Governo dos EUA pede acesso a documentos de quatro das maiores empresas tech

Por Rafael Rodrigues da Silva | 13 de Setembro de 2019 às 16h05

Nesta sexta-feira (13) foi revelado que o Subcomitê Antitruste do Congresso dos Estados Unidos enviou cartas para quatro das maiores empresas de tecnologia do mundo - Amazon, Facebook, Alphabet (controladora do Google) e Apple - pedindo o acesso a informações sigilosas dessas empresas, que incluem não apenas relatórios financeiros, mapas organizacionais e outros documentos oficiais da empresa, mas até mesmo o acesso a conversas por e-mail de alguns de seus maiores executivos.

Atualmente, todas as quatro empresas estão sendo investigadas pelo governo dos EUA pela configuração de monopólio - uma prática proibida no país. A investigação da Amazon e do Facebook está sendo liderada pela Comissão Federal do Comércio, enquanto a Apple e a Google são investigadas pelo Departamento de Justiça do país.

Para o congressista de Nova York (posição hierárquica que seria equivalente ao papel de um deputado no Brasil) Jerrod Nadler, do Partido Democrata, existem claras evidências de que essas corporações têm monopolizado os ramos de comércio e comunicação online. Com isso, a liberação de toda a documentação pedida pelo subcomitê irá ajudar a entender qual a real influência que elas possuem sobre o mercado e se elas têm usado a força de sua posição no mercado para abusar dos consumidores e abafar a concorrência.

Na carta enviada para a Alphabet, é pedido o acesso a e-mails nos quais foram discutidos a compra de empresas como DoubleClick, YouTube e Android, mensagens onde foram abordados o funcionamento dos algoritmos da companhia, além daqueles onde executivos da empresa falaram sobre a suspensão de qualquer app específico ou categoria de app da Play Store. O motivo para esses pedidos seria o de uma preocupação sobre a dominância da empresa no mercado de venda de apps e no mercado de busca e publicidade na internet, e de como a Alphabet estaria utilizando esse domínio para esmagar qualquer concorrente antes deles surgirem.

Enquanto isso, a carta enviada à Amazon pede por e-mails onde se discutem a forma como o site da empresa ranqueia seus produtos, inclusive aqueles que são de marca própria. Também há um interesse sobre as aquisições da Amazon em alguns ramos do comércio que não possuem relação direta ccom o seu core business, como as da PillPack (medicamentos), da Whole Foods (supermercados) e Blink Home (segurança patrimonial). A intenção é conseguir entender exatamente qual o domínio da empresa sobre o mercado da venda de livros, e se ela tem utilizado seus algoritmos para pressionar editoras a aceitar acordos que não são tão vantajosos para elas.

Já a carta enviada para a Apple pede detalhes sobre algumas das principais controvérsias da empresa nos últimos anos, como o funcionamento dos aplicativos de controle parental e seu acordo com a Amazon para a venda de produtos da marca que coloca todos os outros lojistas em enorme desvantagem. Há ainda questões sobre o hábito que a empresa tem de inserir as funcionalidades de apps de sucesso desenvolvidos por terceiros dentro de seus próprios aplicativos e sistemas operacionais para garantir que seus usuários só utilizem produtos desenvolvidos pela própria Apple.

Por último, temos a carta enviada ao Facebook, uma empresa que desde 2017 é alvo de investigações do Congresso devido ao papel que desempenhou na disseminação de fake news durante as eleições para presidente dos Estados Unidos em 2016 (e em outros países). A carta pede detalhes das aquisições que o Facebook fez de empresas que surgiam como seus concorrentes, como o WhatsApp e o Instagram. Ela também pede detalhes sobre o funcionamento do Onavo, o aplicativo de coleta de dados da empresa que teria sugerido a compra do WhatsApp pela companhia porque ele tinha potencial de se tornar um verdadeiro concorrente para a rede social de Zuckerberg. Além dessas informações, também há um pedido por explicações sobre os motivos que levam a empresa a impedir alguns aplicativos de compartilhar seus conteúdos diretamente na rede social (como aconteceu com o Snapchat e o Vine).

As empresas possuem até o dia 14 de setembro para responderem os pedidos do Congresso e, caso se recussem, podem ser acusadas de obstrução de justiça por atrapalhar uma investigação do governo.

Fonte: The Verge

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