Governo adia decisão sobre modelo de conversor digital para o Bolsa Família

Por Redação | 01.05.2015 às 09:18
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O Governo Federal resolveu adiar a decisão sobre a escolha do modelo do conversor de TV Digital a ser distribuído para os 14 milhões de beneficiários do programa social Bolsa Família. Depois de deixar claro que irá apostar em um conversor que garanta melhores recursos de interatividade até o dia 15/05, a ideia é negociar com as empresas de telecomunicações e emissoras de televisão comerciais para chegarem a um consenso.

Nesta quarta-feira (29), o coordenador do Gired (Grupo de Implantação do Processo de Redistribuição e Digitalização de Canais de TV), Rodrigo Zerbone, propôs o adiamento das discussões. Sendo assim, o tema dos conversores digitais sequer chegou a ser efetivamente discutido pelo grupo de implementação da digitalização. A discussão certamente irá girar em dois pontos fundamentais: o curso do conversor da migração para a TV Digital e o desligamento dos sinais analógicos e a consequente liberação da faixa para a tecnologia 4G para os dispositivos móveis.

Zerbone se justificou afirmando que "é uma decisão que envolve muitas questões técnicas importantes de impacto maior sobre o custo da EAD, do processo inteiro, e que a gente precisa aprofundar mais a análise dos dados que trouxemos para tentar chegar a uma proposta de consenso". O coordenador do Gired ainda disse que "mesmo que a decisão seja pelo 'Ginga C' e canal de retorno embutido, ela exige outras definições com impactos técnicos e financeiros".

Ao que tudo indica, o governo irá negociar exatamente nessas "outras definições". Isso se deve ao fato dos diferentes modelos analisados apresentarem capacidades de memória, qualidade de recursos de acessibilidade e conectividade à internet para suportar o canal de retorno diferentes.

O grupo tem 'na mesa' cinco modelos de conversores para debater, com as respectivas cotações. Trata-se de um equipamento que permite que mesmo televisores analógicos consigam reproduzir os sinais digitais da TV aberta. No modelo mais simples, há 10 fornecedores cotados. No mais elaborado, foram 7 indicações de preço.

Por falar em preço, ainda existe uma preocupação razoável com o sigilo dos valores para "não influenciar na hora da compra", como sustentou Rodrigo Zerbone. No entanto, as estimativas sugerem que o melhor modelo de conversor entre os que estão sendo analisados gira em torno de US$ 70. Já o mais básico custaria a metade desse valor.

Aqui, porém, há um aparente sinal de que o modelo mais básico proposto foi alinhado para criar esse contraste mais evidente de preços. Afinal, essa configuração (proposta das teles) sequer possui canal de retorno e prevê aquilo que o Sistema Brasileiro de TV Digital apelidou de modelo "B" - algo que pode ser considerado como uma interatividade restrita.

A proposta das emissoras comerciais é de algo um pouco melhor, com a principal distinção de que haveria canal de retorno através de uma porta Ethernet - ou seja, na dependência de que essa parcela de brasileiros mais pobres conte com acesso fixo à internet em suas residências. Não por menos, a diferença de preço entre a proposta das teles e das TVs comerciais é mínima.

Já as três propostas cotadas pelas tevês públicas preveem interatividade compatível com aquilo que a EBC, que realizou alguns teste em comunidades carentes, chamou de Projeto 4D. Na prática, o middleware de interatividade é basicamente o mesmo e o que muda são os componentes que ampliam ou reduzem os recursos. No caso das três propostas, as diferenças entre elas envolvem a colocação de modem 3G embutido, memória que varia entre 256 MB a 16 GB, Bluetooth e maior ou menor qualidade nos recursos de acessibilidade.

Por fim, um dos principais motivos para o adiamento foi o pouco tempo disponível para análise das cotações. Até a semana passada, os preços mostrados pela EAD - a empresa criada pelas teles para operacionalizar a migração digital - tinham como base apenas a primeira fase da transição, o que corresponde a apenas cerca de 7 mil conversores a serem distribuídos na cidade goiana de Rio Verde, a primeira do cronograma.

Fonte: http://convergenciadigital.uol.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=39481&sid=14