Em série de tuítes, Donald Trump ataca Google e seu CEO, Sundar Pichai

Por Rafael Arbulu | 06 de Agosto de 2019 às 20h30

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, novamente acusou empresas de tecnologia de assumirem viéses políticos que favoreçam o Partido Democrata e colocam em demérito o Partido Republicano, pelo qual foi eleito à Casa Branca nas eleições gerais de 2016. Em uma série de tuítes publicados na manhã desta terça (6), Trump nomeou a Google e seu CEO, Sundar Pichai, em novos ataques.

“[Pichai] da Google esteve aqui no Salão Oval, trabalhando muito duro para explicar o quanto ele gosta de mim, falar do ótimo trabalho que [nossa] administração vem fazendo, que a Google não esteve envolvida com as forças armadas da China, que ele não ajudou a 'Desonesta Hillary' contra mim nas eleições de 2016”, ele publicou na rede social de microblogs. Continuando a thread, Trump disse: “e que eles (...) NÃO ESTÃO planejando subverter ilegalmente as eleições de 2020 apesar de tudo o que vem sendo dito de contrário”.

Sobre essa última parte, Trump refere-se a uma entrevista veiculada pela emissora Fox Business Network com o editor-chefe do site conservador Breitbart e líder da think tank Government Accountability Institute, Peter Schweizer: “[Schweizer] afirmou com toda a certeza de que eles [Google] suprimiram narrativas negativas sobre Hillary Clinton, e ampliaram [o alcance] de histórias negativas sobre Donald Trump (sic). Tudo muito ilegal. Estamos observando a Google bem de perto!”, o presidente tuitou.

A série de tuítes publicados são um novo capítulo nas recentes e insistentes acusações feitas por Donald Trump, nas quais ele afirma categoricamente que a Google, além de plataformas sociais como o Facebook e o Twitter, estão deliberadamente favorecendo a publicação de afirmações negativas sobre o seu governo, além de exaltarem o Partido Democrata. Trump derrotou Hillary Clinton nas eleições de 2016 e anunciou que vai concorrer à reeleição em 2020. O Partido Democrata ainda não definiu candidatos pois, devido ao sistema político norte-americano, as eleições presidenciais gerais são precedidas por eleições internas de partido para determinarem quem concorrerá ao pleito à Casa Branca.

Recentemente, Trump realizou um encontro de mídias sociais na Casa Branca, mas deliberadamente impediu a participação das grandes empresas do setor: no lugar de nomes como Facebook, Twitter e Instagram, por exemplo, os convidados pertenciam a fóruns e sites de cunho conservador, que comumente veiculam conteúdo favorável ao presidente.

Trump também faz eco aos comentários tecidos em outra entrevista, veiculada pela Fox News, com Kevin Cernekee, um engenheiro da Google que foi demitido pela empresa e tem aparecido em manchetes nas últimas semanas, afirmando que a Google tem o objetivo de causar a derrota de Trump no próximo pleito: “Eles realmente querem fazer com que Trump perca em 2020”, ele disse no programa de notícias apresentado por Tucker Carlson. “Essa é a agenda política deles”.

Sundar Pichai, CEO da Google, foi acusado pelo presidente Donald Trump de ter favorecido o Partido Democrata em práticas de intervenção eleitoreira. A Google nega todas as afirmações

Em comunicado enviado pela empresa ao TechCrunch, a Google nega as acusações feitas por Cernekee: “As afirmações feitas por um ex-funcionário descontente são absolutamente falsas. Nós investimos muito na construção de nossos produtos e reforçamos nossas práticas de forma que elas não tomem viéses políticos em consideração. Resultados qu destoam de propósitos políticos seriam maléficos aos nossos negócios e seguem ao contrário de nossa missão de oferecer conteúdo útil a todos os nossos usuários”.

Cernekee alega ter sido demitido da Google por suas visões conservadoras, enquanto ex-colegas dizem que ele promovia “conversas com teor da direita alternativa”. Mais além, Cernekee é suspeito de ter tentado convencer funcionários da Google a contribuir com um financiamento coletivo direcionado a Richard Spencer, notória figura política vista como uma das lideranças da direita alternativa, e que já foi acusado em diversas ocasiões de práticas de racismo. Em fóruns conservadores, Spencer já foi autor de artigos dizendo, por exemplo, que um genocídio negro atual "seria uma boa ideia".

O ex-funcionário nega as acusações: “Eu sempre valorizei a liberdade de expressão e me oponho ao nacionalismo branco”, ele comentou na Fox News.

Fonte: Donald Trump (via Twitter); Techcrunch

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.