EUA querem barrar notebooks em bagagens despachadas em voos internacionais

Por Redação | 20 de Outubro de 2017 às 12h55
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Após falar abertamente sobre o assunto diversas vezes, o governo dos EUA submeteu uma proposição formal para que os usuários de transportes aéreos não possam mais carregar notebooks na bagagem despachada. O temor é que a bateria de tais dispositivos possa entrar em combustão quando submetidas às altas temperaturas que podem existir na área de carga dos aviões.

A ideia da Administração Federal de Aviação (FAA, na sigla em inglês), órgão em inglês que regula as operações aéreas e é semelhante à Infraero brasileira, é de que incêndios e explosões podem acontecer, principalmente, na associação dos notebooks com outros produtos inflamados transportados comumente nas malas. É o caso, por exemplo, de aerossóis, isqueiros, xampus secos e outros produtos de beleza, apenas para citar alguns exemplos.

Para chegar a essa conclusão, a agência realizou dez testes, associando uma bateria de íon lítio em combustão com produtos diferentes, como removedores de esmalte, álcool etílico e desinfetante para as mãos. Todos causaram incêndios a bordo, enquanto um deles, o xampu seco, foi capaz de gerar uma explosão que não pôde ser contida pelos sistemas antifogo das aeronaves comerciais, com toda a área de carga sendo consumida pelas chamas em menos de um minuto.

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A pesquisa também responde a uma outra pergunta: se esse tipo de incidente é tão comum assim, porque não acontece com frequência, tendo sido registrado apenas três vezes e somente com aviões de carga? A conclusão é que, devido ao alto valor de notebooks e à presença de dados pessoais, a maioria dos passageiros prefere carregar os computadores consigo, na bagagem de mão. A proposta de proibição, caso aprovada, deixa justamente essa como única alternativa para transporte destes dispositivos.

Para a FAA, o risco de acidentes e perda de vidas é bastante real. Por isso, apresentou a proposta de proibição de transporte de notebooks na bagagem despachada à ONU, que deve avaliar o pedido e tentar chegar a um padrão seguro nesse quesito. As empresas aéreas americanas concordam com a proposição e também desejam chegar a um ponto comum, de forma que as normas possam ser aplicadas no futuro próximo.

Além disso, o relatório da agência sugere incrementos no sistema de contenção de incêndio das aeronaves, de forma que a proibição, se aprovada, possa ser revogada em alguns anos. Ainda, normas extras poderiam ser aplicadas, como por exemplo recomendações aos passageiros para que não coloquem produtos inflamáveis na mesma mala que os computadores.

A ONU pretende analisar a questão ao longo das próximas semanas, por meio de um comitê de normas globais de aviação. Caso o banimento seja aprovado, ele ainda deverá passar por progressos de regulação local, sendo adotada de forma independente por cada um dos países. Também não existem comentários quanto à possibilidade de a norma ser aplicada também a voos domésticos, com o estudo falando apenas sobre os internacionais.

É justamente aqui que entra um dos principais pontos de confusão, podendo pegar passageiros internacionais de surpresa ao viajarem para um país em que os notebooks são proibidos na bagagem despachada, mesmo que isso não seja regra em sua nação de origem. Caso aprovadas, a regulamentação também exigirá mais treinamento para funcionários de aeroportos e informações para os viajantes.

Há, ainda, a possibilidade de conflito com relação a outras normas locais. Uma recomendação do Departamento de Segurança Nacional dos EUA, por exemplo, proibiu, no início do ano, que notebooks fossem levados como bagagem de mão em voos de e para dez países do Oriente Médio. A justificativa era o risco de artefatos explosivos e armas serem ocultados dentro desses dispositivos, em uma norma que já foi suspensa após um incremento na segurança dos aeroportos.

No Brasil, a única regra relacionada ao transporte de notebooks se refere à retirada deles de dentro das bagagens de mão no momento da passagem pelos equipamentos de raio-x – em alguns casos, os funcionários da segurança também podem pedir para que o computador seja ligado. Os dispositivos, entretanto, podem ser transportados normalmente tanto na cabine quanto nas malas despachadas.

Fonte: Associated Press

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