Gestores universitários são contra redução de verbas para pesquisa e inovação

Por Redação | 08.11.2016 às 14:14
photo_camera Pedro França/Agência Senado

As verbas para pesquisa e inovação no Brasil devem sofrer uma redução de 55% no próximo ano. A arrecadação deverá chegar a R$ 5,2 bilhões, mas R$ 2,9 bilhões não deverão ser efetivamente gastos.

Segundo dirigentes de universidades públicas, esses repasses são essenciais para a manutenção das universidades e dos programas de pós-graduação e a redução dos mesmos colocará em risco a competitividade do país em curto e médio prazo. Os dirigentes discutiram o tema em audiência pública realizada nesta terça-feira, 8, pela Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT).

A Comissão de Ciência e Tecnologia avalia a efetividade da aplicação dos recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e do Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (Funttel).

“Os recursos desses fundos foram drasticamente reduzidos a partir de 2013 e isso precisa ser revertido”, reforçou Rui Vicente Oppermann, reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Oppermann teme que o setor científico e tecnológico enfrente dificuldades ainda maiores com a aprovação da proposta de emenda à Constituição que estabelece um teto para os gastos públicos por 20 anos (PEC 55/2016). A PEC restringe o aumento das despesas federais à variação da inflação do ano anterior. “Gostaria que considerassem educação, ciência, tecnologia e inovação como exceções na PEC, pois são investimentos. A gente não ganha reduzindo investimentos”, argumentou.

Esforço coletivo

Os debatedores sugeriram ao governo em vez de sinalizar cortes na área de ciência, pesquisa e inovação, apostar suas fichas em políticas que estimulem a aproximação das empresas com as universidades.

Na opinião deles, essa conjunção de esforços entre setor produtivo e academia ajudaria na retomada do crescimento. “Há necessidade de um projeto para a ciência e tecnologia, para a criação de ambiente de inovação e para a redução do custo Brasil na criação e transformação de conhecimento em riqueza”, apontou José Eduardo Krieger, pró-reitor de Pesquisa da Universidade de São Paulo (USP).

Diminuir a burocracia para o depósito de patentes e facilitar a compra de insumos para pesquisa foram outras das reivindicações apresentadas pelos gestores universitários.

Fonte: Agência Senado