a prioridade do presidente para a aprovação da medida’. As hashtags mais difundidas foram #votesimpelareforma e #euapoionovaprevidencia”.

No espectro opositor, o relatório aponta até mesmo para uma publicação antiga de Guilherme Boulos (PSOL), que foi candidato à presidência nas últimas eleições. O jornal cita essa parte do relatório: “A publicação antiga de Guilherme Boulos que acusou (verbo que aparece grifado no relatório do Planalto) o presidente de utilizar robôs para impulsionar a #EuApoioNovaPrevidencia tem gerado menções contestando a acusação. Apoiadores se mobilizam para defender a Nova Previdência e criticar a oposição”.

Outras situações relatadas foram a ausência do ministro da economia, Paulo Guedes, da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, apontada pelos usuários como “antidemocrática”, segundo o relatório. Também citado no documento está a crítica do deputado federal e ativista do Movimento Brasil Livre (MBL), Kim Kataguiri, onde ele diz que “a previdência morreu” devido à falta de articulação entre a presidência e o Congresso Nacional. O posicionamento foi difundido em sites e canais “com viés de esquerda”, segundo o relatório, que cita nominalmente páginas como a Revista Fórum e o site Catraca Livre, que se declaram independentes em suas coberturas.

A articulação política, ou a falta dela, entre Bolsonaro e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (foto) também foi monitorada pelo relatório do Palácio do Planalto (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Mais além, o relatório também indica que a intenção do presidente em ordenar as celebrações do golpe que trouxe a ditadura, em 31 de março de 1964, atrapalhou as conversas sobre a Previdência: “‘Internautas acreditam que a celebração desviaria a atenção e estimularia debates que não seriam positivos para a aprovação’. No texto, o golpe é tratado como ‘início do regime militar’. Já os opositores adotaram termos como #ditaduranuncamais e #BrasilAfunda”, diz o Estadão, citando o documento.

Até mesmo o caso do suposto “surubão de Noronha”, relacionado à separação e envolvimento de diversos atores da Rede Globo de Televisão, figurou o relatório. Em tom crítico, o documento diz que os internautas “ora [estão] falando que não possuem tempo e disposição de falar sobre a reforma por estarem focados na ‘fofoca’, ora defendendo que as pessoas deveriam ignorar a vida dos famosos e focar nos temas que afetam brasileiros, como a Previdência”. De acordo com o monitoramento, este assunto rendeu 500 menções nas redes sociais.

O Palácio do Planalto não comentou as informações veiculadas pelo Estadão.

Fonte: O Estado de S. Paulo

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